O OUTRO LADO DA MOEDA
FT: 'O estado mental de Trump é um risco global'
Publicado em 24/02/2026 às 15:19
Alterado em 24/02/2026 às 15:38
Print do site do FT traduzido pelo Google .
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Ao entrar em vigor nesta terça-feira, com nível de 10%, como anunciado na sexta-feira, depois que a Suprema Corte considerou irregular o tarifaço, sem aprovação do Congresso, e não no nível de 15% dito pelo presidente Trump no sábado, o “Wall Street Journal”, principal jornal econômico dos Estados Unidos saiu com a manchete: “A confusão interminável das tarifas de Trump”.
Mais direto, do outro lado do Atlântico, em Londres, o “Financial Times”, o mais conceituado jornal de economia e negócios da Europa, depois de mostrar as idas e vindas, com sucessivos recuos nas ameaças autoritárias das tarifas revogadas pela Suprema Corte por 6 a 3, saiu-se com essa alfinetada: “O estado mental de Donald Trump é um risco global”.
O FT expõe essa opinião ao mesmo tempo em que informa na sua principal manchete que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse, em entrevista exclusiva ao jornal, que “a guerra na Ucrânia está no começo do fim”; ele incentivou o presidente Trump a “enxergar através dos ‘jogos’ da Rússia”. Para terminar, a capa que duvida da sanidade do principal líder mundial expõe, abaixo de uma grande foto do principal líder mundial, a legenda: ‘Crise causada por ele mesmo’: Trump pondera mais uma guerra com o Irã.
'Wall Street Journal' critica estratégia
Em editorial, o “WSJ” taxou a “Seção 122, base de seu novo plano tributário, é uma relíquia de uma era passada” (a lei é de 1974, sem seguida ao choque do petróleo).
“Agora que a Suprema Corte derrubou as tarifas "emergenciais" de Trump, o governo reembolsará os bilhões de dólares que arrecadou ilegalmente? E, à medida que Trump recorre a outras autoridades tarifárias, até que ponto ele estará limitado por essas leis?”, pergunta o “Journal”.
“Bem, isso vai mostrar à Suprema Corte - ou algo assim” e acrescenta duramente: “o presidente Trump está reagindo à sua derrota nas tarifas de sexta-feira não acalmando as águas comerciais, mas sim as agitando ainda mais. Ele está mirando furiosamente na Suprema Corte, mas acabará atingindo a economia e os republicanos no Congresso”, vaticina.
Para o “WSJ”, a “jogada inteligente após sua derrota judicial teria sido optar por uma alternativa e renunciar ou suspender novas tarifas”.
Em vez disso, critica o “WSJ” a Casa Branca, neste fim de semana, desempoeirou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 como uma solução alternativa. Essa disposição permite que um presidente imponha tarifas de até 15% sobre todos os produtos por até 150 dias “para lidar com déficits graves e significativos na balança de pagamentos dos Estados Unidos”.
Brasil aumenta saldo comercial em janeiro
Ainda com os níveis tarifários cobrados pelos EUA no ano passado (que deixaram o Brasil entre os países mais prejudicados, com tarifa média de 26% – o que, ao contrário, nos favorece com 10% ou 15%), a balança comercial de janeiro mostrou recuperação, com saldo de US$ 3,516 bilhões. Um aumento de mais de US$ 2,1 bilhões sobre os US$ 1,395 bilhão de janeiro de 2025. Com as restrições americanas, o Brasil tratou de diversificar e ampliar seus mercados pode se duplamente beneficiado com a reativação comercial gerada pela baixa geral das tarifas americanas.
O Bradesco destaca que o saldo comercial em 12 meses está em US$ 61,8 bilhões (ele espera saldo anual de US$ 61,3 bi), mas a ”projeção tem viés altista devido à expansão da produção nacional de petróleo. Por outro lado, há risco de baixa caso a China reduza a compra de soja. A balança de serviços também veio conforme esperado (-US$ 4 bi), acumulando déficit de US$ 52,3 bilhões em 12 meses”.
Entretanto, a nova legislação sobre lucros e dividendos (2026) antecipou as remessas de lucros ao exterior e gerou déficit de US$ 8,4 bilhões no balanço de pagamentos em conta corrente (balança comercial+serviços+rendas de capitais). Embora acima da mediana esperada pelo mercado (US$ 6,6 bilhões), foi menor que o déficit de US$ 9,809 bilhões de janeiro de 2025 Em 12 meses, o saldo é de -US$ 67,6 bilhões, equivalente a 2,9% do PIB — melhora em relação aos 3% de déficit observados ao longo de 2025, reflexo do pior resultado no primeiro mês do ano passado, segundo o Bradesco.
A surpresa se concentrou no balanço de rendas, que teve déficit de US$ 8,3 bilhões. O saldo de juros manteve desempenho semelhante ao de dezembro e alinhado à sazonalidade do mês (-US$ 3,7 bi). Já o saldo de lucros e dividendos foi de -US$ 4,7 bilhões — melhor que o registrado em dezembro, mas ainda o pior janeiro da série histórica.
Para o Bradesco “esse resultado deve estar relacionado à taxação de dividendos aprovada no ano passado. Valores deliberados pelas empresas em 2025 podem ser enviados sem taxação até abril deste ano – incorporamos esses possíveis envios em nossa expectativa, mas foi superior ao projetado. Em 12 meses, o déficit de rendas soma US$ 82,7 bilhões.
Os ingressos de investimento direto no país (FDI) foram robustos para o mês — US$ 8,2 bilhões (o Bradesco esperava US$ 7 bilhões). Os ingressos em 12 meses somam US$ 79,1 bi; e o banco projeta US$ 84 bilhões para o ano, compatível com um cenário mais favorável para os países emergentes.
Aplicações recordes em renda fixa
Com o alto diferencial de juros entre o Brasil (15%) e os Estados Unidos (3,75%), os ingressos em renda fixa também surpreenderam positivamente (US$ 7 bilhões), acumulando US$ 33 bilhões em 12 meses – o maior valor desde 2015.