O OUTRO LADO DA MOEDA
Barata voa na Faria Lima
Publicado em 28/05/2026 às 14:25
Alterado em 28/05/2026 às 14:25
A “Operação Fluxo Oculto”, da Polícia Federal, Ministério Público de São Paulo e Receita Federal, desencadeada na manhã desta quinta-feira em endereços da Faria Lima, como desdobramento da “Operação Carbono Oculto”, do ano passado, que mirou os fundos de pouca transparência da Reag, liquidada na esteira do escândalo do Banco Master, deixou algumas “fintechs” preocupadas justamente porque se especializaram em operações de lavagem de dinheiro.
O ministro da Fazenda, Dario Duringan, em entrevista ao “Valor Econômico” prometeu cerco implacável às instituições que facilitam lavagem de dinheiro e evasão fiscal e de divisas para o crime organizado e sonegadores contumazes. O ministro estimou os delitos em R$ 26 bilhões.
O efeito foi uma derrubada geral nas cotações das criptomoedas (já em baixa no mundo) e nova queda do dólar, negociado a R$ 5,0407 às 12:30, com queda de 0,35%. No mesmo período o euro subiu 0,23% contra o dólar, que perdia 0,18% contra o iene. O petróleo tipo Brent para entrega em agosto era cotado a US$ 92,89, com alta de 0,62% e valorização em todos os vencimentos até junho de 2027.
Mercado de trabalho continua forte
O IBGE divulgou nesta quinta-feira os dados do mercado de trabalho no trimestre (fevereiro-março-abril), com taxa de desocupação de 5,8%, com ligeira queda frente aos 6,1% do trimestre encerrado em março e aumento frente aos 5,4% do trimestre novembro-dezembro-janeiro. Os números mostraram estabilidade na força de trabalho (108,7 milhões de pessoas), com variação anual de 2,2% na população com carteira assinada e queda de 0,9% nos empregos informais.
Ao analisar os dados com ajuste sazonal, a consultoria 4intelligence considerou que “a taxa de desocupação subiu ligeiramente (+0,05 p.p.) na passagem do trimestre findo em março de 2026 para o trimestre findo em abril de 2026, situando-se em 5,4%, resultado advindo de estabilidades da população ocupada (-0,02 p.p.) e da força de trabalho (+0,03 p.p.).
O Bradesco destacou que “a queda do desemprego não refletiu crescimento da população ocupada, que permaneceu estável em 103 milhões de pessoas (dessazonalizado), mas sim a queda da taxa de participação, que recuou para 62,1% — abaixo da média histórica de 62,3%”. Na abertura por categoria, os ganhos em empregos com carteira assinada e por conta própria (de 62,7% contra 62,6%) mais do que compensaram as perdas no trabalho sem carteira e doméstico.
O rendimento real apresentou leve desaceleração, com alta de 5,4% interanual ante 5,5% no mês anterior. A massa salarial registrou um pequeno aumento no mês, com a população ocupada contribuindo para um menor ganho na margem.
A avaliação é de que “o mercado de trabalho segue sendo um motor importante para a atividade econômica. A dinâmica da população ocupada indica que o consumo pode avançar num ritmo menos acelerado do que o esperado para o primeiro trimestre. Os estímulos creditícios são um contraponto ao enfraquecimento da população ocupada. Somando esses dois vetores. ainda esperamos que o crescimento do PIB desacelere a partir do segundo trimestre”
PIB do 1º trimestre entre 0,9% e 1,2%.
Por sinal, o IBGE divulga amanhã a variação trimestral do PIB do primeiro trimestre, período em que o setor agropecuário, impulsionado pela safra de soja, lidera o crescimento. As projeções variam entre 0,9% (Bradesco) e 1,2% (Itaú). O Banco do Brasil, o Santander e a consultoria 4intelligence esperam 1,0% e a XP Investimentos 1,1%, assim como o JP Morgan e a Genial Investimentos.
Nos EUA, revisão derruba PIB
Há um mês o presidente Trump comemorava o avanço de 2% (em termos anualizados) na taxa de crescimento do PIB no primeiro trimestre, dizendo que o resultado confirmava o acerto da política de estímulos à produção doméstica, que tinha como um dos alicerces o tarifaço sobre as importações.
O tarifaço caiu bastante, por decisão da Supremo Corte, pois não fora autorizado pelo Congresso. Hoje, o Departamento de Comércio divulgou os dados revisados e o crescimento foi bem menor: 1,6%.
Para piorar, os dados sobre a inflação acumulada em 12 meses pelo índice de Preços ao Consumidor (IPC) de abril mostraram forte aceleração, com 3,8%, contra 3,3% em março. Esta é a maior taxa desde maio de 2023. Os números superaram as previsões de 3,7%, já que o choque do petróleo desencadeado pela guerra com o Irã continua a elevar os preços. Mas a variação mensal (0,6%) foi menor que os 0,9% de março.
Os custos de energia saltaram 17,9%, o maior aumento anual desde setembro de 2022, em comparação com 12,5% em março, principalmente devido à gasolina (28,4% vs 18,9%) e ao óleo combustível (54,3%). A inflação também acelerou para habitação (3,3% vs 3%) e alimentos (2,3% vs 2,7%).
O resultado impõe dificuldades para o Federal Reserve Bank, comandado por Kevin Warsh, reduzir juros na reunião de 17 de junho, mesmo dia da reunião do Copom.