O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Semana de expectativas no Brasil e no mundo

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Publicado em 11/05/2026 às 19:12

Alterado em 11/05/2026 às 20:23

Com a divulgação, esta segunda-feira, da Pesquisa Focus do Banco Central, colhida sexta-feira, 8 de maio, junto a 159 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa, a semana começa cheia de expectativas com a divulgação, após o fechamento dos mercados, do balanço trimestral da Petrobras e à véspera da divulgação do IPCA de abril pelo IBGE, quando também sairá o IPC dos Estados Unidos.

Como pano de fundo, em meio à trégua do conflito do Golfo Pérsico, que teve nova rejeição, pelo Irã, da proposta de cessar fogo dos Estados Unidos, que provocou nova alta de 2,61% na cotação do contrato futuro do petróleo tipo Brent para entrega em julho (US$ 103,85), os mercados de todo o mundo aguardam o encontro entre os presidentes Trump e Xi Jinping, em Pequim nesta quarta-feira. Há muitas questões comerciais em suspenso. Os agentes econômicos esperam que o encontro abra caminho à paz no Oriente Médio, grande fonte de abastecimento de energia da China.

É curioso que Trump chegue à reunião, adiada desde o ano passado, quando ainda vigoravam as pesadas tarifas contra a China, com o dólar em baixa e o yuane, a moeda chinesa em alta de 0,11% no dia, de 0,44% na semana e em 30 dias e de 4,72% em seis meses. O câmbio desvalorizado está fazendo parte do serviço que se imaginava pelas tarifas (tornando mais atrativos os produtos americanos e mais caros os importados – o que gera mais inflação).

IPCA de abril em 0,69%?

A Focus prevê alta de 0,69% a 0,68% para a inflação de abril, menor que os 0,88% de março, e elevou a projeção do IPCA deste ano de 4,89% para 4,91% (4,95% na mediana dos últimos cinco dias úteis). Como está muito acima do teto da meta de inflação (3,00%+1,50%=4,50%) e as projeções até 2027 seguem acima da meta (4,00% e 3,90% nos últimos cinco dias úteis), a projeção da Selic foi mantida em 13,00% para dezembro, mas a mediana dos últimos cinco dias úteis já elevou a taxa para 13,25%, nível seguido pelo Banco Daycoval. Mesmo nível previsto pelo Itaú, que deve apresentar seu novo cenário nos próximos dias.

O IPC americano será seguido pela divulgação, quarta-feira, do índice de preços ao produtor. Com o “shutdown” em meados do ano passado, a precisão das estatísticas comparativas está gerando erros, e o mercado espera o PCE, o indicador mais usado pelo Federal Reserve, para fazer suas projeções.

Dólar no menor valor desde novembro de 2023

Em relação ao real, que apresenta nova jornada de valorização (0,09%) frente à moeda americana, cotada a R$ 4,8907 às 11:53 (horário de Brasília), trata-se da menor cotação desde novembro de 2023.

A alta do petróleo está levando a revisões, para cima, na balança comercial deste ano. O Itaú está prevendo US$ 80 bilhões, acima dos US$ 75 bilhões de mediana da Focus, que reduziu o saldo para US$ 70,85 bilhões na mediana dos últimos cinco dias úteis. O cenário ficará mais claro com o que for decidido entre Trump e Xi Jinping.

A expectativa sobre Petrobras

No meio do turbilhão para tentar equilibrar que a alta dos preços internacionais do petróleo e dos combustíveis contamine a inflação (no ano eleitoral, os EUA cogitam de tirar o imposto da gasolina; no Brasil, que já teve isenções de impostos no diesel, ainda falta definição sobre a gasolina, o item de maior peso entre os 377 pesquisados pelo IBGE), a Petrobras divulga nesta noite, após o fechamento dos mercados no Brasil e Nova Iorque), os resultados financeiros do primeiro trimestre. Ou seja, com o impacto de um mês de guerra. Por volta do meio-dia Petrobras PN subia 0,46%.

As atenções se voltam para o que indicarão os diretores na apresentação dos resultados amanhã para os analistas. A Petrobras está se beneficiando para alta do petróleo exportado e pela baixa do dólar, que reduz se endividamento e ajuda a suportar a manter os preços dos combustíveis abaixo dos preços internacionais, já que extrai mais de 70% do petróleo do pré-sal abaixo de US$ 22 por barril.

Os analistas estão estimando um EBITDA (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) entre US$ 11,5 bilhões e US$ 13,5 bilhões. O EBITDA costuma ser superior ao lucro líquido, que contabiliza todas as despesas, incluindo impostos, juros, depreciação e amortização. A Shell lucrou pouco menos de US$ 7 bilhões no trimestre.

Ou seja, exprime a rentabilidade, enquanto o EBITDA oferece radiografia das operações diárias e do fluxo de caixa de uma empresa. E como o lucro distribuído em dividendos pode chegar a 65% do fluxo de caixa da companhia, ele é importante. Por sinal, o mercado espera dividendos entre US$ 2,2 bilhões e US$ 2,4 bilhões.

O BTG chegou lá

Com a divulgação dos resultados do Banco do Brasil na quarta-feira, após o fechamento do mercado e depois do resultado do BTG-Pactual apresentado na manhã de hoje, já será possível uma radiografia do sistema financeiro antes do Desenrola (falta apenas a CEF entre os grandes).

O Pactual, quando foi recomprado por André Esteves ao UBS, em 2009, após a crise do subprime dos EUA, que afetou o banco suíço e a economia mundial, foi rebatizado de BTG (bether than Goldman Sachs), está cumprindo a promessa de ser melhor que o banco de investimento americano.

Seu lucro líquido de R$ 4,808 bilhões o distancia mais de R$ 1 bilhão dos R$ 3,788 bilhões do Santander Brasil. E fica R$ 2 bilhões abaixo dos R$ 6,811 bilhões do Bradesco. O Itaú segue na ponta, com R$ 11,623 bilhões de ganhos no país.

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