O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

IPCA de 0,16% em junho amplia queda da Selic

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Publicado em 10/07/2026 às 15:11

Alterado em 10/07/2026 às 15:12

Com surpreendentes quedas de 0,39% na Alimentação em domicílio e de -0,24% em Alimentos e Bebidas, a inflação de junho subiu apenas 0,16%, abaixo das expectativas de mercado (0,30%). O acumulado em 12 meses foi de 4,64%, contra 4,72% em maio, na primeira redução desde março.

Se os tambores da guerra ajudarem a estabilizar os preços do barril do Brent – nesta sexta-feira, o contrato para entrega em setembro era negociado às 12:40 (horário de Brasília) a US$ 75,63, com queda de 0,88% e baixa em todos os vencimentos até 2039 - há chances de quedas da Selic em 5 de agosto e em 16 de setembro, às vésperas do primeiro turno da eleição (4 de outubro).

Embora a última pesquisa Focus, encerrada sexta-feira passada (3 de julho) apontasse uma nova queda de 0,25% da Selic em agosto, para 14,00% (que seria o nível terminal), já há instituições, como a PicPay, prevendo Selic terminal em 13,50%. Antes do resultado do IPCA, o Bradesco, que previa 0,29%, estava projetando a Selic em 13,75%.

Faria Lima torce pela inflação

A inflação menor deve ter contrariado as previsões da Faria Lima, que tem uma clara preferência pela alta dos preços, que determinam a escalada dos juros (o que amplia as margens dos ganhos em arbitragem de juros dentro do mercado entre o curto e o médio prazo e no diferencial de juros entre o Brasil e Estados Unidos.

Com o resultado caíram as apostas nos juros futuros (a taxa do DI de janeiro de 2027 desceu de 14,00% para 13,90%) e os papéis atrelados ao IPCA desvalorizaram. Com a previsão de baixas na Selic em agosto e setembro, o Ibovespa tinha forte alta de 2,32% às 13:35 e o dólar era operado em queda de 0,29%, a R$ 5,10, a menor cotação desde 16 de junho.

A surpresa baixista foi disseminada: o índice de difusão altista caiu de 65% em maio para 54% em junho, com a maior surpresa nos preços de alimentos (de 61% para 51%). Ao analisar o resultado, o Bradesco adiantou que “o número benigno do mês deve puxar para baixo nossa projeção do curtíssimo prazo”, mas adverte que “com as pressões dos preços de fertilizantes e a elevada probabilidade de um Super El Niño, o grupo alimentação ficará sob pressão inflacionária a partir da segunda metade deste ano.

Os bens industriais também surpreenderam para baixo. Com alta de 0,11%, houve desaceleração relevante ante os 0,32% de maio. A queda só não foi maior devido aos artigos de higiene pessoal (como os perfumes, com alta de 1,12%).

A alta de 0,33% nos Serviços após 0,40% em maio, foi influenciada pelo aumento de 7,12% em passagens aéreas. Houve resultados mais baixos também nos Serviços subjacentes (0,22% ante 0,40% em maio). A maior surpresa veio na alimentação fora do domicílio, com alta de 0,15% ante 0,49% em maio. A variação em 12 meses dos serviços desacelerou de 6% em maio para 5,9%.

A visão do Bradesco

Para o Bradesco, os preços dos bens monitorados vieram ligeiramente acima do esperado, com alta de 0,29% (ante 0,44% anterior). Os combustíveis caíram 0,48%, com destaque para as baixas de 3,09% do etanol e de 1,19% no diesel. A queda da gasolina foi menor que a antecipada, indicando que o choque do petróleo se dissipará gradualmente, antecipa o Bradesco. O grupo acumula alta anual de 5,5% ante 5,8% em maio.

A média dos núcleos demonstra melhora qualitativa, com alta de 0,21% ante 0,45% anterior. No acumulado em 12 meses, a alta foi de 4,4%, menor que os 4,5% do mês anterior. Para o Bradesco, “o IPCA de junho, com surpresa baixista disseminada, indica um quadro mais benigno para a inflação. Com arrefecimento importante de itens comercializáveis, que vinham em alta desde o início do ano”.

A visão do Itaú

“O IPCA de junho veio abaixo do esperado, refletindo principalmente uma queda mais intensa do que a esperada nos preços de alimentos (especialmente dos itens “in natura”, que já costumam apresentar sazonalidade favorável nesta época do ano). Além do resultado mais benigno do índice cheio, as medidas de núcleo também vieram melhores que o esperado, com destaque para a desaceleração dos serviços subjacentes, influenciada por alimentação fora do domicílio”.

Para o Itaú, “o resultado reforça a visão de uma inflação corrente mais comportada no curto prazo. O balanço de risco para a projeção de IPCA no ano segue assimétrico para baixo”. Antes do IPCA de junho, o Itaú tinha elevado a projeção do IPCA de 2026 de 5,2% para 5,4% e a da Selic de 13,75% para 14,00%. Aguarda-se a revisão baixista.

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