O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Com guerra, Itaú prevê baixa menor na Selic em abril

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Publicado em 27/03/2026 às 15:01

Alterado em 27/03/2026 às 15:03

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Com os impasses da guerra entre Israel-Estados Unidos X Irã mantendo o contrato do barril de petróleo tipo Brent para entrega em maio acima de US$ 110, e já se refletindo na alta de 0,44% no IPCA-15 de março, a consultoria 4intelligence projeta taxa cheia de 0,76% para o IPCA do mês.

Com o conjunto de dados negativos, o Itaú colocou viés de alta na projeção do IPCA de 3,8% para este ano e considera que “o conjunto de informações reduz o espaço para uma aceleração do ritmo de afrouxamento monetário na reunião de abril”. Ou seja, em vez de uma queda de 0,50%, a Selic só baixaria para 14,50% em 29 de abril.

A análise do Bradesco não é muito diferente. Embora considere a “surpresa no IPCA-15 concentrada basicamente em passagens aéreas e, em menor magnitude, alimentos no domicílio”, previu que o “resultado do mês será ainda mais elevado”. Com “a atual conjuntura, com aumentos dos custos de combustíveis e fertilizantes, será mais difícil uma devolução da alta desses grupos no curto prazo. A geopolítica segue como maior risco para nosso cenário de inflação neste ano”, sublinha o banco, que ainda não alterou a previsão de 3,8% para o IPCA e de 12,00% para a Selic.

A visão da 4intelligence

Para março, nossa projeção subiu para 0,76% com base no novo conjunto de informações. Na margem, o incremento do ritmo de alta decorrerá da aceleração relevante de Alimentação no domicílio e aumentos de combustíveis” (...) ”parcialmente atenuados pelo recuo de Serviços. Para 2026, elevamos a projeção para o IPCA de 4,3% para próximo de 4,5% ao incorporar os choques recentes nos preços de combustíveis e suas repercussões sobre os preços de alimentos e serviços”.

“Em abril, a expectativa é de alta de 0,50%, contemplando moderação dos aumentos de combustíveis e de alimentos. No entanto, o recuo de Preços administrados será contido pelos reajustes tarifários de energia elétrica [o governo já estuda reduções neste item residencial] e dos medicamentos. Temos como premissa a manutenção da bandeira verde. Serviços podem ceder com a nova moderação de passagens aéreas”, diz a consultoria.

Para maio, a 4intelligence conta “com o começo da distensão das incertezas externas que podem promover assim alívios nas altas de alimentos e derivados de petróleo. Por outro lado, energia elétrica deverá ser destaque devido a nossa premissa de acionamento da bandeira amarela”. [por isso, o governo quer reduzir os impactos nos reajustes da energia].

Queda menor de juro sobe desemprego
A leitura dos economistas do mercado, após a apresentação ontem do Relatório de Política Monetária (RPM), é de que o Comitê de Política Monetária do Banco Central será mais cauteloso ao reduzir os juros, já em abril e isso, além de ampliar a asfixia financeira das famílias e das empresas, terá impacto para aumentar o nível de desemprego – uma má notícia para o governo em ano eleitoral.

Segundo o IBGE, a PNAD Contínua trimestral encerrada em fevereiro elevou a taxa de desocupação para 5,8%. Em janeiro fora 5,4%, em dezembro descera a 5,1%, depois de 5,2% em novembro (em fevereiro de 2025 a desocupação foi de 6,8%. Para o Depec do Bradesco, “o mercado de trabalho apresenta sinais discretos de enfraquecimento, mas ainda constitui um vetor positivo para o consumo das famílias”. O banco mantém “a expectativa de crescimento econômico de 1,5% em 2025, com expansão do consumo estimada em 2,1%”.

Mais um do esquema Master
O Banco Central decretou hoje, 27 de março de 2026, a liquidação extrajudicial da Entrepay Instituição de Pagamento S.A. e, por extensão, da Acqio Adquirência Instituição de Pagamento S.A. e da Octa Sociedade de Crédito Direto S.A., que integram o Conglomerado Entrepay. Segundo o BC, o conglomerado é de “porte pequeno” e detinha, em dezembro de 2025, “cerca de 0,009% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional”.

Ele não tinha acesso ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). As irregularidades foram descobertas na operação “Compliance Zero”, da Polícia Federal, da qual foi alvo o controlador, Antônio Carlos Freixo Junior.

'NYT' também duvida da diplomacia de Trump
Um dia após o “Wall Street Journal” insinuar vazamento de informações privilegiadas sobre as negociações de paz paralelas do governo Trump, com ganhos de “insiders traders” nos mercados futuros, o “New York Times” considera que “O impasse com o Irã levanta novas dúvidas sobre a diplomacia flexível de Trump”. O “NYT” diz que “uma mistura de emissários — um amigo, um membro da família, um pacifista e um belicista — sobre a crise com o Irã reflete a abordagem improvisada do presidente Trump”.

Guerra afeta fluxo de capitais ao Brasil
Os dados do Banco Central sobre as contas externas de fevereiro, com parciais até 24 de março, mostram forte deterioração nos fluxos financeiros causados pela guerra, com uma redução de US$ 6,4 bilhões nos saldos totais na comparação com a parcial de 18 de fevereiro.

Enquanto o fluxo comercial cresceu US$ 3,1 bilhões, houve uma queda abrupta de mais de US$ 9,5 5bilhões no fluxo financeiro, transformando o saldo global de US$ 1,631 bilhão de fevereiro em déficit de US$ 4,769 bilhões até 24 de março. Isso explica por que o Relatório de Política Monetária deu tanta ênfase às contas de Serviços e Rendas no Balanço de Pagamentos.

Fluxo de Capitais (US$ bilhões)

Fluxo Comercial (Exportação-Importação)

Até 18 Fev. 1,727 Até 24 Mar. 4,828

Fluxo Financeiro (Compras-Vendas)

Até 18 Fev. -0,096 Até 24 Mar. -9,597

Fluxo Total (Comercial+Financeiro)

Até 18 Fev. 1,631 Até 24 Mar. -4,769


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