O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Queda na indústria pede alívio nos juros

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Publicado em 03/07/2026 às 14:56

Alterado em 03/07/2026 às 15:03

Assim como nos Estados Unidos o nível baixo do emprego em junho e as revisões baixistas de abril e maio indicaram sinais preocupantes de desaceleração da economia, sugerindo baixa dos juros, no Brasil, a queda de 0,2% na produção industrial em maio, reforça a perda de fôlego no segundo trimestre. E o mesmo diagnóstico: os juros altos estão causando muitos efeitos colaterais.

O dado de maio aponta descompasso em relação à expectativa do mercado (+0,3%). A indústria vinha de quatro meses consecutivos de alta, período em que acumulou ganho de 4,3%. De janeiro a maio, o setor avança 1,4%, com perda de ritmo frente aos 1,7% do primeiro quadrimestre.

A surpresa negativa veio tanto da extrativa (-2,6% frente a abril, após cinco meses de expansão) quanto da transformação (+0,1%). Dentro da transformação, alimentos (-1,3%) e coque/derivados de petróleo (-6,1%) surpreenderam para baixo, enquanto veículos automotores (+4,1%) surpreendeu para cima.

Ao analisar o resultado, o Bradesco avaliou um carrego estatístico de 1,2% para o segundo trimestre, uma desaceleração frente à alta de 1,7% no trimestre. O resultado indica a perda de dinamismo da atividade no trimestre, mesmo com a média móvel trimestral ainda em trajetória ascendente (+0,3% no trimestre encerrado em maio). O banco manteve a projeção de crescimento do PIB de 0,5% no segundo trimestre ante o primeiro.

Outra diferença dos EUA

Na sequência das revelações dos ganhos pessoais de uS$ 1,4 bilhão do presidente Donald Trump em 2025, no primeiro ano de seu segundo governo, os jornais americanos esmiuçam hoje os ganhos do vice-presidente J. D. Vance e da primeira-dama Melania Trump.

Segundo o “New York Times”, o Sr. Vance ganhou entre US$ 1,4 milhão e US$ 7,4 milhões em 2025, incluindo sua renda de investimentos. Isso foi um aumento de aproximadamente US$ 213.000 para US$ 1,3 milhão no ano anterior, embora o formulário não reflita seu salário como senador dos EUA.

A maior parte da renda do Sr. Vance veio de “royalties” e adiantamentos associados à sua autobiografia, "Hillbilly Elegy", publicada em 2016. Ele ganhou entre cerca de 1,2 milhão e 5,2 milhões de dólares com o livro, em comparação com menos de 100.000 dólares em 2024. O formulário não mostra nenhuma renda da esposa do Sr. Vance, Usha, que deixou seu cargo em um escritório de advocacia na campanha de 2024.

A renda da primeira-dama, Melania Trump, superou a do vice-presidente, com seus ganhos empresariais totalizando entre aproximadamente $17,3 e $18,2 milhões em 2025. Ela arrecadou menos de 1 milhão de dólares em 2024, mostram as declarações federais.

A maior parte de sua receita veio de um acordo de licenciamento de 10,7 milhões de dólares relacionado ao filme "Melania”, comprado e promovido pela Amazon. A primeira-dama também ganhou 6 milhões de dólares com a venda de sua “memecoin” e cerca de 500 mil dólares com a publicação de sua autobiografia, "Melania".

A guinada da Apex

Nos EUA, em nome da transparência, os gestores públicos apresentam suas declarações de renda. No Brasil, o patrimônio dos políticos é escondido em fundos fechados, geralmente em paraísos fiscais (“trustees”), ou através de “laranjas”. No caso Master, por exemplo, o senador Jaques Wagner (PT-BA) declarou que o tal apartamento de R$ 2,5 milhões, em Salvador, para presentear a filha, “não estava em seu nome”. Claro, estava em nome de uma das empresas do amigo Augusto Lima, que era controlador do liquidado Banco Pleno, ex-sócio do Master.

Mas o que me chama a atenção é a mudança do vinagre para o vinho na atuação internacional da Apex (a agência estatal brasileira de promoção de exportações e investimentos). No governo Lula, não para de abrir frentes.

No governo Bolsonaro, a filial de Miami, além de abrigar com altos salários (em dólares) amigos do ex-presidente, como o general Lorena Cid, pai do seu ajudante de ordens tenente-coronel Mauro Cid, o general foi acionado para usar a estrutura da Apex para tentar vender (irregularmente, pois eram bens do acervo presidencial) relógios e joias valiosíssimas dadas de presente a Jair Bolsonaro e à então primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

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