O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Mercados caem com juros mais altos nos EUA

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Publicado em 19/05/2026 às 16:21

Alterado em 19/05/2026 às 16:21

Kevin Warsh foi aprovado pelo Congresso para substituir Jerome Powell na presidência do Fed, com uma agenda política dupla para o banco central: redução das taxas de juros e um balanço patrimonial menor. Mas as condições econômicas, com a inflação em alta devido à guerra no Golfo Pérsico, dificultarão a concretização de qualquer um desses objetivos. Por isso, o dólar teve alta hoje contra as principais moedas e as bolsas e até o Brent caíram (US$ 110,71 -1,24%), com cenário de desaceleração global, até da China.

O preocupante aumento da inflação nos últimos dois meses deixou os membros do Fed sem disposição para implementar os cortes de juros exigidos pelo presidente Trump. O mercado de trabalho tem mostrado sinais de estabilização, o que enfraquece ainda mais os argumentos a favor de uma flexibilização monetária.

As projeções, segundo o “Wall Street Journal” são de que o piso dos juros nos Estados Unidos permanecerá até dezembro em 3,75%, contra a expectativa de que baixaria a 3,50%. Isso fortaleceu o dólar que subiu 0,50% frente ao euro, 0,24% contra o iene, 0,59% em relação ao franco suíço e 0,11% ante o yuane. No dia, o dólar sobe 0,92% contra o real, cotado a R$ 5,0432 às 11:50 (horário de Brasília).

Pressões políticas agitam o mercado
É simplista, portanto, debitar muito peso na escalada do dólar nos últimos dias ao derretimento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República, após suas dificuldades de explicar o que antes negava: o envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O preferido da Faria Lima para enfrentar Lula era o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Mas o clã Bolsonaro, que busca anistia para os crimes contra o Estado Democrático de Direito do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão, e seus seguidores na tentativa de golpe, não confiava em ninguém que não fosse do próprio sangue e o pai indicou o filho 01, em dezembro. Flávio Bolsonaro se apresentou como “o Bolsonaro que tomou vacina”, procurando vender uma imagem “light“, e, garantia que não tinha relações com Vorcaro, um banqueiro mal-visto na Faria Lima.

O mercado acabou assimilando o senador quando Tarcísio de Freitas, sem receber o aval do ex-presidente, decidiu tentar a reeleição ao governo paulista, adiando o sonho presidencial para 2030. E não se afastou do cargo, o que impossibilita sua entrada em campo como plano B. A pesquisa DataFolha divulgada sábado e colhida até quinta-feira, 14 de maio, captou pouco a repercussão dos áudios vazados pelo site “Intercept Brasil”, e manteve o empate técnico entre Lula e Flávio no segundo turno.

Mas a pesquisa Atlas/Intel/Bloomberg divulgada hoje e encerrada no fim de semana, já captando mais reações às contradições do senador desidratou sua candidatura. Em abril, ele tinha leve vantagem no segundo turno 47,8%, contra 47,5% de Lula; agora, Lula tinha 48,9% e Flávio 41,8%.

Maior queda ainda houve na pesquisa espontânea para o primeiro turno. Em abril, Lula tinha 46,6% contra 39,7% de Flávio. Agora, Lula subiu ligeiramente para 47% e Flávio caiu para 34,3%, perdendo 6,9 pontos. Ou seja, embora ainda muito longe das eleições em 4 de outubro, aumentaram as chances de Lula se reeleger no primeiro turno. Outro fato digno de atenção é a escalada do candidato Renan Santos (Missão). O músico e um dos fundadores do Movimento Brasil Livre, aparece em terceiro lugar nas pesquisas do primeiro turno, com 6,9%, à frente do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que registrou 5,2%. É um indício de que a população está cansada dos políticos tradicionais. A conferir nas próximas pesquisas.

Risco de El Niño forte aumenta para 67%
O Bradesco analisou o boletim NOAA, que apontou 67% de chance de um El Niño forte ou muito forte, com aquecimento acima de 2ºC das águas do Pacífico, o que eleva os riscos para mudanças no padrão climático, com impactos nas safras agrícolas de 2026/27. Os últimos episódios de forte intensidade mostram riscos para açúcar no Sudeste Asiático, para a qualidade do trigo no Brasil, para produção de milho na 2ª safra e perda de produtividade de soja no MATOPIBA (que responde por cerca de 10% da safra).

Mas EUA e Argentina tendem a ter safras de milho e soja maiores, segundo as estimativas do USDA para a próxima safra. O mercado mais apertado é o de milho, com a queda da produção global sendo puxada por EUA e Argentina. Já o balanço de soja está mais equilibrado: a maior parte do aumento do consumo global está sendo atendido pela alta da produção nos grandes produtores. No trigo, a queda da produção nos EUA foi maior que a esperada.

A Índia proibiu as exportações de açúcar, visando a proteção do mercado doméstico. A medida é válida até 30 de setembro. No mercado, estima-se que 1,6 milhão de toneladas foram exportadas na safra 2025/26.

A União Europeia decidiu barrar as importações de carne e animais vivos do Brasil. O país foi retirado da lista que atende às normas sanitárias, com a possível entrada em vigor em setembro de 2026. Em 2025, a UE representou apenas 2,5% das exportações de bovinos no Brasil.

A boa notícia é que o preço da ureia segue caindo pela 3ª semana seguida no Brasil. Depois do pico de US$ 805/t) na semana do dia 20 de abril houve três quedas consecutivas – sendo de 7% na última semana, chegando a US$ 670/t.

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