O OUTRO LADO DA MOEDA
Antes da guerra, economia ia bem
Publicado em 16/04/2026 às 13:35
Alterado em 16/04/2026 às 14:03
.
O dado do IBC-Br do Banco Central em fevereiro, com crescimento de 0,6% sobre janeiro, mostra que a economia brasileira ia bem antes da guerra entre Israel-Estados Unidos contra o Irã, em fim de fevereiro, virar a biruta da economia mundial de cabeça para baixo e afetar o PIB brasileiro.
O barril de petróleo do tipo Brent para entrega no primeiro vencimento futuro (era maio, agora é junho) saltou da faixa de US$ 70 para US$ 118 e hoje, às 12:30 (horário de Brasília), era negociado a US$ 98,30, alta de 3,57%. O impasse nas negociações sobre a reabertura do Estreito de Ormuz fortaleceu ligeiramente o dólar ante o real, cotado a R$ 5,0060, alta de 0,26%.
Entretanto, em economia na era Trump, olhar o retrovisor não garante nada. O IBC-Br (que funciona como a prévia do PIB do Banco Central) cresceu 0,6% em fevereiro na série com ajuste sazonal, com variações de 0,2% na agropecuária, 1,2% na indústria e 0,3% em serviços. O IBC-Br excluindo a agropecuária avançou 0,6% no mês.
No trimestre encerrado em fevereiro de 2026 ante o trimestre terminado em novembro de 2025, o IBC-Br apresentou alta de 1,1%. Nos últimos 12 meses, o indicador avançou 1,9%, que é a previsão do FMI para a economia brasileira em 2026. O IBGE vai antecipar a divulgação do PIB do primeiro trimestre para 29 de abril, devido ao feriado de 1º de maio.
Itaú vê a maior disrupção no mercado do petróleo
O Itaú publicou nesta quinta-feira a pesquisa “Orange Book” com uma sondagem entre diversos setores da economia que fazem parte da sua clientela para medir o impacto da “maior disrupção já registrada no mercado global de petróleo”. Fica evidente pelo mapa, que em todos os setores houve reajuste de preço por fornecedores ou tal reajuste já foi sinalizado.
Repasses da inflação
Todos os setores pretendem repassar este aumento de custos para preços, embora a intensidade do repasse varie de caso a caso. Problemas de oferta (atrasos, reduções ou cancelamentos) ainda não estão presentes na maioria dos setores, mas há preocupações moderadas com possível escassez futura.
Todos os setores têm dificuldade em substituir produtos por alternativas menos dependentes de petróleo. Destaque para os setores de construção e de veículos pesados. Por ora, nenhum setor reporta redução de demanda, assinala o Itaú.
Olhando adiante
Olhando adiante, com base no avanço de 0,6% no volume de vendas em fevereiro, o Itaú espera vendas no varejo mais sustentadas no primeiro trimestre, impulsionadas pela isenção de imposto de renda e o aumento do salário-mínimo.
Já o Bradesco, depois de registrar que o aumento das vendas em fevereiro foi liderado pelo avanço do comércio de veículos e supermercados, notou que “o resultado de fevereiro foi impulsionado pelos segmentos mais sensíveis à renda (+1,1% frente a janeiro), enquanto os segmentos mais sensíveis ao crédito avançaram apenas 0,1%”.
No primeiro bimestre do ano, as vendas de veículos aumentaram 4,5%, e adianta, que, pelos “dados de emplacamentos divulgados pela Fenabrave”, essa categoria deverá ter um novo avanço em março; com isso, o crescimento das vendas de veículos no primeiro trimestre deve superar o registrado no trimestre encerrado em dezembro de 2025 (2,5%).
Já o comércio de material de construção cresceu 0,5% no mês, após alta de 3,3%. Esse desempenho nos primeiros dois meses de 2026 devolve parcialmente a queda de 4,1% observada em dezembro. Mas o nível de vendas dessa categoria está praticamente parado desde o segundo semestre do ano passado.
Para o banco, o aumento das vendas em fevereiro é consistente com a sua projeção de crescimento robusto de 1% do PIB no primeiro trimestre (com relação ao quarto trimestre de 2025).