O OUTRO LADO DA MOEDA
Mercado eleva Selic para 2026 e 2027
Publicado em 18/05/2026 às 13:10
Alterado em 18/05/2026 às 13:15
Em meio ao impasse sobre a liberação do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz, após o encontro dos presidentes Trump e Xi Jinping, em Pequim, na semana passada, o preço do Brent para entrega em julho caiu ligeiramente nesta segunda-feira, sendo negociado a US$ 109 (-0,12%) às 11:20 (horário de Brasília) e a baixa se estende a todos os vencimentos até junho de 2027.
Nos mercados de câmbio o dólar opera em baixa diante das principais moedas (euro, libra, franco suíço, dólar australiano e dólar canadense). Apenas há leve valorização frente ao iene japonês. Em relação às moedas de países emergentes, o dólar caía 0,19% ante o peso mexicano e tinha uma queda forte de 0,90% diante do real, cotado a R$ 5,0107.
Mas a pesquisa Focus, divulgada hoje pelo Banco Central, com respostas colhidas junto a 154 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa até a última sexta-feira, 15 de maio, tinha visão bem mais pessimista sobre a trajetória da inflação este ano e em 2027, com reflexos altistas na taxa Selic até 2028.
Embora o mercado tenha elevado a previsão do IPCA de maio de 0,40% para 0,41% (e 0,44% na mediana dos últimos cinco dias úteis), e as projeções caiam para 0,30% em junho e 0,25% em julho, com expectativa de nova redução de 0,25% na Selic na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, em 17 de junho, para 14,25%, o cenário piorou para a inflação e a Selic nos próximos 24 meses.
Para 2026 o IPCA subiu de 4,91% para 4,92% e chegou a 5,04% na mediana das respostas dos últimos cinco dias úteis, influenciadas pela falta de acordo entre Trump e Xi. Em função disso, o mercado trata como certo o novo patamar de 13,25% para o pouso da Selic em dezembro deste ano, já que a inflação está acima do teto da meta (3,00%+tolerância de 1,50%=4,50%).
Entretanto, com a subida do IPCA de 2027 para 4,00%, o mercado está reajustando as projeções da Selic para dezembro do próximo ano para 11,25%, com a mediana das 152 das respostas dos últimos cinco dias úteis sendo elevada para 11,50%.
Preços monitorados
Ao analisar as projeções sobre os preços monitorados, entre os quais se incluem os combustíveis e a energia elétrica residencial (que pode ter bandeira vermelha em junho), a consultoria 4intelligence observa que “a expectativa para os preços monitorados caiu de 5,01% para 4,93%, mas, para os preços livres subiu de4,88% para 4,92%”.
“Para o ano de 2027, a expectativa dos preços monitorados se manteve em 3,80% e a mediana das projeções dos preços livre se manteve em 4,07%. A previsão da 4intelligence para os preços administrados em 2026 e 2027, está em 5,28% e 4,73% respectivamente, já para a previsão dos preços livre é de 3,92% e 5,11% na mesma ordem”.
O PIB do mercado e o IBC-Br
O Banco Central divulgou nesta segunda-feira o resultado do IBC-Br de março, que funciona como uma espécie de prévia do PIB (calculado pelo IBGE e que deve divulgar o resultado do primeiro trimestre em 29 de maio). O IBC-Br projeta os resultados em cima das pesquisas mensais do IBGE sobre a agropecuária, a indústria e o segmento de serviços (computando basicamente o desempenho do comércio e da Pesquisa Mensal de Serviços), ou seja, um universo menor que o PIB de serviços do IBGE.
PIB do BC sobe 1,3% no trimestre
O IBC-Br de março teve queda mensal de 0,7% (-0,2% na agropecuária, de -0,2% na indústria e queda de 0,8% em serviços). No primeiro trimestre, o IBC-Br acusou crescimento de 1,3%, puxado pela alta de 1,6% na agropecuária, avanço de 0,7% na indústria e expansão de 1,3% em serviços. A média do mercado espera alta de 1% no PIB do primeiro trimestre.
A mediana das expectativas para o crescimento do PIB de 2026 permaneceu em 1,85% e para o PIB de 2027 subiu de 1,76%para 1,77%. A projeção da 4intelligence para o Produto Interno Bruto é de +2,00% em 2026 (+0,15 p.p. acima do mercado) e de +1,62% em 2027 (-0,15 p.p. abaixo do mercado).