O OUTRO LADO DA MOEDA
Brent e dólar no dia do grande encontro
Publicado em 07/05/2026 às 13:40
Alterado em 07/05/2026 às 16:33
No dia do grande e esperado encontro entre os presidentes Trump e Lula na Casa Branca o Brent teve nova queda, de 3,9%, cotado a US$ 97,90, pelo aumento das expectativas de acordo entre Estados Unidos e Irã, mas o dólar cai diante de quase todas as moedas (euro, libra, iene, franco suíço, dólar australiano e canadense e yuane chinês).
O real, depois da intervenção da véspera do Banco Central no mercado futuro, segue operando com leve alta (0,07%), cotado a R$ 4,9159. Mas o mercado de ações reage mal, com queda de 1,76% no Ibovespa, devido às baixas de ações com grande peso no índice da B3. Petrobras ON cai mais de 4,2% e os papéis PN desvalorizam 3,8%.
Outra grande baixa foi Bradesco PN (-2,80%, mais do que a de 1,08% de ItaúUnibanco PN. Os investidores receberam pior os resultados do banco da Cidade de Deus do que os do Itaú, ambos com perdas consideráveis em provisão para devedores duvidosos (atrasos acima de 90 dias). Por isso, há expectativas de quanto o programa Desenrola, de renegociação de dívidas, vai melhorar os balanços.
Indústria avançou 1,4% no 1º trimestre
A produção industrial subiu 0,1% em março em relação a fevereiro, descontados os efeitos sazonais. O avanço ficou ligeiramente acima da projeção do mercado (- 0,1%). Na comparação com março de 2025, houve crescimento de 4,3%. Com o resultado de março – caracterizando a terceira expansão consecutiva – o primeiro trimestre encerrou com expansão de 1,4% comparado ao final do ano passado.
Houve avanço em todas as categorias de uso na comparação mensal. Uma boa surpresa foi o avanço de 0,6% na produção de bens de capital, o terceiro ganho consecutivo. Mas o segmento se encontra 2,8% abaixo do pico de outubro de 2025. Assim, houve queda de 1,1% da produção de bens de capital no primeiro trimestre, após retração de 2,3% nos últimos três meses de 2025.
Outro destaque positivo foi o avanço de 1,7% da produção de bens duráveis; enquanto bens de consumo semi e não-duráveis avançaram 0,4%. Por fim, a produção de bens intermediários subiu 0,5% no mês. Os insumos típicos da construção civil aceleraram em março, com alta de 3,7%. Assim como nos bens de capital, o resultado do primeiro trimestre foi negativo (-0,5%).
Para o Bradesco, “o desempenho da indústria no primeiro trimestre reforça a expectativa de um PIB mais forte neste começo de ano. Apesar da surpresa ser pequena, a abertura mostrou expansão de bens de capital e insumos típicos da construção civil, indicando melhor desempenho dos investimentos. Assim, projetamos crescimento real próximo de 1% com relação ao quarto trimestre do ano passado, após a economia ter permanecido praticamente estagnada no segundo semestre de 2025. Para o ano como um todo, projetamos expansão do PIB de 1,6%, com investimentos ainda enfraquecidos”.
Já o Itaú considera que “após um desempenho mais fraco no último trimestre de 2025, o setor industrial começou o ano com desempenho mais forte, sugerindo alguma normalização no curto prazo. Olhando à frente, esperamos que a indústria de transformação fique praticamente estável ao longo do ano, enquanto o setor extrativo deve registrar mais um desempenho positivo em 2026”.