O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Dólar volta a subir após revelações sobre Toffoli

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Publicado em 12/02/2026 às 16:00

Alterado em 12/02/2026 às 16:00

Ministro Toffoli STF

Após os dados do “payroll” mostrarem o mercado de trabalho forte, em janeiro, com a criação de 130 mil empregos (destaque em serviços médicos), os números da inflação de janeiro serão divulgados amanhã, sexta-feira (13), e o consenso aponta para o aumento moderado de 0,3% nos preços ao consumidor frente a dezembro, o que reduziria a taxa de inflação anual a 2,5%.

Isso reforça a posição do atual presidente do Federal Reserve Bank, Jerome Powell, de manter os juros americanos inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% até 15 de março, quando expira o seu mandato e assume Kevin Warsh, ex-diretor do Fed indicado por Donald Trump. O mercado aguarda a divulgação dos dados do seguro-desemprego, nesta tarde, para avaliar melhor o quadro.

O resultado foi a recuperação das principais moedas perante o dólar, exceto o real. No Brasil, depois de abrir o dia cotado a R$ 5,1832, o dólar chegou a ser negociado a R$ 5,17, às 12h35 (horário do Brasil), com queda de 0,25%. Esta é a menor cotação desde o Carnaval de 2024, que caiu nesta época de fevereiro. Mas as revelações dos negócios entre a família do ministro Dias Toffoli, do STF, com o esquema do Banco Master, o mercado virou e às 14h30 o dólar valia R$ 5,2050, com alta de 0,42%. O euro subia 0,09% e a libra valorizava 0,21%, enquanto o dólar caía 0,25% contra o iene e 0,45% frente ao franco suíço.

A inflação nos EUA pode ter surpresa

Ainda assim, muitos em Wall Street estão se preparando para uma surpresa desagradável, lembra o “Wall Street Journal”. É que, nos últimos anos, a inflação em janeiro tende a ser relativamente alta. Em 2025, o índice de preços ao consumidor, que acompanha o custo de uma cesta de bens e serviços, subiu mais em janeiro do que em qualquer outro mês, pelo efeito antecipado das tarifas. O mesmo aconteceu em 2023. Janeiro não foi o mês com a maior inflação em 2024, mas chegou perto.

Serviços seguram o PIB

O IBGE divulgou hoje queda de 0,4% na receita de serviços em dezembro, abaixo das estimativas do mercado, na segunda variação negativa após nove meses seguidos de alta. Com isso, os serviços acumularam alta de 0,8% no quarto trimestre (após crescimento de 1,0% nos três meses anteriores). No ano, o avanço foi de 2,80%. Amanhã o IBGE divulga os dados do comércio em dezembro. A atividade representa 12% a 13% do PIB e será possível medir o impacto do setor de Serviços, que representam 68% do PIB.

No mês, estiveram em queda transportes (3,1%) e outros serviços (3,4%), transporte aéreo recuou 5,5% e armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correio encolheram 4,9%, puxando o resultado para baixo. Os serviços prestados às famílias cresceram 0,4%. Para o Bradesco, o resultado indica a desaceleração gradual da atividade econômica na segunda metade de 2025 e manteve a expectativa de recuo de 0,1% do PIB no 4º trimestre.

A rebordosa do agro no BB

A tradição secular do Banco do Brasil em apoio ao crédito rural manteve o banco estatal com baixos índices de inadimplência. Era uma ficção que teve um choque de realidade com a Resolução 4.966, de 2021 e que começou a valer em 2025. A resolução vedou a rolagem de dívidas com mais de 90 dias de atraso e a inadimplência do BB, das mais baixas do mercado, explodiu. Houve problemas no café e na pecuária de corte com as tarifas dos EUA.

O BB concentra mais de 50% do crédito rural (R$ 406,1 bilhões em dezembro de 2025) e as atividades mais contempladas eram bovinocultura (21,3%, sendo 15,9% para pecuária de corte e 5,3% para leite). Mas o setor ainda levava 2,5% para recuperação de pastagens. Pois sem rolagem a inadimplência do custeio agropecuário saltou de 3,06% em dezembro de 2024 para 10,05% em dezembro do ano passado. O financiamento de máquinas e equipamento, com repasses do BNDES/Finame, que representava 13,3% do crédito rural e tinha a baixa inadimplência de 0,70% em dezembro de 2024, disparou para 4,91%.O BB não discriminou a situação do café, que recebeu 2,4% dos créditos.

O que chama a atenção, ao lado das perdas de R$ 65,405 bilhões do BB com créditos e reclassificações de títulos mobiliários ligados ao agronegócio (+57,9% em 2025) foi que, depois da reestruturação de R$ 22,557 bilhões em operações do BB Regulariza Agro (conforme a MP 1.314/25), os índices mais baixos de inadimplência do crédito rural do banco eram nas linhas do Pronaf (agricultura familiar), com 2,45% (1,47% em dezembro de 2024) e no Pronamp (crédito a médios produtores), com 3,61%, um salto frente a 0,95% de 2024.

Em dezembro de 2025, os refinanciamentos de R$ 22,557 bilhões (93% em recursos livres), contemplaram 15,3 mil clientes em 16,3 mil operações, sendo que 72,9% do volume destas teve como garantia a Alienação Fiduciária. Ainda, a razão de Perda Esperada sobre carteira é de 6,5%.

E efeito de tanta reclassificação na Res. 4.966 foi um salto de 4,66%, em dezembro de 2024 para 6,59%, em 2025, no índice de inadimplência de pessoas físicas (a maior fonte de lucro do BB). Os créditos para veículos em atraso subiram de 2,24% para 4,09% e o atraso nos cartões de crédito saltou de 5,75% para 8,64%. Detalhe: a clientela de funcionários públicos e de estatais do BB tem salário médio alto.

Diante de tantos problemas no crédito, o lucro anual do BB encolheu 45,4% em 2025 para R$ 20,685 bilhões, mas o banco deu um alento com o lucro de R$ 5,742 bilhões no quarto trimestre, com aumento de 51,7% frente ao terceiro trimestre, indicando que o pior já passou. Num dia em que o Ibovespa caía 0,63% às 14:20 (horário de Brasília), abalado pelo alcance dos escândalos do Banco Master no ministro Antônio Dias Toffolli, do Supremo Tribunal Federal, as ações ON do BB subiam 3,13%.

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