O OUTRO LADO DA MOEDA
Emprego reage nos EUA e desnorteia mercados
Publicado em 11/02/2026 às 15:19
Alterado em 11/02/2026 às 15:19
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O mercado financeiro americano esperava uma pequena reação na criação de empregos em janeiro, mas o número de 130 mil novas vagas (excluída a agricultura), contra 48 mil em dezembro foi uma retumbante surpresa que superou as previsões do mercado (68 mil vagas) – foi quase o dobro – e, além de dar razão à cautela do Federal Reserve Bank, de Jerome Powell, que preferiu pausar a baixa dos juros (3,50%-3,75% em 28 de janeiro), desnorteou o mercado que reduziu de três para dois os cortes do Fed este ano, e provocou forte reação de surpresa do presidente Trump, em sua rede Truth social.
Como se sabe, Trump condena energicamente Powell, cujo mandado acaba em 15 de maio, por ser cauteloso na baixa dos juros. A Casa Branca previa baixos empregos em janeiro e até aumento no desemprego (estava em 4,4% em dezembro e caiu para 4,3% no mês passado. O principal assessor comercial de Trump, Peter Navarro, manifestou na terça-feira, em entrevista à Fox Business, a visão errada do governo Trump, que indicou Kevin Warsh para substituir Jerome Powell.
"Temos que revisar significativamente para baixo nossas expectativas em relação ao número de empregos mensais", disse Peter Navarro, à Fox.
Hoje, Trump, qual uma biruta de aeroporto, saiu comemorando o relatório do Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS na sigla em inglês):
"ÓTIMOS NÚMEROS DE EMPREGOS, MUITO MAIORES DO QUE O ESPERADO!", enquanto reiterava seus apelos para que o Fed reduzisse drasticamente os custos de empréstimo. "Somos novamente o país mais forte do mundo e, portanto, deveríamos estar pagando a MENOR TAXA DE JUROS, de longe", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
Os dados mais recentes surgem após informações privadas divulgadas na semana passada pelo grupo de serviços de emprego Challenger Gray & Christmas, que mostraram que os empregadores americanos cortaram mais vagas de emprego em janeiro do que em qualquer outro início de ano desde 2009.
Um relatório separado da empresa de processamento de folha de pagamento ADP apontou para uma contratação lenta em janeiro, com apenas 22.000 vagas criadas. “Os dados privados que antecederam este episódio contavam uma história diferente”, disse Ian Lyngen, chefe de estratégia de taxas de juros nos EUA do BMO Capital Markets. Ele acrescentou que a divergência entre esses números e os dados do BLS "provavelmente continuará sendo um assunto relevante à medida que o mercado analisa os dados".
O fato é que o mercado está dando razão a Powell e reduziu a expectativa de redução dos juros nos EUA a apenas dois cortes no segundo semestre, já com o Fed sob nova direção. No Brasil, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo disse que foi importante o Comitê de Política Monetária (Copom) esperar por dados mais sólidos nos EUA e no país para decidir o ritmo da política monetária (e da redução dos juros) em 18 de março. Mas ele não se comprometeu com 0,25% ou 0,50% de corte da Selic, hoje em 15% ao ano.
Dólar se fortalece
A provável parada na baixa dos juros nos EUA fortaleceu o dólar perante a maioria das moedas. Às 13:30 (horário de Brasília) o euro caía 0,34% frente ao dólar, e a libra baixava 0,15%. Mas a vitória da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi em seu plano de reformar a Constituição do país fortaleceu o iene, com queda de 0,63% do dólar frente à moeda japonesa. Contra o franco suíço foi o inverso, o dólar avançou 0,65%, com alta ainda de 0,38% frente ao dólar canadense.
Mas o real, assim como o dólar australiano, tinha uma boa jornada de alta. Depois de abrir cotado a R$ 5,1967, o dólar bateu no teto de R$ 5,2128, e começou a cair após a divulgação dos dados do “pay roll”. Às 13:25 o dólar caía 0,22%, cotado a R$ 5,1820, a menor cotação desde março de 2024.
Os mercados de “commodities” também reagiram à força da economia americana. O ouro voltou a subir, com alta de 0,99% e o contrato futuro do petróleo tipo Brent, para entrega em abril, apresentou valorização de 1,80%, com o barril cotado a US$ 70, também sob influência dos temores de crise entre os Estados Unidos e o Irã.