O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Incerteza na Selic; Itaú prevê novo corte em agosto

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Publicado em 18/06/2026 às 13:12

Alterado em 18/06/2026 às 17:31

No dia seguinte à decisão do Fed, de manter os juros nos Estados Unidos, e do Comitê de Política Monetária do Banco Central reduzir, pela terceira vez no ano, a Selic em 0,25% para 14,25%, sem se comprometer com o cenário da reunião de 5 de agosto, o mercado ficou com mais incertezas, buscando mais informações na divulgação da Ata, dia 23, e no Relatório de Política Monetária, dia 25.

No mesmo dia, o Conselho Monetário Nacional se reúne para definir a meta de inflação de 2029 e examinar os riscos de o teto da meta (3,00%+tolerância de 1,50%=4,50%) estourar após seis meses da taxa acumulada em 12 meses superar o teto da meta. A taxa atingiu 4,72% em maio e a previsão para dezembro de 2026 está entre 5,2% e 5,4%.

No mercado de câmbio, houve grande agitação global, após a decisão do Fed, com interpretações de que os juros poderão subir. Nos mercados de opções de contratos de moeda, o dólar avançou sobre o euro, o franco suíço, o iene. O Dólar index subia mais de 60%. No Brasil, às 11:35 o dólar era negociado a R$ 5,1530, com alta de 0,81%.

A visão do Itaú

“O Copom entregou o corte esperado (por nós e por parte do mercado) de 25 p.b., levando a taxa Selic a 14,25% a.a. O comunicado deixa o comitê com espaço para dar continuidade ou interromper o ciclo de calibração na próxima reunião. Por ora, esperamos mais um corte modesto na próxima decisão de política monetária, em agosto, levando a taxa Selic para 14,0% a.a., mas teremos mais informações com a divulgação da ata na próxima terça-feira.

O Copom fez referência à sua futura projeção de inflação, quando o horizonte relevante de política monetária será atualizado, como parte do racional para a continuidade do processo. O comitê ajustou a linguagem que descreve o estado da economia e menciona que estímulos adicionais à demanda representam risco altista para a inflação. Ao manter suas opções em aberto, o Copom reflete a intensa incerteza ao redor de suas projeções”.

Bradesco vê pressões altistas

“O Banco Central reduziu a taxa Selic em 25 pontos-base para 14,25%, em linha com o esperado. O comunicado não se compromete com os próximos passos. O Comitê indica que o cenário ficou mais arriscado. A inflação seguiu em elevação e ultrapassou o limite superior do intervalo que contém a meta.

“O balanço de riscos para a inflação foi atualizado, com a adição de novos riscos altistas: o impacto do clima sobre o preço de produtos agrícolas e de energia; e os estímulos à atividade que limitam o efeito da política monetária.

“A projeção de inflação subiu. No cenário em que a Selic encerra 2026 em 13,75% e 2027 em 12,0%, a projeção para o quarto trimestre de 2027 (atual horizonte relevante) passou de 3,5% para 3,7%. Em simulações alternativas, o BC encontra que as trajetórias compatíveis com o cumprimento da meta no horizonte relevante atual (possivelmente com Selic próxima da estabilidade) colocariam as projeções para a inflação abaixo da meta a partir do horizonte relevante da próxima reunião, o primeiro trimestre de 2028. Esse resultado, combinado com certa “graduação, ao menos parcial” diante dos múltiplos e simultâneos choques, permitiu a redução dos juros nesta reunião.

“O comunicado diz que o cenário para a inflação ficou mais arriscado e incerto. Ainda assim, o grau de restrição da política monetária comportou uma flexibilização. Os próximos passos permanecem em aberto. Reavaliaremos a trajetória de juros para o ano no próximo Economic Outlook.

STF X plataformas digitais

Já está próximo o fim do prazo de 60 dias para as “big techs” se adequem às novas diretrizes definidas pelo Supremo Tribunal Federal, que segue padrões semelhantes aos da União Europeia. Para advogada especialista em Direito Digital, Proteção de Dados e Governança Digital, Cândida Terra, presidente da comissão de Proteção de Dados e Privacidade da OAB-RJ, “isso representa um dos movimentos mais relevantes sobre a regulação da internet brasileira, desde a aprovação do Marco Civil (2014). Sinaliza mudança significativa na forma como o Estado brasileiro passa a enxergar a responsabilidade das grandes empresas de tecnologia".

Ela lembra que "durante anos, as plataformas sustentaram a posição de que atuavam só como intermediárias entre usuários e conteúdos publicados na internet": hoje, essas empresas hospedam conteúdos, mas utilizam algoritmos para recomendar, impulsionar e monetizar informações em larga escala, influenciando comportamentos, decisões de consumo e até mesmo o debate público. Ao fixar um prazo para adaptação das plataformas, o STF deixa claro que o ambiente digital não pode permanecer sem mecanismos eficazes de responsabilização diante de conteúdos ilícitos, fraudes, golpes, discursos de ódio, desinformação e outras práticas capazes de causar danos concretos à sociedade, sobretudo a crianças e adolescentes”, diz Cândida Terra.

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