O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

IPCA-15 de 0,62% dentro do esperado

Publicado em 27/05/2026 às 15:00

Alterado em 28/05/2026 às 14:33

Não foi surpresa para o mercado, sobretudo para o Bradesco, que cravara semana passada a previsão de alta de 0,62% para o IPCA-15, a prévia do índice de inflação de maio, que o IBGE vai divulgar em 12 de junho. A alta de 1,38% em Alimentos e Bebidas (que representou 0,30 ponto percentual no IPCA-15) foi puxada pela alta de 1,98% em carnes. Também pesou o aumento de 1,03% em Habitação, devido ao salto de 2,16% em energia elétrica residencial pela adoção da bandeira amarela este mês, o que gerou o maior impacto no IPCA-15 (0,09 p.p.).

Outro grande impacto de alta foi no item Saúde e cuidados pessoais (1,05%) devido ao reajuste autorizado de até 3,81% em medicamentos, a partir de 1º de abril. Produtos de higiene pessoal subiram 1,60% e produtos farmacêuticos +1,25%, enquanto os planos de saúde tiveram alta de 0,50% (o reajuste anual diluído em 12 meses).

Do lado das baixas, o item Transporte teve queda de 0,33%, com destaque para a redução de 1,47% nos preços dos combustíveis, após alta de 6,06% no IPCA-15 de abril (a gasolina caiu 1,32%, o etanol -2,73% e o óleo diesel -2,04%). A baixa em combustíveis compensou a alta de 3,25% em passagens aéreas, após cair 14,32% em abril.

Bradesco aponta boas e más surpresas

Ao analisar o resultado, o Bradesco disse que alimentação no domicílio (+1,77%) veio mais forte do que o esperado, sobretudo nos alimentos “in natura”, enquanto bens industriais e serviços ficaram abaixo da nossa projeção. Em 12 meses, a inflação acumulada acelerou de 4,4% para 4,6%.

Mas destaca que “os impactos iniciais do conflito no Oriente Médio sobre combustíveis estão se dissipando. O preço da gasolina já começou a cair (-1,32%), mas ainda segue em patamar acima de fevereiro. Com o preço do petróleo ainda em patamar elevado, esperamos continuidade da redução da gasolina, mas não uma reversão total no curto prazo”.

O banco chama a atenção para o fato de que “os preços de serviços aceleraram de 0,03% em abril para 0,48% em maio, com aceleração de passagens aéreas (3,25%). Os serviços excluindo passagens aéreas mostraram aceleração na variação trimestral anualizada, de 5,48% para 5,55%. O Bradesco espera que esta categoria siga acima de 5% ao longo do ano. Os serviços voltaram a acelerar no acumulado em 12 meses, passando de 5,80% para 6,15%.

Já os bens industriais surpreenderam para baixo (+0,31%, ante expectativa de 0,56%), de forma disseminada no grupo. Em especial, bens duráveis ficaram praticamente estáveis enquanto duráveis e não duráveis desaceleraram para 0,20% e 0,76%, nesta ordem. A menor pressão dos bens industriais se refletiu nos núcleos. A métrica de médias aparadas por suavização avançou 0,47% (ante 0,48% em abril), elevando a média em 12 meses de 4,3% para 4,4% em maio.

Para o Bradesco, a composição mostrou bens industriais menos pressionados de forma generalizada, se traduzindo em núcleos com números próximos aos de abril. Por outro lado, alimentação no domicílio e serviços vieram mais elevados do que o esperado. Daqui para frente, a inflação acumulada em 12 meses deve ficar rodando acima da meta [3,00%+1,50% de tolerância=4,50%] até o final do ano.

BC deve puxar o freio da Selic

A conclusão da consultoria 4intelligence, antes da divulgação do IPCA, é que que o Banco Central, seguindo o Federal Reserve, que pode elevar os juros americanos em 0,25% - da atual faixa de 3,50%-3,755 para 3,75%-4,00% -, deve moderar o processo de baixa da Selic, atualmente em 14,50% ao ano, para apenas 13,50% em novembro, encerrando o ano neste patamar. Antes da guerra, a aposta era de 12,50%.

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