O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

'WSJ' diz que 'é hora de proteger os EUA'

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Publicado em 13/02/2026 às 13:17

Sede do 'Wall Street Journal' Foto: reprodução

O “Wall Street Journal”, principal jornal econômico dos Estados Unidos, exibiu ontem em seu site uma matéria que mais que pessimista em relação à perda gradativa do dólar e da economia americana no mundo, vira um grito de alerta. Contrariando o otimismo de Donald Trump de fazer a “América Grande novamente”, o que pressupunha a compra de dólares, de títulos do Tesouro e de ações de empresas americanas, a manchete é:

Esqueçam a estratégia de "Vender os Estados Unidos". Chegou a hora de "Proteger os Estados Unidos".

Segundo a matéria, “as ações americanas subiram, mas a queda do dólar e a desaceleração das compras estrangeiras de títulos do Tesouro são sinais de alerta, adverte o “WSJ”. Ele acrescenta que “a ameaça de que estrangeiros possam se desfazer de ativos americanos - ou "vender a América" - paira sobre os mercados desde que o presidente Trump retornou ao cargo no ano passado e desestabilizou a ordem mundial”.

O jornal explica que “a queda do dólar para mínimas históricas é o sinal mais claro de que os investidores estrangeiros estão apreensivos com os EUA, onde investiram US$ 36 trilhões em ações e títulos de longo prazo. As compras estrangeiras de títulos do Tesouro americano diminuíram e alguns investidores, como fundos de pensão europeus, passaram a vender” papéis americanos.

Pesquisa do Bank of America realizada entre os dias 6 e 11 de fevereiro junto a 42 gestores de fundos internacionais que administram US$ 702 bilhões em ativos confirmaram a tendência de trocar o “buy America” pelo “sell America”. Mais de 87% das respostas foram na direção de vender ativos americanos, em especial, apontam a tendência de os gestores trocarem o dólar pelo ouro e outras moedas e commodities em seus ativos.

A rigor, em um ano, o dólar só avançou sobre o iene, a lira turca e o peso argentino. E caiu 4,76% diante do yuan chinês. E nos últimos 12 meses, o ouro subiu 70,46% frente ao dólar, confirmando a troca da posição de reservas em dólar dos bancos centrais e grandes fundos de investimento pelo metal precioso, até mesmo por receio de confiscos pelo governo Trump.


Juros altos travam vendas do comércio

As vendas no varejo recuaram 1,2% em dezembro, resultado próximo do consenso de mercado (-1,1%). A queda de dezembro ocorre após cinco meses consecutivos de alta. O comércio terminou o quarto trimestre de 2025 com alta de 1,5% após subir 0,2% no terceiro trimestre. E o resultado do ano foi expansão de 1,6%.

Segundo o Bradesco, “a queda das vendas em dezembro foi generalizada, com oito das dez atividades pesquisadas recuando em relação a novembro. Os destaques negativos foram: material de construção (-2,8%), veículos (-2,4%), móveis e eletrodomésticos (-0,7%) e supermercados (-0,3%). No mês, as vendas mais relacionadas ao crédito caíram 2,9%, já o comércio mais correlacionado com a renda aumentou 0,9%.

O comércio varejista cresceu 0,1% no ano passado, contra 3,7% em 2024. Em 2025, o comércio correlacionado ao crédito teve um desempenho mais fraco (queda de 0,8%), puxado pela redução de quase 3% da venda de veículos. Já as vendas mais ligadas à renda aumentaram 0,5% no ano, com contribuição positiva dos supermercados.

Para o Bradesco, “a queda das vendas em dezembro devolve parte da alta verificada entre julho e novembro. As vendas fortes em novembro, provavelmente explicadas pela Black Friday, não se sustentaram em dezembro. O resultado do trimestre, ainda forte, está alinhado a nossa projeção de uma leve aceleração do consumo das famílias no quarto trimestre de 2025. O PIB como um todo deve registrar uma ligeira queda de 0,1% nos últimos três meses do ano passado”.

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