O OUTRO LADO DA MOEDA
Focus: Brent projeta 1ª queda do IPCA desde abril
Publicado em 06/07/2026 às 15:55
Alterado em 06/07/2026 às 15:55
Após sucessivas escaladas desde abril, acompanhando a disparada dos preços do barril do petróleo Brent com a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, a trégua na guerra e o recuo no Brent para US$ 72,14 (praticamente estável até dezembro - US$ 72,45), as projeções para o IPCA tiveram o primeiro recuo na Focus.
O Boletim Focus desta semana teve como destaque a queda da projeção do IPCA deste ano: de 5,33% para 5,30% (e baixa ainda maior, para 5,23% na mediana das projeções dos últimos cinco dias úteis). Para 2027, a projeção oscilou de 4,17% para 4,28% (4,20% na mediana dos últimos cinco dias, aí sob o efeito esperado para o El Niño). A projeção da 4intelligence é de uma inflação em 2026 de 5,42% e de 4,47% para 2027 (ambas bem acima do mercado).
Em função da melhoria dos prognósticos para a inflação, houve manutenção das projeções para a taxa Selic ao fim de 2026 em 14,00%, completando a segunda semana consecutiva de estabilidade após o ciclo recente de revisões altistas. Para 2027, as expectativas também ficaram inalteradas em 12,00%, na terceira semana estável.
Inflação de curto prazo
Os reflexos do recuo do Brent são mais notáveis nas projeções do IPCA no curto prazo, até agosto. Para junho, que o IBGE divulga sexta-feira, 10 de julho, a previsão da Focus foi de estabilidade em 0,32%, inclusive nas projeções dos últimos cinco dias úteis. Para julho, a semana ficou estável em 0,30%, mas houve leve redução para 0,29% na mediana dos últimos cinco dias úteis;
Para agosto, o mercado já espera a primeira deflação de preços desde agosto do ano passado (-0,11%). Na mediana da Focus, a expectativa semanal para a queda do IPCA passou de -0,01% para -0,03% e atingiu -0,10% na mediana dos últimos cinco dias úteis. Certamente, o mercado está contando com uma redução no preço da gasolina, aventada pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Dólar sobe contra yuan chinês
No mercado de câmbio, onde o dólar era operado hoje em alta ante as principais moedas (euro, libra, iene, franco suíço, dólar canadense e australiano, além da coroa sueca), o real se destacava entre as moedas emergentes.
Enquanto o yuan chinês tinha queda de 0,25% e o dólar subia 0,23% contra o peso argentino, a moeda americana era negociada no Brasil a R$ 5,1514 às 12:40 (horário de Brasília), com baixa de 0,32%, as projeções para a taxa de câmbio ao final de 2026 permaneceram estáveis em R$ 5,20 por dólar, acumulando três semanas seguidas sem mudanças. A previsão para 2027ficou estável em R$ 5,28 por dólar, na terceira semana seguida de estabilidade.
Por fim, as expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto permaneceram estáveis para 2026 em 1,99%, interrompendo uma sequência de seis semanas consecutivas de revisões altistas. Para 2027, as projeções apresentaram leve melhora, passando de 1,68% para 1,69%.
Adicionalmente, as estimativas para a balança comercial de 2026 permaneceram em US$ 76,20 bilhões, enquanto as projeções para 2027 recuaram de US$ 75,30 bilhões para US$ 75,00 bilhões.