O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

[email protected]

O OUTRO LADO DA MOEDA

Mercado celebra, amuado, queda da Selic

...

Publicado em 06/08/2026 às 18:13

Alterado em 06/08/2026 às 18:19

Acompanhei quase 50 análises sobre a decisão do Banco Central de baixar, na quarta vez seguida, a Selic em 0,25% para 14%. O tom predominante dos analistas do mercado financeiro (e gestores de recursos) era quase lamentoso pela baixa e procurava apontar dúvidas sobre uma próxima baixa de 0,25% a 13,75% ao ano em 16 de setembro. O Bradesco já apostava em 13,75% para dezembro.

Os economistas ligados ao setor produtivo diziam que ainda era tímida a queda dos juros básicos, pela demora do movimento da Selic ser transmitida aos juros bancários, do crediário e do cartão de crédito – quatro a cinco vezes maiores. Os do mercado, levantavam obstáculos: a baixa dos juros depende da trégua no Golfo Pérsico. É óbvio.

O que mais me chamou a atenção foi a ausência de elogios à estratégia econômica do governo Lula de usar a autossuficiência de petróleo da Petrobras para segurar os preços domésticos dos combustíveis, e evitar o contágio inflacionário nos preços de insumos e alimentos o que aceleraria, via indexação, os preços e juros para cima.

Hoje, o barril do Brent para entrega em outubro era cotado a US$ 81, com alta de 2% e o real era das poucas moedas em alta frente ao dólar, numa prova do acerto da política do Ministério da Fazenda de usar subsídios temporários (o risco é que o conflito já dura 156 dias) para apostar contra a inflação. Isso abriu espaço ao Banco Central baixar juros.

O piso dos juros reais do Brasil (descontada a inflação de 4,64% em junho) ainda é o mais alto do mundo (9,30%, à frente dos 9,09% da Rússia), mas o Banco Central do Brasil foi dos raros BCs que baixou os juros (desde março). E, prova do acerto, hoje, o real era das poucas moedas em alta ante o dólar, cotado a R$ 5,0995, uma queda de 0,41%.


O comentário do Itaú

“O Banco Central reduziu a Selic para 14,00% ao ano, como o mercado esperava. A decisão representa mais um passo no processo de redução dos juros, mas a mensagem que acompanhou o corte foi cuidadosa. O BC mostrou preocupação com as expectativas de inflação para os próximos anos, que continuam acima do desejado, e evitou assumir antecipadamente o tamanho dos próximos movimentos.

“Em outras palavras, existe espaço para um novo corte na próxima reunião, mas ele dependerá do comportamento da inflação, da atividade econômica e das expectativas ao longo das próximas semanas. No exterior, o cenário continua trazendo incertezas. O conflito no Oriente Médio permanece no radar, enquanto há dúvidas sobre os próximos passos dos bancos centrais de algumas das principais economias.

“No Brasil, a economia começa a apresentar uma perda gradual de ritmo, embora ainda se mantenha resistente. Os setores mostram sinais diferentes entre si e o mercado de trabalho continua aquecido. A boa notícia é que as divulgações mais recentes indicaram desaceleração da inflação, inclusive em medidas que ajudam a identificar se a alta dos preços está realmente perdendo força de maneira mais duradoura.

“O Banco Central também atualizou o período usado como referência para suas decisões. Sua projeção de inflação passou de 3,7% no final de 2027 para 3,2% no início de 2028, ficando mais próxima da meta.

“Ainda assim, a autoridade monetária entende que os riscos continuam mais concentrados na possibilidade de a inflação surpreender para cima. As previsões de inflação para prazos mais longos pioraram, e o cenário externo e as indefinições fiscais internas recomendam prudência. A ata da reunião, que será divulgada na terça-feira, dia 11, deverá ajudar a esclarecer como o Comitê avalia esses riscos”, diz o Itaú.

Deixe seu comentário