O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

[email protected]

O OUTRO LADO DA MOEDA

‘WSJ’ desconfia de negócios de Trump nos mercados

...

Publicado em 26/03/2026 às 13:38

Alterado em 26/03/2026 às 13:38

Sede do 'Wall Street Journal' Foto: reprodução

Com o título: “As negociações oportunas realizadas momentos antes das surpresas políticas de Trump”, o “Wall Street Journal”, principal jornal econômico dos Estados Unidos, lança desconfianças sobre vazamentos das decisões do presidente americano que geram fortes movimentos especulativos nos mercados poucos minutos antes dos anúncios presidenciais. Gráfico com o grande salto no volume de negócios ilustra a suspeita.

O jornal diz que “os críticos do presidente expressaram preocupação com a atuação nos mercados futuros de petróleo, opções de ETFs do S&P 500 e mercados de previsão”. Trata-se de uma clara insinuação de que os passos presidenciais são do conhecimento de especuladores que tiram partido das informações, em negociações, configurando o crime de “insider trade”, que deveria ser examinado pela Securities Exchange Commission.

‘Insiders’ em tarifas e petróleo?
A reportagem assinada por Alexandre Osipovich e Jack Pitcher lembra que “o presidente Trump impactou os mercados com mudanças repentinas em sua política, desde revogações de tarifas até ataques militares. Em diversas ocasiões, negociações atípicas ocorreram antes de seus anúncios”. Vale dizer que as prévias dos anúncios ocorrem pela sua rede privada Truth Social.

“Mais recentemente”, diz o artigo, “houve uma misteriosa onda de negociações nos contratos futuros de petróleo e do S&P 500 cerca de 15 minutos antes de Trump reduzir as tensões com o Irã com uma postagem na Truth Social na manhã de segunda-feira, o que fez com que os preços do petróleo despencassem e as ações subissem”.

Apostando no sucesso das gestões paralelas conduzidas pelo genro Jared Kushner com diplomatas do Egito, Paquistão e Turquia que negociavam um cessar fogo de 15 pontos com desconhecidas autoridades iranianas, o presidente Trump previu o fim da guerra esta semana.

A realidade é outra
Os fatos do dia, viraram as expectativas dos mercados de cabeça para baixo e elevaram os preços do barril do Brent para entrega em junho acima de US$ $ 100, com alta de 3,70%, enquanto as ações caíam em Wall Street e o dólar tinha pequenas oscilações. No Brasil, era negociado às 11:30 (horário de Brasília) a R$ 5,2225, com baixa de 0,08%.

O motivo foi o anúncio de Israel de que teria mantado o líder da Marinha iraniana, responsável pelo bloqueio do Estreito de Ormuz – que continua bloqueado. Nos bastidores da diplomacia, o presidente Trump disse que “Teerã “precisa levar as negociações a série em breve”. E o mesmo “WSJ” revela que o Paquistão afirmou que o Irã estava considerando as propostas dos EUA para encerrar o conflito (que completa a quarta semana sábado) por meio de negociações indiretas.

Especulações com diesel afetam alimentos
Apesar de os indicadores sobre os preços dos combustíveis ao consumidor no IPCA (que mede as despesas das famílias com renda até 40 salários-minimos, ou R$ 64.840) terem acusado, na prévia do IPCA-15 de março pequenas variações -, segundo o IBGE “os combustíveis apresentaram redução de 0,03%, com decréscimos nos preços do GNV (-2,27%), do etanol (-0,61%) e da gasolina (-0,08%), enquanto o óleo diesel teve variação positiva de 3,77%.

O forte noticiário especulativo sobre o diesel (que regula 90% do transporte de mercadorias gerou alta de 0,88% em Alimentos e Bebidas e contribuiu para a alta de 0,44% no IPCA-15. O custo da alimentação em domicílio acelerou de 0,09% em fevereiro para 1.10% em março. Mas a alimentação fora de casa variou caiu de 0,46% em fevereiro para 0,35% em março. No mesmo mês de 2025 a alta foi de 0,64%. Em 12 meses a taxa acumulada do IPCA-15 caiu de 4,10% em fevereiro para 3,90% em março.

Nos alimentos, o artigo que mais pesou foi a alta de 1,45% na carne bovina, seguido pelo feijão carioca (+19,69%). Fora isso, houve os aumentos pontuais de 29,95% do açaí (renegociação anual) e de 7,54% do ovo de galinha. Mas um dado importante foi a nova baixa do café moído (-1,76%) e das frutas (-1,31%). Em 12 meses a Alimentação e Bebidas acumula 2,17%, bem abaixo dos 3,90% do IPCA-15. No cômputo geral, a maior alta foi também especulativa (+5,94%) na passagem aérea, numa possível antecipação de aumentos no querosene de aviação.

Os temores do Relatório de Política Monetária
Com uma inovadora e ameaçadora foto de um petroleiro no Estreito de Ormuz, o Relatório de Política Monetária do primeiro trimestre, divulgado naa manhã de hoje pelo Banco Central (o diretor interino de Política Econômica, Paulo Pichetti, e o presidente Gabriel Galípolo falariam mais tarde) o RPM condicionou os cenários ao fim da guerra:

“Se a distribuição de mercadorias continuar interrompida e a capacidade de produção reduzida na região por muito tempo, o impacto sobre os preços e a atividade pode ser duradouro e significativo”; “Caso a alta dos preços de energia persista, seu impacto macroeconômico em economias relevantes pode transbordar para economias emergentes”; “Neste ambiente, em algumas economias desenvolvidas, há a expectativa de alta de inflação e juros em 2026”

Ao analisar as perspectivas da inflação no Brasil o RPM foi mais direto:

“No horizonte relevante para a política monetária, terceiro trimestre de 2027, a projeção é uma inflação de 3,3%”; “Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, aumentaram após o início dos conflitos no Oriente Médio. Há bastante incerteza sobre a duração dos conflitos e seus efeitos sobre a economia global”.

E lembra os dilemas da política monetária:
“Expectativas de inflação desancoradas por mais tempo, inflação de serviços mais resiliente em função da atividade econômica aquecida e políticas econômicas, externas ou internas, com impacto inflacionário, podem dificultar o controle da inflação” e exigir ações corretivas.; “Por outro lado, uma redução mais forte do crescimento econômico doméstico, incertezas no cenário global que podem desacelerar a atividade econômica e uma redução no preço das commodities poderiam ajudar a reduzir a inflação no Brasil”. Noves fora, a palavra é cautela e esperar para ver como é que fica.

As projeções do BC para 2026

PIB 2026 + 1,6%;

IPCA 12 meses; 3,9% (sendo 3,58% em março; 3,56% em abril; 3,63% em maio e 3,72% em junho).

Selic em dezembro: 12,25%; para 2027:10,50%;

Balança comercial: de US$ 64 bilhões para US$ 73 bilhões;

Conta Corrente: de US$ -60 bilhões para – 58 bilhões; .

(O RPM fez estudo mais detalhado sobre os gastos com serviços e rendas).

Deixe seu comentário