O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Selic alta faz poupança murchar

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Publicado em 09/06/2026 às 15:07

Alterado em 09/06/2026 às 15:07

O Banco Central divulgou hoje o Relatório da Poupança de maio. O mês fechou no dia 29 de maio com saldo de R$ 1 trilhão e 14,4 bilhões. Houve um acréscimo de R$ 9 bilhões sobre o saldo de R$ 1 trilhão e 5,6 bilhões de abril. Excluída a incorporação de R$ 6,180 bilhões de rendimento do mês, houve aumento de apenas R$ 2,603 bilhões em depósitos.

Quando se compara ao saldo de maio de 2025 (R$ 1.010,935 bilhões) percebe-se que a poupança está murchando pela falta de atrativos de seus rendimentos. Em maio de 2025, o rendimento foi de R$ 6,086 bilhões (ou seja, em maio de 2026 cresceu menos de R$ 100 milhões). O saldo de maio de 2025 (o que pode se repetir em junho) reflete a folga da antecipação do 13º salário dos aposentados do INSS.

Mas a realidade é que a massa movimentada na poupança há muito perdeu o atrativo para as movimentações diárias dos fundos de DIs (depósitos interfinanceiros lastreados sobretudo em títulos públicos federais). Regulados pela Selic, que está em 14,50% ao ano, rendem mais de 1,10% ao mês. Mas, há ainda uma ordem de grandeza descomunal em relação à poupança.

A cada mês, o saldo da dívida liquida do setor público (R$ 8,752 trilhões em abril) aumenta, com a rolagem dos juros. Segundo o Banco Central, cada um ponto a mais na Selic custa, ao fim de 12 meses, R$ 64 bilhões. Em abril, foram pagos R$ 84,8 bilhões aos bancos e rentistas que aplicam nos papéis da dívida pública. Nos 12 meses terminados em abril os gastos com juros somavam R$ 1.095,5 bilhões. Ou seja, a rolagem da dívida engoliu em um ano (R$ 1.319,8 bilhões) mais do que todo saldo da caderneta de poupança.





O cético alerta do 'FT' sobre a SpaceX

Ao abordar a maior abertura de capital da história (a IPO de US$ 1,78 trilhão da SpaceX, do trilionário Elon Musk, o jornal britânico “Financial Times”, que aborda o “boom” de apostas em projetos de IA, faz uma cética advertência “a IPO da SpaceX pede aos investidores que comprem os projetos ambiciosos de Musk. Os mercados públicos são solicitados a precificar os avanços em IA, Starlink e computação espacial muito antes do lançamento”.

Ou seja, seria arriscado embarcar nessa viagem que drena recursos de projetos com boas perspectivas. A conferir.

Café, açúcar e carnes movimentam o agro

Encerrada a colheita da soja, o café, o açúcar/etanol e as carnes movimentam os negócios e as exportações no agro.

Com o clima favorável (até aqui, sem o impacto do El Niño) e a bienalidade positiva do café arábica sustentam o recorde da safra brasileira 2026/27, que segundo previsões do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), deve chegar a 71,9 milhões de sacas, um crescimento de cerca de 14% sobre a safra anterior. Mas a oferta derruba preços.

A produção de café arábica deve aumentar 9,5 milhões de sacas, com mais de 47 milhões de sacas colhidas. A produção de robusta deve ter ligeiro recuo (-2%), com 24,5 milhões de sacas. Com o bom clima no Vietnã, maior produtor de robusta e o início da colheita em maio, os preços futuros em queda reforçam as apostas de safra volumosa.

A safra de cana 2025/26 no N/NE vai se encerrando com mix voltado ao etanol. Já na entressafra, a moagem de cana-de-açúcar atingiu quase 49 milhões de toneladas, queda de 0,8%. A produção de etanol (a primeira com etanol de milho - 738 mil m³) cresceu 34%, somando 2,5 milhões de m³. A produção de açúcar recuou 15%, somando 2,9 milhões de t.

Nas exportações de carnes, os recordes seguem sendo renovados. Em maio, o volume exportado de carne bovina foi de 290 mil toneladas, +17,3% em relação a maio de 2025. A China foi novamente o destaque, absorvendo 154 mil toneladas (+39%). No frango, o desempenho continuou positivo e as exportações cresceram 14,5%. Em maio foram exportadas 496 mil toneladas (+31%) e o acumulado do ano somou 2,39 milhões de toneladas (+9%). A indústria voltou a operar rotas alternativas ao conflito para a distribuição de carne no Golfo Pérsico, retomando o volume praticamente ao mesmo nível de fevereiro, em 107 mil toneladas. Já no mercado de suínos, os menores volumes importados pela China começam a ser compensados pela crescente demanda japonesa (126 mil toneladas em maio +8,7%).

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