O OUTRO LADO DA MOEDA
2026 larga com inflação mais branda
Publicado em 27/01/2026 às 14:52
Alterado em 27/01/2026 às 14:52
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A alta de apenas 0,20% no IPCA-15 de janeiro, divulgada esta terça-feira pelo IBGE, ficou abaixo das expectativas do mercado (em torno de 0,23%) e foi inferior aos 0,25% do IPCA-15 de dezembro. O número, conjugado à redução de 5,2% no preço de venda da gasolina nas refinarias da Petrobras às distribuidoras, a partir de hoje, cria ambiente mais brando para a inflação de 2026. A gasolina é o item (entre os 377 pesquisados pelo IBGE) com maior peso no IPCA (5,2%). No IPCA-115 subiu 1,01% devido ao reajuste do ICMS e contribuiu com o,o5 ponto percentual na taxa de 0,20% (25% da inflação).
Como a inflação foi de apenas 0,16% em janeiro de 2025, e a taxa em 12 meses está em 4,26%, só se o IPCA cheio superar os 4% haveria estouro do teto de 4,50% em 12 meses. As projeções do IPCA estão entre 3,0% e 3,4%.
O bom resultado, divulgado no primeiro dos dois dias de reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), pode suscitar mudança de visão sobre a política de juros a médio prazo. É o Copom terá apenas seis diretores e mais o presidente Gabriel Galípolo, devido ao fim dos mandatos, em 31 de dezembro, de Diogo Guillen da diretoria de Política Econômica (Dipec) e de Renato Brito Gomes da diretoria de Organização do Sistema Financeiro (Diorf).
A Dipec está sendo acumulada pelo economista Paulo Pichetti, diretor da Área Externa. Por seu perfil de especialista em contas nacionais, no Ibre da FGV, Pichetti sempre foi cotado a ocupar a diretoria de Política Econômica, exercida por Guillen de abril de 2022 a dezembro de 2025, o que poderá ocorrer com a indicação das duas vagas na diretoria. Já a Diorf (onde Brito Gomes resistiu a fusão do Banco Master com o BRB, vetada em setembro pelo Banco Central), está sendo acumulada pelo diretor de Normas, Gilneu Vivan.
Pichetti pode ajudar o Banco Central a ser mais preciso nas projeções de inflação e demais indicadores macroeconômicos divulgados trimestralmente no Relatório de Política Monetária (ex-Relatório Trimestral de Inflação). No ano passado, o BC errou no PIB: previa alta de 1,9% no RPM de março (a última previsão é de 2,3%); ainda em dezembro previa IPCA de 4,4% (deu 4,26%) e previa saldo comercial de US$ 64 bilhões (deu US$ 59,9 bilhões) e déficit em conta corrente de US$ 60 bilhões (deu -US$ 68,8 bilhões).
Fatores prós e contras
Uma das consultorias que praticamente acertou a previsão do IPCA-15 foi a 4Intelligence, que previu 0,21%. Na decomposição da inflação a Alimentação e Bebidas subiu 0,31%, com alta de 0,21% na Alimentação em domicílio, puxada pelas altas de tomate (16,2%, que contribuiu com 0,03 ponto percentual) da batata-inglesa (+12,74%, ou 0,02 p.p.) e das carnes, que subiram 1,32%. Na ponta das baixas, a queda de 2,91% na energia elétrica residencial, pela troca da bandeira amarela em dezembro para a verde em janeiro, reduziu em 0,12 p.p. a pressão sobre o IPCA e fez o grupo Habitação cair 0,26%.
O segundo maior impacto veio da queda de 8,92% em passagem aérea (impacto de -0,07 p.p.), que, junto com aa queda de 2,79% em ônibus urbano, devido à gratuidade das passagens aos domingos em Belo Horizonte, compensou a alta da gasolina e fez o grupo Transporte ter baixa de 0,13%.
Do lado das altas, o destaque foi o aumento de 0,81% em Saúde e cuidados pessoais (+0,11 p.p), devido à alta de 1,38% (+0,05 p.p.) em artigos de higiene pessoal, após queda de 0,78% de dezembro, e a alta de 0,49% em plano de saúde (+,02 p.p. de impacto). Com alta de 0,73%, o grupo Comunicação registrou a segunda maior variação, com influência do subitem aparelho telefônico que subiu 2,57% no mês.
Previsões para a Selic
O economista Luiz Otávio Leal, da G5 Partners, destaca que os indicadores do mercado de serviços [que funciona como termômetro do mercado de trabalho] mostraram que os “serviços subjacentes” ficaram praticamente estáveis, passando de 0,52% para 0,53%. Já a média móvel trimestral anualizada e dessazonalizada, métrica que dá a direção do movimento do acumulado em 12 meses, teve desacelerações e algumas acelerações: o Índice geral passou de 1,98% para 2,48%, os ‘Bens industriais’ de 0,20% para 1,94%, a ‘média dos núcleos’ de 3,78% para 3,70% e os ‘Serviços subjacentes’ de 5,24% a 5,16%.
Leal sublinha que, “no acumulado em 12 meses dos ‘Serviços subjacentes’, o grande calcanhar de Aquiles da inflação brasileira, os preços desaceleraram de 6,04% para 5,59% - o menor patamar desde novembro de 2024”.
Já Felipe Salto, da Warren Investimentos, diz que, após a leitura do IPCA-15, “no cenário revisado, projetamos o início do ciclo de flexibilização na reunião de março, com um corte inicial de 50 pontos-base, [para 14,50%] seguido de reduções sucessivas que encerrariam o ano em 12%.
No entanto, caso os riscos inflacionários se materializem e a pressão do mercado de trabalho persista [daí a importância dos serviços], o ajuste agregado pode ser menor, com o Banco Central reduzindo a taxa em 200 pontos-base, em vez dos 300 inicialmente previstos”.
Neste caso, em vez da Selic fechar em 12,00%, como prevê o Bradesco, estaria fechando o ano em13,00%. O Itaú, que espera corte de 0,25 p.p. na reunião de 18 de março do Copom, está prevendo a Selic terminal em 12,75%.