O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Inflação cai nos EUA; Copom pode pausar Selic

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Publicado em 10/06/2026 às 13:33

Alterado em 10/06/2026 às 13:33

O índice de preços ao consumidor (CPI) desacelerou nos Estados Unidos a 0,47% em maio, depois de 0,64% em abril, e o núcleo recuou de 0,38% para 0,21%. No acumulado em 12 meses, o índice cheio avançou de 3,8% para 4,2%, pressionado por efeito de base em energia, enquanto o núcleo está em 2,9%. A meta de inflação é de 2,0%.

A desaceleração do índice cheio veio de alimentos e do próprio núcleo, não de energia. O segmento de energia seguiu firme, com a gasolina inclusive acelerando — sinal de que a acomodação após o choque do Oriente Médio ainda não se completou. Os alimentos praticamente cederam, com a alimentação no domicílio quase estável no mês.

Para os analistas dos EUA, os sinais ainda são tênues para o Federal Reserve Bank mudar de opinião sobre a necessidade de manter os juros estáveis para controlar a inflação, na reunião do próximo dia17, quando o Comitê de Política Monetária decide se baixa novamente a Selic ou dá uma pausa.

As medidas de tendência central não seguiram o alívio do número cheio. Mediana (0,29%) e média aparada (0,30%) recuaram ante abril, mas seguem incompatíveis com a meta. O supercore (serviços ex-habitação) subiu para 3,7% em 12 meses, e a distribuição dos MoM permanece inclinada à direita. O Bradesco estima o núcleo do PCE em 0,20%, por ora.

Para o banco, “o número oferece um respiro pontual, mas não tira o ônus da prova com relação às pressões inflacionárias da economia americana. A desaceleração do núcleo se apoiou em fatores de baixa persistência — deflação de bens, a queda pontual do seguro de veículos e a reversão do ressalto técnico de abril em habitação (impacto do “shutdown”) —, enquanto o filtro sazonal parece estar ajudando os serviços de forma generosa”.

“Por baixo, os serviços ex-habitação firmaram e as métricas centrais seguem ancoradas perto de 0,3%. Para o Federal Open Market Committee (FOMC), o dado oferece alguma folga na margem, mas não muda a postura cautelosa e em compasso de espera — a desinflação dos serviços ainda precisa aparecer nas medidas de tendência central, não apenas no índice cheio”, conclui o Bradesco.

Consultoria prevê pausa na Selic
Para a Nomad, “com o FOMC já dividido na última reunião, o Fed de Kevin Warsh, que assume o comando na reunião da próxima semana, deve manter o tom de cautela e ter pouco espaço para sinalizar cortes no horizonte próximo”.

Já Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart da XP, considera que “esse cenário de inflação mais elevada, combinado com a resiliência do mercado de trabalho, reforça a expectativa de aumento nos juros nos Estados Unidos. O mercado já precifica mais dois aumentos de juros ao longo de 2026. Vale lembrar que, antes do choque de oferta provocado pela alta das commodities energéticas, predominava a expectativa de estabilidade ou até mesmo de cortes na taxa de juros americana”, repisa.

Em cenário-base divulgado ontem à noite, antes do CPI, a consultoria 4intelligence, “por ora não incorpora elevação de juros nos EUA, essencialmente porque ainda projetamos descompressão, parcial, mas progressiva, do preço do petróleo no segundo semestre”. Mas reconhece que os riscos de um cenário de maior persistência inflacionária global, que tende a deflagrar movimentos de aperto monetário em diversas economias, se mantêm elevados.

A perspectiva de que o FED poderá vir a elevar juros nos EUA, ao fortalecer o dólar nos mercados internacionais de câmbio, tem exercido pressão sobre moedas emergentes, inclusive a nossa. Isso é mais um entre vários outros elementos de incerteza que têm estreitado o espaço para que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de flexibilização monetária iniciado em março.

As pressões e incertezas no Brasil
“Outros elementos incluem: inflação corrente e núcleos acima do intervalo das metas; alta de expectativas de inflação, persistência da inflação de serviços; mercado de trabalho sobreaquecido; reforço de estímulos à demanda; riscos climáticos; e mudanças nas legislações trabalhista e tributária”

“Nessas circunstâncias, a consultoria passou a considerar como preponderante a perspectiva de que o Banco Central vá reconhecer o aumento da incerteza e a assimetria de riscos, indicando que pausará o ciclo de flexibilização até que haja maior clareza sobre seus impactos para o cenário inflacionário.

Nosso cenário base passa a projetar uma pausa no corte da Selic já na reunião do Copom de 17 de junho (e vale advertir que, se nesse dia a opção do Copom for por mais um corte de 25 pontos-base, avaliamos que a pausa virá na reunião seguinte, agendada para 05 de agosto)”.

Neste caso, o ciclo de baixa da Selic (hoje em 14,50%) se encerraria em 14,25% ao ano.

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