O OUTRO LADO DA MOEDA
Paz no golfo estabiliza IPCA e Selic
Publicado em 29/06/2026 às 12:48
Alterado em 29/06/2026 às 12:48
O armistício (atribulado) na guerra entre Estados Unidos e Irã, que hoje fez o barril do Brent para entrega em setembro ser cotado a US$ 73,41, com alta de 1,12%, e tendência altista para todos os contratos até junho de 2027, se refletiu nas projeções do mercado financeiro para a inflação e a taxa Selic, que ficaram estáveis depois de várias semanas.
A mediana de mercado para a Selic de 2026 permaneceu em 14,00%, marcando a primeira semana sem alterações. Para 2027, por sua vez, as expectativas também permaneceram estáveis em 12,00%, completando a segunda semana consecutiva de estabilidade.
No mercado de câmbio, as projeções para a taxa de câmbio ao fim de 2026 permaneceram estáveis em 5,20%, completando a segunda semana sem alterações. Já as estimativas para 2027 apresentaram nova elevação, passando de 5,27 para 5,28, acumulando a terceira semana seguida de alta nas projeções.
Quanto às expectativas para o IPCA deste ano ficaram estáveis em 5,33%, interrompendo sequência de 15 semanas seguidas de alta. Para 2027, as estimativas continuaram avançando, passando de 4,15% para 4,17%, completando a sexta semana seguida de alta. O IGP-M de 2026 permaneceu estável em 6,15%, após o recuo observado na leitura anterior.
Analisando as aberturas da projeção do IPCA de 2026, a expectativa para os preços monitorados se manteve em 5,00%, e para os preços livres se manteve em 5,44%. Para o ano de 2027, a expectativa dos preços monitorados subiu de 3,85% para 3,86% e a mediana das projeções dos preços livre subiu de 4,26% para 4,28%. A previsão da 4intelligence para os preços administrados em 2026 e 2027, está em 5,28% e 3,28% respectivamente, já para a previsão dos preços livre é de 3,92% e 3,14% na mesma ordem.
PIB e inflação de curto prazo
As expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto apresentaram nova melhora para 2026, passando de 1,98% para 1,99%, acumulando a sexta semana seguida de revisão altista. Já as projeções para 2027 sofreram leve revisão baixista, passando de 1,70% para 1,68%.
Adicionalmente, as estimativas para a balança comercial de 2026 permaneceram em US$ 76,20 bilhões, mantendo o patamar observado nas últimas semanas.
A projeção para o IPCA de 2026 permaneceu em 5,33% (a primeira semana de estabilidade), e a projeção para 2027 subiu de 4,15% para 4,17% (na 6ª semana de alta). A projeção da 4intelligence é de uma inflação em 2026 de 5,42% (+0,09 p.p. acima do mercado) e de 4,47% para 2027 (+0,30 p.p. acima do mercado).
Para junho, o mercado manteve estável a projeção de 0,32% (com forte queda anate os 0,58% de maio. Para julho, a projeção teve leve queda de 0,31% para 0,30%, mantida na mediana das previsões dos cinco últimos dias úteis. Por fim, para agosto, o mercado agora espera deflação de 0,01% e a última redução da Selic em 0,25%, para 14,00%, taxa esperada até aqui como a terminal de 2026.
Quem paga pelos erros de previsão?
Diante da realidade do atrelamento das expectativas de inflação e Selic às causas externas, chegam a ser histéricas as críticas de economistas do mercado à posição do Banco Central de não fechar janelas de oportunidades para a queda dos juros.
Ora, se a inflação subiu menos do que queriam os gestores (para ganharem na escalada dos juros), duplamente evitadas pelo governo com subsídios temporários aos combustíveis, é óbvio que com o cenário de trégua no Golfo Pérsico e queda do petróleo a níveis anteriores à guerra do fim de fevereiro, surjam oportunidades para baixar os juros.
Se os gestores fizeram apostas altistas (no IPCA, no câmbio e na Selic), é justo que paguem pelos erros de avaliação. Não cabe acusar o Banco Central de não ser claro nos comunicados. O próprio Fed está atônito, sem previsões seguras.