O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

[email protected]

O OUTRO LADO DA MOEDA

Bradesco vê ganhos do Brasil nas tarifas

Publicado em 23/02/2026 às 14:53

Ao examinar a decisão do presidente Donald Trump de aplicar tarifa geral de 15% às importações americanas, depois que a Suprema Corte decidiu, sexta-feira, que o presidente dos Estados Unidos não pode usar o IEEPA da Lei de Comércio de 1974 para aumentar tarifas, sem autorização do Congresso, o Departamento de Pesquisa Econômica do Bradesco considera que o Brasil sairá ganhando. Após chegarem a 35% em novembro, as alíquotas médias sobre produtos brasileiros caíram a 26% com as reduções em alimentos.

 




Lembra o Bradesco que “as exportações brasileiras foram afetadas em três momentos, com usos diferentes do IEEPA para: (i) tarifas globais no Liberation Day, (ii) tarifas exclusivas ao Brasil em julho, (iii) redução de taxas em alimentos e fertilizantes. O Brasil também foi afetado com taxas exclusivas a setores, que utilizam a Seção 232 do Trade Act – instrumento legal cujo uso pelo presidente não está em discussão. Essa seção foi utilizada para taxas em Aço e Alumínio (25% depois expandida a 50%), Cobre (25%) e Madeira (10% para madeira de coníferas, 25% para móveis e estofados e 50% para armários de cozinha)”. Entre idas e vindas, as tarifas médias estavam em 26%.

Os Estados Unidos anunciaram tarifas globais de 15%, utilizando a Seção 122 do Trade Act que permite que essas taxas possam valer por 150 dias. Não está claro como essa tarifa será aplicada ao Brasil. Mantidas as isenções às taxas extras atuais, a tarifa média brasileira cairá a 15%, ou 11 pontos percentuais. “Embora seja uma solução temporária, esperamos que o presidente Trump consiga manter esse nível com autorização do Congresso e uso da Seção 232”, diz o Bradesco, para quem “a agenda de poder de compra dos EUA deve continuar beneficiando nossos alimentos e fertilizantes exportados. Além disso, nosso principal bem exportado continua isento – o petróleo. Como o Brasil era um dos países mais onerados pela política de tarifas atual, o Bradesco considera que o efeito líquido das medidas atuais é positivo, deixando os produtos brasileiros mais competitivos nos EUA.

Focus: previsões levam inflação a 3,27% em abril

A Pesquisa Focus colhida pelo Banco Central até a última sexta-feira junto a 152 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisas, e divulgada hoje trouxe novamente boas notícias para a inflação a curto prazo, que pode abrir espaço para o Banco Central fazer duas reduções de 0,50% na taxa Selic nas reuniões do Comitê de Política Monetária em 18 de março e em 29 de abril, quando a Selic (hoje em 15% ao ano) cairia a 14%. Com o bom comportamento da inflação, a Focus prevê que a Selic feche o ano em 12%.

Após novas baixas em alimentos e serviços que levaram a inflação de janeiro a 0,33%, acumulando 4,44% em 12 meses, o mercado está prevendo IPCA de 0,45% em fevereiro (como a taxa foi de 1,31% no mesmo mês de 2025, a taxa em 12 meses cairia a 3,55% e com IPCA de 0,33% em março (0,56% em 2025) a taxa em 12 meses baixaria a 3,34% em março e, finalmente, com a expectativa de 0,39% em abril (0,43% em 2025) a inflação anual recuaria a 3,27% em abril.

Por isso, e por prever IPCA de 3,91% em dezembro, contra 3,95% na semana anterior e a mediana das respostas dos últimos cinco dias úteis apontar para um IPCA ainda menor, de 3,88%, o mercado está mais animado com a economia este ano. A queda dos juros abriria espaço para maior crescimento da economia.

E as mudanças favoráveis nas tarifas dos Estados Unidos ao Brasil (beneficiado, junto com o núcleo dos Brics - China e Índia – com o nível geral de 15% (que penaliza o Reino Unido e a Austrália, que estavam com 10%) tendem a melhorar o fluxo de dólares com aumento no saldo da balança comercial. E o ingresso de dólar alivia o câmbio e a inflação.

A primeira leitura do mercado apontou nova valorização do real frente ao dólar que era negociado às 13:45 (horário de Brasília) a R$ 5,1530, uma queda de 0,45%. Esta é a menor taxa desde fevereiro de 2024. Nos últimos 12 meses o dólar caiu 10,12% frente ao real.

Deixe seu comentário