O OUTRO LADO DA MOEDA
Contas externas melhoram em 2025
Publicado em 26/01/2026 às 15:18
O ex-ministro Mário Henrique Simonsen advertia: “A inflação aleija, mas o balanço de pagamentos mata”, para destacar a importância das contas externas. Todas as vezes em que elas se deterioraram, houve crise cambial e o país teve de recorrer ao FMI (governos Figueiredo e FHC). Por sinal, a pesquisa Focus reduziu para 4,00% a projeção do IPCA deste ano (3,99% na mediana das respostas dos últimos dias úteis.
O mercado não espera redução da Selic (hoje em 15,00% ao ano) na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) nesta quarta-feira, após o Federal Reserve indicar a direção dos juros nos Estados Unidos, três horas antes (15 horas, horário de Brasília). O mercado prevê que a Selic feche o ano em 12,25%
Pois os dados do Balanço de Pagamentos de 2025 divulgados hoje pelo BC, apesar da redução do saldo comercial em US$ 5,890 bilhões, devido aos impactos do tarifaço do governo Trump no comércio mundial, mostraram folga na cobertura do déficit em conta corrente (balança comercial+serviços+renda de capital), de US$ 68,791 bilhões, pelo ingresso líquido de investimentos diretos no país (IDP) de US$ 77,676 bilhões.
Entretanto, vale frisar que enquanto o IDP aumentou US$ 3,585 bilhões no ano passado, a saída de capitais brasileiros para investimentos (embora de menor monta) teve volume maior: US$ 3,837 bilhões. Outro dado importante é que a posição de reservas, depois de ter caído a US$ 529,730 bilhões, em dezembro de 2024, fechou 2025 com US$ 358,234 bilhões.
Além da piora da balança comercial, as contas de serviço (viagens; transportes; aluguel de equipamentos; serviços de tecnologia, computação e informações; e serviços de propriedade intelectual tiveram aumentos de gastos – no caso do turismo, mesmo com recorde de visitantes estrangeiros que gastaram o recorde de US$ 7,8 bilhões – foram mais negativas.
Entretanto, o governo Lula conseguiu economizar quase US$ 5 bilhões com a decisão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de fechar o cerco sobre as “bets” e obrigar as casas de apostas (desde janeiro de 2025) “a tornarem-se empresas residentes, fazendo com que as transações de apostas deixassem de fazer parte do balanço de pagamentos". Em 2024, as “bets” geraram déficit de US$ 4,783 bilhões, transformado em superávit de US$ 176 milhões em 2025 (uma redução total de US$ 4,959 bilhões nas despesas líquidas de serviços culturais pessoais e recreativos).
Nessa comparação anual, cita o Banco Central, “houve aumentos das despesas líquidas de serviços de propriedade intelectual, US$ 2,5 bilhões; viagens, US$ 1,5 bilhão; e serviços de telecomunicação, computação e informações, US$ 941 milhões".
