O OUTRO LADO DA MOEDA
Focus de 5 dias reduz IPCA a 3,9% e Selic a 12%
Publicado em 02/02/2026 às 15:33
Alterado em 02/02/2026 às 15:33
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A pesquisa Focus realizada semanalmente pelo Banco Central até sexta-feira e divulgada às segundas-feiras, colhe, ao longo de um mês, previsões macroeconômicas com cerca de 1150 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa. E ainda um anexo com as respostas (em universo mais reduzido) das respostas dos “últimos cinco dias úteis” sobre os mesmos temas.
Muitas vezes, os fatos mudam na semana, de modo que a mediana dos últimos cinco dias contém avaliações mais precisas que a mediana geral. Nesta última semana, a mediana de 30 de janeiro para o IPCA de 2026 caiu de 4,00% na semana anterior para 3,99%. Entretanto, depois da divulgação do IPCA-15 de janeiro, de 0,20%, abaixo das expectativas, e da redução da gasolina em 5,25 nas refinarias da Petrobras, a partir do dia 28, a mediana de 52 respostas nos últimos cinco dias úteis reduziu a expectativa da inflação do ano para 3,90%.
[Para janeiro, o mercado esperava IPCA de 0,36%, reduziu de 0,35% para 0,34% e a mediana dos últimos cinco dias, para 0,33%; para fevereiro, a taxa estava em 0,54%, caiu para 0,535 e desceu a 0,47% nos últimos cinco dias. Já para março, a taxa da mediana se manteve em 0,345, mas subiu a 0,35% nos últimos cinco dias úteis].
O dado é importante porque levou a esse grupo ser mais otimista quanto ao espaço da redução da Selic no ano, já considerando a indicação do ex-diretor do Federal Reserve Bank, Kevin Warsh, em substituição a Jerome Powell, a partir de 15 de maio, com a missão de baixar os juros americanos. Enquanto a mediana de 149 respostas apontava a Selic em 12,25% em dezembro, a mediana de 49 respostas dos últimos cinco dias úteis reduzia a Selic a 12,00%, previsão do Bradesco, de onde saiu o diretor de Política Monetária, Nilton Davi.
Por sinal, vazou a indicação, pelo ministro Fernando Haddad, do secretário de Política Econômica do ministério, Guilherme Mello, para uma das duas vagas da diretoria que compõe o Comitê de Política Monetária do BC. Mello seria ótimo na diretoria de Política Econômica, vaga com o fim de mandato de Diogo Guillen, acumulada por Paulo Pichetti, da diretoria de assuntos externos. Por sinal, a saída de Guillen será percebida com novo tom (já iniciado no Comunicado após a reunião do Copom do dia 18), na íntegra da Ata, amanhã.
Fictor: dito e feito
Domingo, na coluna “Coisas da Política”, ao citar o calote de R$ 150 milhões da Fictor na Orbitall (“fintech” de TI que processa os pagamentos da Fictor Pay), motivo que levou a empresa a solicitar bloqueio cautelar de recursos da Fictor no Tribunal de Justiça de São Paulo, alertei que o Banco Central estava de olho da empresa que foi apresentada por Daniel Vorcaro, em 18 de novembro, como proponente da compra do Banco Master em parceria com o fundo soberano Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos. Dito e feito.
A segunda-feira amanheceu com o Banco Central anunciando a liquidação do Fictor por dívidas de R$ 4 bilhões. Como se vê, o tal contrato de venda do Master para a Fictor e o Mubadala parecia mesmo obra de ficção, para Vorcaro ganhar tempo e salvar algum em Malta, que não enganou o BC.
No mesmo dia 18 de novembro, enquanto Vorcaro era detido pela Polícia Federal no aeroporto ao embarcar em seu jato particular (alegando ir a Dubai fechar os trâmites com o Mubadala, embora o plano de voo indicasse destino a Malta, paraíso fiscal do Mediterrâneo), o Banco Central deixou à margem da liquidação o Will Bank (em Raet), à espera de um comprador. Mas, a exemplo do controlador Master, os papéis e demais ativos do Will, eram um castelo de cartas, que não resistiu aos ventos.
BC aperta o cerco aos PSTIs
Em 26 de setembro de 2025, quando explodiram fraudes no Pix, por ataques de “hackers” a Provedores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI), estrutura de apoio fundamental às instituições de pagamentos e “fintechs” de pequeno porte que não dispõem, como os bancões, de estrutura própria de STI, o Banco Central baixou a Resolução 498, que previa aumento de capital progressivo e reforço estrutural das PSTIs, sob pena de descredenciamento.
Pois, diante da constatação de que a gestão de Roberto Campos Neto (deixou o BC em 2025 e ingressou em julho na diretoria do Nubank) foi muito leniente na autorização à abertura de “fintechs” e no credenciamento no BC de PSTI com baixa estrutura organizacional e de capital, o Banco Central decidiu sexta-feira, 30 de janeiro, na Resolução 547, estabelecer em R$ 15 milhões o capital mínimo das PSTIs autorizadas a operar.
O novo prazo para a integralização do capital é de “oito meses”. Ou seja, a partir de 30 de setembro, “podendo o Banco Central do Brasil exigir montante superior, proporcional ao volume de operações, à quantidade de clientes e ao perfil de risco do PSTI”. O BC e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) prometem ser rigorosas no exame das qualificações técnicas dos gestores de TI, que terão licenças de quatro anos, passíveis de renovação.
A Resolução 547 é assinada pelos diretores Gilneu Francisco Vivan, de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, que está acumulando a diretoria de Regulação, de Ailton de Aquino Santos, de Fiscalização, e Rodrigo Alves Teixeira, de Administração. Os três foram nomeados no governo Lula e os dois primeiros na gestão de Gabriel Galípolo.
As 'bets' faturam muito e pagam pouco
Levantamento da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda , revela que as 79 empresas de jogos on-line e apostas esportivas, as “bets” devidamente reguladas na Receita Federal tiveram uma receita bruta de R$ 37 bilhões em 2025, colhida junto a 25,2 milhões de apostadores. Deste valor, conforme a nova legislação aprovada pelo Congresso, as “bets” reservaram 12% (R$ 4,4 bilhões) para o pagamento sobre o GGR (Gross Gaming Revenue). A quantia foi engordada com o pagamento com IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica), CSLL (Contribuição sobre o Lucro Líquido), PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), como têm de fazer todas as empresas.
A partir deste ano a alíquota sobra a receita de apostas sobe a 13% um acréscimo de R$ 850 milhões de arrecadação até chegar em 15% em 2028. Acontece que, assim como o jogo do bicho que entrou na era eletrônica, levantamento da Receita Federal para a SPA indica que o jogo campeia livre com milhares de sites ilegais de “bets” que não pagam impostos e são risco para os que tentam fazer a fezinha.
Para se ter uma ideia do volume da ilegalidade, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) bloqueou 25.000 sites ilegais de apostas esportivas e jogos “on-line” em 2025 a pedido da SPA. Jogo é um risco, e o em site ilegal é total.