O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Impasse em Ormuz; Selic só cai 0,50% em junho

Publicado em 13/04/2026 às 16:05

Alterado em 13/04/2026 às 16:05

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Com os percalços da guerra no Golfo Pérsico, que agora apresenta o impasse no Estreito de Ormuz (o Irã recusou sábado o acordo de paz e os Estados Unidos querem garantir a navegação à força), o Brent voltou a subir acima de US$ 100 e os contratos futuros estão em alta até março de 2033. Assim, as previsões semanais da Pesquisa Focus (encerrada sexta-feira) ficam ultrapassadas. Prefiro considerar a mediana dos últimos cinco dias úteis.

E os dados são de que, após o salto de 0,88% na inflação de março, as projeções para a inflação de abril estão acelerando. Eram de 0,41% há um mês e saltaram de 0,48% para 0,50% na semana passada e chegaram a 0,62% na mediana dos últimos cinco dias. Para 2026, a trajetória do IPCA foi completamente alterada com a alta prevista para os preços administrados (sobretudo energia). Há quatro semanas, a Focus previa IPCA de 3,84% e alta de 3,7% dos preços administrados; agora, as projeções subiram para 4,71% no IPCA (4,76% na mediana de cinco dias úteis) e para 4,87% nos preços administrados (4,95% nos últimos cinco dias úteis).

Mas o dado mais forte foi o pessimismo quanto à possibilidade de baixa mais forte na taxa Selic dia 29 de abril. O mercado espera cautela do Banco Central, com nova baixa de apenas 0,25%, para 14,50% ao ano. Baixa de 0,50% só em 16 de junho, para 14,00%. Há quatro semanas, a aposta era de 13,50%. Na revisão geral da trajetória dos juros da Selic, a taxa do ano foi elevada de 12,25% para 12,50% e para 12,75% na mediana dos últimos cinco dias úteis. Para 2027, com a elevação das projeções do IPCA de 3,80% para 3,85% na semana anterior e 3,915 na semana passada (na mediana dos últimos cinco dias houve ligeira baixa a 3,89%), já se notam pressões altistas na Selic, de 10,50% para 10,53% (na mediana dos últimos cinco dias úteis).

Juros altos valorizam real

O impasse sobre o controle do Estreito de Ormuz, manteve o petróleo em alta e fortaleceu o dólar contra a maioria das moedas. Por ser exportador líquido de petróleo e alimentos, o Brasil acaba beneficiado na crise do Golfo e as projeções de aumento no saldo da balança comercial fortalecem o real diante do dólar. Depois de fechar na sexta-feira na mínima de R$ 5,0040, a menor cotação desde janeiro de 2024, o dólar subia ligeiramente a R$ 5,0230 (alta de 0,38%) às 12:55 (horário de Brasília), seguindo os ajustes das outras moedas.

Nas projeções da Pesquisa Focus, o dólar, que era projetado em dezembro a R$ 5,40% na semana passada, caiu para R$ 5,37 e R$ 5,35 na mediana dos últimos cinco dias úteis. O dólar em queda decorre da nova curva de juros para a Selic, que mantém um alto diferencial perante os juros dos Estados Unidos e atrai capitais especulativos para o “turismo de juros” em papéis do Tesouro Nacional. Isso ajuda a neutralizar as pressões inflacionárias geradas pela cadeia energética do petróleo.

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