O OUTRO LADO DA MOEDA
Copom com muitos sinais altistas
Publicado em 29/04/2026 às 14:29
Alterado em 29/04/2026 às 14:29
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decide hoje a nova redução da taxa Selic (o mercado prevendo nova baixa de 0,25%) com sinais altistas no horizonte inflacionário. O contrato do petróleo Brent para entrega em julho subiu mais de 5%, negociado a US$ 109,50 por barril. Por isso, o mercado aguarda a avaliação do Federal Reserve às 15 hs (a última sob a presidência de Jerome Powell, cujo mandato termina em 15 de maio) para avaliar a tendência futura, a ser anunciada pelo Copom.
A consultoria 4intelligence viu sinais positivos no IPCA-15, divulgado ontem, e reviu de 0,75% para 0,65% a previsão de alta do IPCA cheio, devido à baixa nas passagens aéreas (que estima em 14,32%) e aumentos menores que os esperados para combustíveis. Mas a alta de 2,73% no IGP-M de março trouxe sinais de alertas em alimentos e preços no atacado que devem ser examinados com cautela pelo Copom.
Apertem os cintos para a inflação
Os dados da inflação futura projetam aumento da taxa no horizonte do 2º trimestre de 2027, o que deve levar o Copom a reafirmar o compromisso com o rigor monetário. A consultoria reviu a projeção do IPCA do ano, de 4,9% para 5,0% e avalia que o Banco Central reconhecerá que o ambiente de elevada incerteza exige cautela e serenidade na determinação do ritmo e duração do ciclo de calibração de juros. Assim, o Copom evitaria apontar uma assimetria altista do balanço de riscos para a inflação; e tampouco deverá comprometer-se com qualquer trajetória explícita para a Selic. Mas a consultoria continua a projetar redução da taxa básica de juro à razão de 25 pontos-base por reunião do Copom até chegar a 13,5% ao ano, em novembro. O Itaú previu 13,25% e o Bradesco ainda estima em 12,50%.
Um dado que a 4intelligence destacou é que a metodologia do IBGE colhe os preços das passagens aéreas compradas com dois meses de antecedência, ou seja, o importante reajuste anunciado pela Petrobras em abril para o querosene de aviação (em torno de 55%) - em que pese o fato de a empresa estar cobrando parcialmente e parceladamente pelo combustível - poderá aparecer mais claramente no IPCA a partir de junho e julho.
Brasil volta a ter o 2º lucro no Santander
O Banco Santander registrou lucro operacional recorde de 3,560 bilhões de euros no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 12%. O lucro total do banco controlado por Ana Botin, que atingiu 176 milhões de clientes, alcançou 5,5 bilhões de euros, um aumento de 60%, devido ao ganho de capital líquido de 1,9 bilhão de euros com a venda do Santander Bank Polska (Polônia) em janeiro.
O Santander Brasil, que lucrou R$ 3,788 bilhões no primeiro semestre, apesar da queda de 7,3% frente ao quarto trimestre e de -1,9% em relação ao mesmo período de 2025, graças à valorização do real frente ao dólar e ao euro, teve o segundo desempenho no grupo Santander, com lucro líquido de 542 milhões de euros (15,22% do total) e a segunda maior rede de agências. A matriz espanhola, que concentra o maior volume de negócios e de agências, lucrou 1,286 milhões de euros (36,12%) do total.
O desempenho brasileiro pode ser explicado pelas altas taxas de juros e margens operacionais das tarifas, incluindo os fundos mútuos, que resultam em alto lucro final, apesar do menor volume de empréstimos e depósitos. Por sinal, depois de conquistar 1 milhão de clientes digitais no México, em 2025, esse será um dos focos no Brasil este ano.

Inadimplência e provisões
Na Espanha, o Santander, ao analisar o desempenho da filial brasileira, destacou a “contribuição positiva dos clientes Select, compensada por resultados inferiores do mercado de massa e pela sensibilidade negativa do balanço patrimonial ao aumento das taxas de juros”.
“Os custos totais aumentaram 1%, mas caíram 4% em termos reais. As provisões líquidas para perdas com empréstimos diminuíram 3% em euros, refletindo nossa gestão prudente de riscos e a mudança na composição da carteira”.
Mas, na comparação com o 4º trimestre de 2025, a matriz reconhece que o lucro antes dos impostos “foi fortemente impactado pela sazonalidade usual no início do ano e por maiores provisões (R$ 6,344 bilhões+ 3,9%), dado o cenário de altas taxas de juros”.
A inadimplência (atrasos em mais de 90 dias) para pessoas físicas chegou a 4,9% em março, contra 4,6% em dezembro e 4,3% em março do ano passado. Para as empresas, a variação foi, respectivamente, de 1,8%, 1,6% e 1,3%, resultando índices totais de inadimplência de 3,3%, 3,1% e 2,8%.