O OUTRO LADO DA MOEDA
Forte criação de empregos ameaça juros nos EUA
Publicado em 05/06/2026 às 15:37
Alterado em 05/06/2026 às 15:46
A forte contratação de trabalhadores em maio nos Estados Unidos (172 mil novos empregos no começo da primavera) acendeu o temor de que, apesar da troca no Federal Reserve, com a posse de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump para baixar os juros, o Fed seja forçado a elevar a taxa em 0,25% para combater as pressões inflacionárias causadas pela guerra no Golfo Pérsico. O resultado foi a alta dos títulos do Tesouro e a queda das bolsas americanas, além da valorização do dólar.
O britânico “Financial Times” foi objetivo: “Investidores aumentam apostas em alta da taxa de juros do Fed após relatório de empregos dos EUA indicar alta expressiva; A maior economia do mundo criou 172 mil empregos em maio, sinalizando que o mercado de trabalho está "dando a volta por cima".
E o americano “Wall Street Journal” traduziu, em artigo de Nick Timiraos, responsável pela cobertura do Federal Reserve e do noticiário sobre política monetária, o efeito prático da força do mercado de trabalho (o Fed tem duplo mandato: controlar a inflação e o equilíbrio do mercado de trabalho; ele visa o pleno emprego, mas não pode deixar que isso redunde em mais pressão inflacionária).
“A retomada das contratações dá munição aos falcões federais”. Ou explicando melhor: “A retomada das contratações nesta primavera dará mais argumentos aos dirigentes do Federal Reserve, que estão preocupados com a inflação e temem que as taxas de juros estejam muito baixas para conter novas pressões inflacionárias”, diz Timiraos, que acrescenta: “Alguns desses membros sugeriram nos últimos dias que o Fed deveria estar preparado para aumentar as taxas de juros ainda este ano, revertendo pelo menos parte dos três cortes de 0,25 ponto percentual realizados no segundo semestre do ano passado. Essas reduções visavam estabilizar um mercado de trabalho que hoje parece muito mais saudável do que naquela época”.
Casa Branca comemora força dos EUA
Já a Casa Branca comemorou o “forte relatório de empregos” do Departamento de Trabalho. Segundo o “WSJ”, o relatório, mais robusto do que o esperado, oferece ao presidente Trump um argumento para as eleições de meio de mandato, embora também reduza as chances de o Federal Reserve cortar as taxas de juros”.
O impacto nas moedas
Num dia em que o mercado de petróleo opera em baixa, com o contrato do tipo Brent para entrega em agosto negociado a US$ 93,50 por volta das 13 horas (horário de Brasília), uma queda de 1,62%, todos os contratos são negociados em baixa até 2032, indicando avanços nas negociações dos Estados Unidos e Irã para facilitar o tráfego de navios petroleiros, gaseiros e de mercadorias pelo Golfo Pérsico, a força da economia americana e as perspectivas de alta de juros valorizaram o dólar ante as principais moedas.
O euro teve queda de 0,66% no dia e de 1,84% em 30 dias. O real seguiu a onda, com o dólar subindo 1,60% nesta sexta-feira, para R$ 5,1440, acumulando alta de 4,48% em 30 dias. O dólar subia 0,19% contra o iene japonês, acumulando alta de 2,47% em 30 dias. O dólar australiano caía 1,15% nesta sexta-feira e 2,47% em um mês. Curiosamente, o yuane chinês valorizou no período. O dólar caia hoje 0,12% e acumulava baixa de 0,67% em 30 dias.
A dança do câmbio (%)
Moeda Diário 30 dias
Euro/dólar -0,68 -1,84
Libra/dólar -0,51 -1,71
Dólar/iene 0,19 2,47
Dólar/
franco suíço 0,81 2,14
Austrália/
dólar -1,15 -2,47
Dólar/Canadá 0,17 2,20
Dólar/
peso mexicano 1,35 2,45
Dólar/real 1,56 4,48
Dólar/
peso argentino 0,40 4,00
Dólar/
yuan chinês -0,12 -0,67