O OUTRO LADO DA MOEDA
Ameaça de Trump deixa mundo em suspense
Publicado em 07/04/2026 às 13:45
Alterado em 07/04/2026 às 16:48
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O mundo, em especial os países do Oriente Médio vizinhos ao Irã, e os agentes econômicos que operam nos mercados futuros de moedas, ações, “commodities”, títulos de renda fixa e criptoativos, estão em suspense com a ameaça do presidente Donald Trump de que “Toda a civilização morrerá”, se, até às 20 horas (horário do leste dos Estados Unidos), o Irã não reabrir o Estreito de Ormuz. Os EUA realizaram nesta manhã mais de 50 ataques contra alvos militares na ilha iraniana de Kharg.
Em meio ao suspense, o preço barril de petróleo do tipo Brent para entrega em junho subiu mais 0,82%, sendo negociado a US$ 110,67, por volta das 11:15 (horário de Brasília). Todos os vencimentos até março de 2033 estão em alta. Os índices de ações caem e o dólar tem jornada irregular perante as principais moedas. O real devolve a valorização de ontem, quando o dólar caiu 0,33% e fechou a R$ 5,1403. Às 11;20, o dólar era negociado a R$ 5,1650, com alta de 0,50%.
Astronautas da Artemis podem ver hecatombe
Tirando povos indígenas ou sem acesso ao noticiário, seguramente só quatro habitantes da Terra estão completamente alheios à tensão reinante entre Estados Unidos- Israel e o Irã: são os quatro astronautas da missão Artemis 2, que estão circunvagando a Lua.
A tripulação é formada por três astronautas norte-americanos da Nasa – Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch – e um canadense, Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense.
Entretanto, se às 20 horas (horário de Nova Iorque) a nave estiver com vista para a região do Oriente Médio, os astronautas poderão registrar a hecatombe que o presidente americano promete despejar sobre a civilização iraniana, provocando incomensurável destruição.
'A guerra de 1978' volta a ameaçar
Nunca é demais lembrar o cenário de ficção descrito por Paul Ederman, no seu livro “A Guerra de 1978”. Envolvia uma disputa entre o Irã (com o Xá Reza Pahlevi, ainda no poder) e Israel. Em meio ao cenário frenético de saques das reservas dos países produtores de petróleo depositadas nos grandes bancos, um cientista judeu contratado pelo Irã desconfia que o projeto de enriquecimento de urânio encubra a produção de uma bomba atômica a ser lançada sobre Israel.
Ele muda a fórmula para uma bomba de cobalto, que é detonada no aeroporto de Teerã, quando caças iranianos são abatidos pela aviação israelense. O resultado foi que quem voltou à “idade da pedra” foi o mundo ocidental e as economias capitalistas dependentes de petróleo, que ficou inacessível no Oriente Médio por 30 anos.
O livro começa com o narrador andando de charrete puxada a cavalo no interior de California, com frequentes racionamentos de energia. Hoje a “bomba” do Irã é o Estreito de Ormuz, que já reduz a oferta de 20% a 25% do petróleo e do gás dos países do Golfo Pérsico que escoam a produção por navios via Estreito. Os estragos mútuos dos EUA e do Irã, podem mergulhar o mundo no atraso.
45% das vendas aos EUA sem sobretaxas
A seção brasileira da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham Brasil) destacou hoje, terça-feira, em São Paulo, durante a 4ª edição do “Encontro Empresarial BR-US” que a relação entre Brasil e Estados Unidos vive um momento de transição, com melhora nas condições de acesso ao mercado americano, mas ainda cercada por incertezas regulatórias e comerciais. A entidade divulgou pesquisa inédita sobre o tema.
O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, afirmou que cerca de 45% das exportações brasileiras já entram nos Estados Unidos sem sobretaxas, o equivalente a aproximadamente US$ 14 bilhões em produtos, entre alimentos, insumos e componentes industriais.
Segundo ele, o avanço ocorre após a decisão recente da Suprema Corte americana e a reaproximação entre os governos dos dois países, que contribuíram para melhorar as condições de acesso a mercado. “Estamos diante de um cenário mais favorável — mas ainda em transição e sujeito a mudanças”, afirmou Abrão Neto. Mas ele revelou que 86% das empresas ainda temem novas tarifas.