O OUTRO LADO DA MOEDA
BC intervém para manter corte de juros
Publicado em 16/03/2026 às 16:55
Alterado em 16/03/2026 às 17:00
.
Com o agravamento do conflito entre Israel-Estados Unidos X Irã, que inicia a terceira semana com o Estreito de Ormuz ainda fechado à navegação de petroleiros, a escassez na oferta de petróleo (que também obrigado os países produtores do Oriente Médio por esgotamento da capacidade de estocagem, por falta de escoamento, a Pesquisa Focus do Banco Central indicou uma inflexão na baixa de juros na reunião do Copom nesta quarta-feira, 18 de março. E o Banco Central agiu rápido para reverter expectativas, recomprando R$ 12 bilhões em papéis pré-fixados para demover as apostas de juros altos.
Na pesquisa Focus anterior, encerrada em 6 de março, o mercado esperava IPCA de 3,91% em 2026, que foi elevado para 4,10% e 4,12% na mediana das respostas dos últimos cinco dias. Mas embora a previsão do IPCA de março tenha subido apenas de 0,39% para 0,41% e a de maio, mantida em 0,40%, o mercado reduziu de 0,50% para 0,25% a previsão de baixa da Selic na reunião de quarta-feira do Comitê de Política Monetária e manteve em 0,50% a baixa para a reunião do Copom em 29 de abril.
Na teoria, as expectativas do mercado com o impacto inflacionária da guerra (a principal incógnita é um eventual aumento da gasolina, item de maior peso entre os 377 pesquisados mensalmente pelo IBGE no IPCA) pouco mudaram, pois, a previsão da Selic ao final do ano subiu de 12,13% na semana anterior para 12,25%, mas já era a previsão quando eclodiu a guerra.
Por isso, antes que o mercado forme expectativas altistas e levando em conta a baixa de 1% no barril do Brent negociado para maio, cotado na faixa de US$ 102, e a baixa igualmente de 1% no ouro, numa indicação de que o cenário da guerra não se agravou, houve recuperação nos mercados de ações e espaço para o Banco Central não abandonar o plano de redução dos juros.
Quando muito, uma meia trava cautelosa – trocar uma baixa de 0,50% por outra mais suave de 0,25% para esperar como ficam os desdobramentos do mercado de petróleo.
Petrobras garante abastecimento
Se o mundo é dependente do petróleo do Oriente Médio (sobretudo Índia, China e Japão), o Brasil conta com o trunfo da atuação nacional da Petrobras que torna o país autossuficiente em petróleo, com 70% extraídos do pré-sal a custo inferior a US$ 21, ainda que dependa de 20% a 25% de importações de diesel e GLP. Mas os preços elevados do petróleo podem acelerar os planos de ampliação da capacidade de produção de diesel e GNL nas refinarias.
Em entrevista esta manhã na CNN, o ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, que trocou o PPI pelo abrasileiramento dos preços em maio de 2023, garantindo mais estabilidade nos preços dos derivados, negou as especulações com perdas da estatal, reiterando que “a saúde financeira da Petrobras segue sólida. As métricas operacionais e o fluxo de caixa da companhia estão protegidos, e as especulações sobre "perdas" não encontram respaldo nos dados técnicos e na gestão atual”.
Ele também desmistificou a ideia de "erros de condução" por parte do governo, ressaltando que “existe uma governança rigorosa e que as decisões estratégicas estão sendo tomadas com base em critérios técnicos, visando tanto a sustentabilidade da empresa quanto o interesse nacional”
Um dos pontos centrais da entrevista foi assegurar que não há risco de desabastecimento. Apesar das oscilações internacionais e do cenário de guerra no radar, a Petrobras possui logística e planejamento de estoque robustos para garantir que o combustível chegue a todas as regiões do país”. Ou seja, o país está com abastecimento. Já se tivessem prosperados os planos do governo Bolsonaro de privatizar 50% do parque do refino, os preços disparariam e gerariam uma tremenda inflação, como na invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.
Ao contrário, explicou o ex-presidente da Petrobras, sem o PPI, a “companhia continua operando com previsibilidade e que as recentes medidas visam justamente mitigar volatilidades excessivas, evitando repasses bruscos ao consumidor sem comprometer a rentabilidade da estatal”.