O OUTRO LADO DA MOEDA
Acordo derruba Brent para US$ 77
Publicado em 22/06/2026 às 18:20
Alterado em 22/06/2026 às 18:23
O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã no sábado derrubou os preços do barril do tipo Brent, com os contratos para entrega em setembro (novo vencimento dos contratos futuros) negociados a US$ 77,18, uma baixa de 3,60%, com a tendência repetida em todos os vencimentos até junho de 2027. Em uma semana o petróleo caiu 6,19% e 21% em 30 dias. A queda do petróleo animou os mercados de ações que operam em alta em todo o mundo.
O efeito se propagou aos mercados de câmbio e juros, com o dólar valorizando contra o euro e a libra esterlina (afetada pela renúncia do primeiro-ministro Keir Starmer - o 10º desde o Brexit). O real segue com pequena valorização depois do almoço, com o dólar cotado a R$ 5,1420 (alta de 0,12% do real). Neste caso, o Boletim Focus, colhido até sexta-feira, 19, ficou preso ao cenário anterior.
O Boletim Focus teve como destaque a nova elevação das projeções da inflação (de 5,30% para 5,33% e 5,36% na mediana dos últimos cinco dias úteis) e da taxa Selic ao fim deste ano (de 13,75% para 14,00%), acumulando a terceira semana consecutiva de aumento nas estimativas. Por sinal, o mercado espera que agosto tenha a última queda da Selic para 14,00% - na semana passada foi reduzida a 14,25%).
Neste contexto, as projeções do Relatório de Política Monetária, dia 25, quinta-feira, com comentários do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do diretor de Política Econômica, Paulo Pichetti, será mais importante que as revelações, amanhã, da ata da última reunião do Copom.
As projeções futuras
Para 2027, por sua vez, as expectativas para a Selic permaneceram estáveis em 12,00%, interrompendo a sequência recente de elevações.
No mercado de câmbio, as projeções para a taxa de câmbio ao fim de 2026 permaneceram estáveis em 5,20. Já as estimativas para 2027 apresentaram nova elevação, passando de 5,25 para 5,27, acumulando a segunda semana consecutiva de alta nas projeções.
No que diz respeito à inflação, as expectativas para o IPCA deste ano continuaram avançando, passando de 5,30% para 5,33%, acumulando a 15ª semana seguida de elevação nas projeções. Para 2027, por sua vez, as estimativas também apresentaram nova alta, passando de 4,10% para 4,15%, completando a quinta semana consecutiva de aumento.
Adicionalmente, o IGP-M de 2026 interrompeu a trajetória de alta observada nas últimas leituras, passando de 6,22% para 6,15%, após 15 semanas consecutivas de elevação nas projeções.
Por fim, as expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto apresentaram nova melhora para 2026, passando de 1,96% para 1,98%, acumulando a quinta semana consecutiva de revisão altista. Já as projeções para 2027 permaneceram estáveis em 1,70%, completando a quarta semana sem alterações.
Adicionalmente, as estimativas para a balança comercial de 2026 permaneceram em US$ 76,20 bilhões, mantendo o patamar observado nas últimas semanas.
Deflação em agosto?
No cenário anterior à baixa do petróleo para a faixa dos US$ 77, o mercado previu IPCA de 0,32% em junho (0,58% em maio), queda para 0,31% em julho e deflação de 0,05% na mediana das projeções dos últimos cinco dias úteis. A mediana era de 0,02%.
A projeção para o IPCA de 2026 subiu de 5,30% para 5,33% (a 15ª semana de alta), e a projeção para 2027 subiu de 4,10% para 4,15% (a 5ª semana de alta). A projeção da 4intelligence é de uma inflação em 2026 de 5,38% (+0,05 p.p. acima do mercado) e de 4,47% para 2027 (+0,32 p.p. acima do mercado).
Analisando as aberturas da projeção do IPCA de 2026, a expectativa para os preços monitorados se manteve em 5,00%, e para os preços livres subiu de 5,40% para 5,44%. Para o ano de 2027, a expectativa dos preços monitorados subiu de 3,81% para 3,85% e a mediana das projeções dos preços livre subiu de 4,21% para 4,26%. A previsão da 4intelligence para os preços administrados em 2026 e 2027, está em 5,28% e 3,28% respectivamente, já para a previsão dos preços livre é de 3,92% e 3,14% na mesma ordem.