O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Itaú agora reduz Selic a 12,25% em 2026

Publicado em 28/02/2026 às 10:56

Alterado em 28/02/2026 às 10:56

No último dia de fevereiro, quando o IBGE divulgou o alto IPCA-15 (0,84%), refletindo alta de 1,72% em Transportes, com impacto de 0,35 ponto percentual no índice mensal, puxado pelo salto de 11,64% em passagens aéreas, e o impacto dos reajustes das mensalidades escolares (Educação subiu 5,2% e pesou 0,32 p.p. no IPCA-15), e o Banco Central divulgou superavit consolidado de R$ 103,7 bilhões nas contas públicas, pelo conceito primário (receitas menos despesas, sem contar os juros da dívida, R$ 63,6 bilhões), o departamento de estudos macroeconômicos do Itaú-BBA divulgou o cenário de fevereiro.

A principal novidade foi uma sensível redução da projeção da taxa Selic (atualmente em 15%) para 12,25% ao ano em dezembro (até janeiro, a previsão era de 12,75%. Para 2027 a projeção da Selic caiu de 11,75% para 11,25%. O Itaú justificou a revisão nas projeções da inflação de 2026 (de 4,0% para 3,8%) e de 2027 (de 4,0% para 3,9%), pela apreciação do real ante o dólar. O Itaú deve detalhar semana que vem as expectativas de baixa da Selic a cada reunião do Copom, com baixa inicial de 0,50% em 18 de março.

O Itaú lembra que “o Banco Central tem reiterado que a magnitude e a duração do ciclo serão definidas ao longo do tempo, destacando que o momento atual ainda é de calibragem da política monetária, o que é compatível com um ciclo de flexibilização mais contido”.

“Apesar do avanço recente da desinflação, esse movimento segue concentrado em itens comercializáveis, beneficiados pela apreciação cambial, enquanto o mercado de trabalho permanece apertado e os reajustes salariais continuam acima da inflação e da produtividade, mantendo pressão relevante sobre as medidas de inflação subjacente”.

“Nesse contexto, um ciclo significativamente mais amplo do que o atualmente precificado pelo mercado exigiria um câmbio estruturalmente mais apreciado, um cenário menos trivial considerando a volatilidade inerente de anos eleitorais”.

Câmbio a R$ 5,40 em dezembro

“Revisamos nossa projeção de taxa de câmbio para R$/US$ 5,40 em 2026 e R$/US$ 5,60 em 2027 (de 5,50 e 5,70, respectivamente). O cenário externo de maior apetite por ativos de risco tem beneficiado a moeda brasileira, mas o aumento esperado do prêmio de risco típico de períodos eleitorais ainda limita um cenário de apreciação mais significativa. O salto de 0,5% nos preços por atacado em janeiro nos Estados Unidos assustou o mercado por elevou aa inflação em 12 meses para 2,9%, o que pode evitar baixa dos juros neste semestre nos EUA.

Para o banco, um câmbio mais apreciado e seus efeitos desinflacionários sobre os itens comercializáveis, em especial alimentos e bens industriais. “Ainda assim, mantemos a avaliação de um ciclo de flexibilização [dos juros] contido, uma vez que a desinflação permanece concentrada em itens comercializáveis (portanto mais dependentes da dinâmica cambial) e porque o mercado de trabalho segue resiliente, o que mantém risco de pressões inflacionárias”. Hoje o dólar fechou cotado a R$ 5,1340, com baixa diária de 0,06% e de 0,83% na semana.

Crescimento do PIB e emprego

“Mantivemos nossa estimativa de crescimento do PIB em 2025 em 2,3% e não alteramos as projeções para 2026 e 2027 em 1,9% e 1,7%, respectivamente. Para 2026, seguimos com viés de alta, diante da possibilidade de adoção de medidas contracíclicas adicionais e de um desempenho potencialmente mais robusto do crédito [devido aos estímulos habituais em anos eleitorais].

Para o mercado de trabalho, o Itaú não alterou as estimativas para a taxa de desemprego: em 5,7% em 2026 e 6,0% em 2027.

O banco manteve a projeção de déficit primário de 0,8% do PIB em 2026 e 0,9% em 2027. Além do desafio estimado de 0,3% do PIB para cumprimento da meta nesse ano, antevemos a necessidade de ajustes estruturais primordialmente na trajetória de despesas a partir de 2027 para viabilizar a estabilização da dívida pública e criar bases para um crescimento sustentável com juros reais reduzidos.

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