O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Trump promete ataque duro, petróleo sobe

Enquanto a chuva de mísseis diminui no Oriente Médio, uma nova crise de crédito bancário, nascida nos Estados Unidos, ameaça o mundo

Publicado em 02/04/2026 às 16:11

Alterado em 02/04/2026 às 16:11

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Os preços do petróleo subiram e os índices de ações oscilaram nesta quinta-feira, à medida que as esperanças dos investidores de um fim rápido à guerra com o Irã diminuíram, depois que o presidente Trump, em pronunciamento na noite de ontem, disse que ainda buscava um acordo diplomático para encerrar o conflito e que os objetivos militares dos EUA seriam alcançados “muito em breve”. Mas ele também prometeu atacar o Irã “com extrema força” nas próximas semanas, incluindo instalações elétricas (um crime de guerra) para fazer o país “regredir à Idade da Pedra”.

A maneira errática do presidente americano conduzir a guerra, com a falta de um cronograma claro, irritou as autoridades da Arábia Saudita, principal aliado no Golfo, e minou as esperanças em Wall Street de que a guerra pudesse terminar rapidamente, com o Estreito de Ormuz reaberto em breve, permitindo que o petróleo voltasse a fluir livremente do Golfo Pérsico para os mercados mundiais.

O resultado é que após a queda de ontem, no otimismo sobre o discurso de Trump, os contratos futuros do petróleo do tipo Brent para entrega em junho voltaram a subir 6% por volta do meio-dia (horário de Brasília), cotados a US$ 107,28, e os índices de ações voltaram a cair nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. No Brasil, o Ibovespa avançava 0,22% depois do meio-dia, puxado pela alta das ações da Petrobras.

Contratos futuros do Brent sobem menos
Mas as cotações dos contratos futuros de petróleo, embora em alta, não devolveram os níveis de baixa da véspera, indicando que os investidores, a despeito das ameaças de Trump, não esperam o prolongamento do conflito. Sobretudo depois que o presidente americano disse que a reabertura do Estreito de Ormuz deve ser tarefa diplomática (ou de guerra) dos países europeus e asiáticos que dependem do petróleo e do gás do Irã, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, que escoam pelo Golfo Pérsico.

Pós guerra: crédito privado assombra EUA
Os negócios mirabolantes de Daniel Vorcaro, que levantava recursos bilionários com a emissão de CDBs e letras financeiras do Banco Master para aplicar em papeis de pouca visibilidade e liquidez dos fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), assustaram os brasileiros que tomaram conhecimento das teias de negócios que se prestam à lavagem de dinheiro e a operações de sonegação com uso de “laranjas”. Pois nos EUA e na Europa, essas operações, que perdem liquidez em momentos críticos como o atual, influenciado pelas fortes oscilações da guerra do Golfo ameaçam provocar uma crise de crédito global como a gerada pela crise do sub-prime do mercado de hipotecas em 2008.

Tanto o americano “Wall Street Journal”, quanto o britânico “Financial Times” vêm tratando o tema com grande preocupação há duas semanas. A manchete do “FT” de hoje trata da crise da americana Blue Owl. Surpreendida com pedidos de resgate no valor de US$ 5,4 bilhões, a empresa de crédito privado passou a limitar saques de dois de seus fundos após investidores tentarem retirar mais de 440% de um deles. Segundo o “WSJ”, a situação alarmou o Departamento do Tesouro, que convocou os regulares para discussões sobre os riscos do crédito privado. O “WSJ” acrescenta que os “fundos abutres” (caso do liquidado Reag, do Brasil), cerca o setor de “private equity”

Vale lembrar que na crise financeira mundial de setembro de 2008 (o mercado vivia uma exuberância irracional e o barril petróleo chegou a ser negociado em julho a US$ 147, caindo a menos de US$ em outubro), os bancos brasileiros, que tinham pelo menos 20% do seu “funding” oriundos do crédito internacional, foram atingidos por uma crise de liquidez que obrigou o Banco Central a liberar compulsórios. Mas não foi suficiente. O Unibanco entrou em crise, tentou se associar ao Bradesco, então o líder entre os bancos privados, mas o Bradesco não aceitou compartilhar parte do controle. Resultado, o Unibanco fechou acordo com o Itaú, que tirou a liderança do Bradesco entre os bancos privados desde 1963.

Resumo da ópera, segundo o “NYT”

Já o “New York Times” reuniu, no começo da semana, o time de colunistas para avaliar a situação e a conclusão foi de ruim a péssima:

“Ruim, muito ruim e muito pior: escolha uma previsão para a guerra e a economia”, sintetiza o “Times”, que acrescenta: “

Uma perspectiva meramente ruim pode ser boa o suficiente para os mercados”.

É o caso de fazer figa e bater na madeira.

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