O OUTRO LADO DA MOEDA
Anbima: Selic cai a 14,25%; nova baixa só em dezembro
Publicado em 17/06/2026 às 14:56
Alterado em 17/06/2026 às 16:40
No dia em que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) define a taxa Selic, e que o BC divulgou alta de 0,5% no IBC-Br de abril, puxado pelo avanço das atividades extrativas e estagnação na agropecuária (o trimestre fevereiro-março-abril) acumulou crescimento de 1,2% no IBC-Br, sendo 1,4% na agropecuária e na indústria (0,7% em Serviços), a Anbima, a associação que reúne as principais instituições financeiras e gestores de carteiras, divulgou a previsão de que o Copom fará redução de 0,25% na Selic, para 14,25%, mas fará uma pausa até dezembro, quando viria a última redução do ano para 14,00%.
O Grupo Consultivo Macroeconômico da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) projeta o terceiro corte na Selic este ano. Após a redução de junho, os economistas projetam manutenção da Selic em 14,25% nas reuniões seguintes, com nova queda de 0,25 ponto percentual apenas em dezembro, encerrando o ano em 14%. A projeção dos juros para dezembro de 2026 vem sendo revisada para cima nas últimas reuniões do grupo: era de 12,25% em março, passou para 13% em abril e agora chegou a 14%.
Inflação aumenta para 5,4%
As expectativas para a inflação, medida pelo IPCA, subiram de 4,9% para 5,4%. Fernando Honorato, coordenador do grupo, analisa: "a inflação até estava convergindo para a meta, mas voltou a subir, fruto do choque do conflito do Oriente Médio, que gerou alta nos preços das “commodities” no curto prazo, e dos estímulos fiscais. Com isso, o Banco Central deve adotar uma postura mais cautelosa, sem compromisso com novos cortes nas próximas reuniões, até que o cenário se torne mais claro".
Outras previsões
A taxa de câmbio deve encerrar dezembro em R$ 5,15, abaixo dos R$ 5,30 estimados anteriormente. No cenário externo, a perspectiva de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã já fez reduzir o preço do petróleo, com reflexo nas cotações de “commodities”. Hoje o Brent estava sendo negociado à vista US$ 78,97, mas o contrato do barril para entrega em agosto teve ligeiro ajuste de alta (2%) para US$ 80,50 (com baixa de 13,7% em uma semana e de 25% em 30 dias).
Honorato pondera, no entanto, que o cenário traz sinais mistos. "A valorização do real nos últimos meses ajudou a aliviar a pressão inflacionária, mas a melhora do mercado de trabalho americano coloca em dúvida a continuidade desse movimento. Um eventual acordo de paz no Oriente Médio pode, inclusive, dar impulso à valorização do dólar no cenário global", afirma.
A projeção para o crescimento do PIB brasileiro de 2026 subiu de 1,80% para 2%. Para o segundo trimestre, o grupo estima expansão de 0,50%, de 0,30% no terceiro e de 0,35% no quarto trimestre.
Na análise da política fiscal, os economistas projetam que a dívida bruta do setor público ficará em 83% do PIB ao final de 2026, abaixo dos 83,4% estimados anteriormente. A estimativa para o déficit primário (receitas menos despesas, sem contar os juros da dívida pública) se manteve em 0,50% do PIB.