O OUTRO LADO DA MOEDA
Oriente Médio não dá trégua à inflação
Publicado em 10/08/2026 às 13:18
Alterado em 10/08/2026 às 13:18
O ataque do grupo Houtis à refinaria de Jazan, da Saudi Aramco (a maior petroleira do mundo, da Árábia Saudita) provocou aumento de tensões no Estreito de Ormuz e fez o petróleo Brent para entrega em outubro subir 2,85% para US$ 85,90, o barril. Em vez da trégua geopolítica para facilitar cessar-fogo no conflito entre Estados Unidos e Irã, o episódio jogou um balde de água fria nas expectativas de desaceleração da inflação neste segundo semestre.
O efeito imediato foi a desvalorização das moedas de países dependentes do petróleo importado, como o Japão. O dólar subia 0,72% contra o iene, enquanto países emergentes com boa produção de petróleo, caso do México, via o dólar subir bem menos (+0,15%) contra o peso mexicano. No Brasil, o dólar registrava alta de 0,40% contra o real, cotado a R$ 5,1017. A inflação estava desacelerando no México.
A incerteza do cenário internacional pode atrapalhar as projeções mais favoráveis da Pesquisa Focus do Banco Central que apontava estabilidade em 5,03% na inflação esperada para 2026 – embora a mediana nas respostas dos últimos cinco dias úteis esperasse a primeira queda do IPCA abaixo de 5,00%, para 4,99% desde a escalada da guerra.
A semana reserva um misto de expectativas, com a divulgação, amanhã, terça-feira, da Ata do Copom, documento em que o Banco Central detalha o racional da decisão de juros dia 5 de agosto, e do IPCA de julho, principal índice de inflação do país, pelo IBGE. A pesquisa Focus, que há um mês previa 0,29%, reduziu semana passada a aposta de 0,8% para 0,7% e a mediana dos últimos cinco dias úteis apontou para 0,03%. A desaceleração continuaria em agosto (-0,17%) e a projeção para setembro está entre 0,50% e 0,49% O número de setembro está condicionado a uma possível baixa da gasolina, por enquanto afastada pela alta do petróleo; .
Na quarta-feira, o IBGE pública a PMS (Pesquisa Mensal de Serviços) de junho, que mede o desempenho do setor de serviços — o de maior peso na economia. E, na quinta-feira (13), é a vez da PMC (Pesquisa Mensal de Comércio) de junho, que acompanha as vendas no varejo. Os dois indicadores darão um retrato mais completo do ritmo da atividade no fim do primeiro semestre.
Breve retomada no Congresso
Depois de folgar desde 18 de julho, o Congresso retoma as atividades esta semana. Será a primeira de duas semanas de esforço concentrado antes das eleições, em 4 de outubro. Entre os temas que podem avançar, está o projeto que reformula o marco legal do seguro rural, que pode ser votado no Senado após alterações feitas pela Câmara.
Também seguem no radar a proposta que acaba com a escala 6x1 - embora sua aprovação antes das eleições pareça menos provável, e a promulgação da aposentadoria especial dos agentes comunitários de saúde. Na Câmara, continuam as discussões sobre o aumento do teto de faturamento do MEI.
E os partidos têm até sábado, 15, para alterar as chapas.
Balanço do BB e agronegócio
Outro fato que pode indicar a temperatura do agronegócio – segmento da economia refratário ao governo Lula, é a divulgação do balanço do Banco do Brasil no segundo trimestre, esperado para a quarta-feira, 12 de agosto. O BB é o maior banco do crédito rural e as oscilações de preços do café (forte desaceleração este ano) da cana de açúcar e da carne bovina podem afetar o índice de inadimplência (atrasos acima de 90 dias).
O balanço do Bradesco, que tem sociedade no Banco John Deere (o maior fabricante de máquinas agrícolas do país), mostrou forte deterioração no estágio 2 (atrasos de 15 a 60 dias. No primeiro trimestre os resultados da inadimplência do agro no BB foram preocupantes.