O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Juro freia PIB, o consumo e endivida famílias

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Publicado em 03/03/2026 às 16:25

Alterado em 03/03/2026 às 16:25

Para o Bradesco, 'a economia ficou praticamente parada no segundo semestre do ano passado' Foto: Divulgação

Além de errar as projeções do Produto Interno Bruto (PIB) no 4º trimestre de 2025 (seu índice do PIB, o IBC-Br acusou queda de 0,2%, enquanto o IBGE apontou alta de 0,1% para a atividade econômica), o Banco Central também errou a projeção do PIB de 2025 (o IBC-Br apontou +2,5% na semana passada e foi de 2,3% o crescimento, que desacelerou dos 3,4% em 2004 para 2,3%), justamente pelo efeito da política monetária restritiva com a Selic, o piso dos juros alcançando 15% e média anual de 14,3%.

O maior impacto da contenção da demanda, através dos juros bancários altos, que provocou endividamento recorde das famílias, foi a própria forte queda do consumo das famílias: depois de crescer a ritmo de 5,1% nos 12 meses terminados em dezembro de 2024 (o pico tinha sido de 6% no terceiro trimestre), caiu para 0,8% no último trimestre do ano passado. A formação bruta de capital fixo e o consumo das famílias explicam essa desaceleração.

No último trimestre do ano passado, os investimentos recuaram 3,5% em relação ao trimestre anterior, acumulando uma queda de 5,8% desde os primeiro trimestre do ano. O consumo das famílias ficou parado nos três meses finais de 2025, após ligeira queda no terceiro trimestre. O setor de Serviços, que representa 68,5% do PIB cresceu apenas 1,8% em 2025, contra apenas 1,4% da Indústria (23,4% do PIB). O comércio avançou apenas 1,1%.

O que salvou o PIB foi o crescimento de dois setores cuja demanda está ligada mais ao mercado externo que o consumo das famílias: a agropecuária (+ 11,7%) e a indústria extrativa mineral (+8,6%). Mas a agropecuária pesa apenas 6,9% do PIB e a extrativa 3,7%. Ainda assim a agropecuária (puxada pelas safras do milho (+23,6%), soja (+14,6% e laranja (23,4% e a pecuária) respondeu por 32,8% dos 2,3% do PIB, enquanto a atividade extrativa, sobretudo de petróleo e gás, cresceu 15,3%. As duas atividades e mais as atividades financeiras e de seguros (+9,0%) garantiram mais da metade do PIB do ano passado. Na estimativa do Bradesco, os setores mais cíclicos subiram 1,5% em 2025 e os exógenos 3,6%.

O setor externo teve contribuição positiva no segundo semestre do ano passado, com exportações crescendo perto de 4% na margem em ambos os trimestres e queda das importações, que também, segundo o Bradesco, “parece um outro sinal de esfriamento da economia”.

Olhando o que o comportamento do último trimestre projeta à frente, o Bradesco observa que “do lado da oferta, os serviços contribuíram positivamente para o crescimento trimestral, liderado pela atividade financeira e serviços de informação e comunicação. A agropecuária aumentou 0,5% no trimestre, enquanto a indústria caiu, puxada pela construção civil e indústria de transformação”.

Para o Bradesco, “a economia ficou praticamente parada no segundo semestre do ano passado, com a desaceleração importante da demanda doméstica. Os efeitos da política monetária restritiva sobre a atividade econômica tem se acumulado e têm contribuído para a desaceleração da inflação”. Para 2026, ele espera alta de 1,5% do PIB.

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