O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Com pausa do Fed, dólar sobe e ouro cai

Publicado em 29/01/2026 às 16:05

Alterado em 29/01/2026 às 16:05

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No dia seguinte à decisão do Federal Reserve Bank, de pausar o processo de queda dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% e indicar a possibilidade de fazer apenas dois cortes de 0,25 pontos percentuais (e não três como esperava o mercado), mesmo com a ressalva do dois membros fieis ao presidente Trump, Stephen I. Miran (nomeado pelo presidente em 2025) e Christopher J. Waller (cotado a suceder Jerome Powell, em 15 de maio) que votaram por conte de 0,25%, o dólar subiu nos mercados de moedas e os metais caíram inversamente.

Enquanto o dólar se valorizava ante o euro e a libra (as duas moedas caíram, respectivamente, 0,205 e 0,22%), e o real também era afetado, com o dólar subindo a R$ 5,2362, às 12:30 (horário de Brasília), com alta de 0,82%, no contrato de ouro, que chegou a ser negociado na véspera na Nymex a US$ 5,416, as cotações do contrato para entrega em abril despencaram rapidamente para US$ 5,204, com baixa de 1,87%. Já o contrato da prata registrava queda de 2,92% por volta das 12:40.

De qualquer forma, as cotações futuras do ouro mostram alta em todos os vencimentos nos próximos dois anos, o que reforça a tendência dos Banco Centrais, inclusive o do Brasil de reduzir a posição das reservas em dólar e aumentar as posições em ouro e em yuan. No caso do Brasil, a China é responsável pela compra de quase 30% das exportações brasileiras. Enquanto o real se valorizou mais de 12% contra o dólar nos últimos 12 meses, enquanto o yuan se valorizava 4,36%

Apostas divididas sobre a Selic

Já no mercado brasileiro, após o Comitê de Política Monetária (Copom) manter em 15% a taxa Selic e adiantar a próxima queda para a reunião de 118 de março, as apostas estão divididas quanto a um corte inicial de 0,25% a 0,50%.

O Bradesco e o Comitê Consultivo da Anbima apostam em queda inicial de 0,50%. Mas, enquanto o banco da Cidade de Deus ainda prevê queda da Selic até 12% em dezembro. Os economistas que integram o comitê da Anbima também apostavam até 12,00%, mas revisaram a aposta para 12,50% após as indicações de moderação no Fed e do adiamento do 1º corte para março.

Já o Itaú espera 0,25% em março e prevê que a Selic feche o ano em 12,75%.

Contas fiscais do governo fecham em 0,1% do PIB
As apostas no início do ano passado eram assustadoras. O Brasil teria déficit público primário consolidado (receitas menos despesas, sem contar os juros da dívida, que é o X da questão) de 0,8% a 1,00% do PIB, que cresceria menos. O resultado final, com as contas dos estados e municípios e suas estatais, será divulgado nesta sexta-feira, 30 de janeiro pelo Banco Central.

Mas, o Tesouro Nacional e o Ministério da Fazenda divulgaram hoje o resultado primário do governo Central (administração federal, + Banco Central e INSS) e os números frustraram as previsões pessimistas.

O governo Lula informou ter alcançado um resultado fiscal em 2025 compatível com a meta de déficit zero estipulada para o ano, após excluir da conta R$ 48,7 bilhões em gastos que não serão contabilizados na apuração do resultado, como, despesas com precatórios, aludas emergenciais a estados e municípios, ressarcimentos a aposentados e algumas despesas de saúde, educação e defesa.

Retiradas estas despesas, previstas no Arcabouço fiscal, dados do Tesouro Nacional mostram que o governo central fechou o ano com um déficit de R$ 13,008 bilhões, ou 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Desse modo, o resultado após as deduções cumpre a meta de déficit primário zero, que tem uma tolerância de até 0,25 ponto percentual do PIB.

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