O Outro Lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA

Varejo e serviços clamam por queda de juro

Publicado em 15/09/2023 às 14:00

Os resultados de julho, do varejo e do setor de serviços, após a inflação de agosto, também revelada pelo IBGE, mostrar desaceleração, sobretudo nos preços dos serviços, estão mandando um recado ao Comitê de Política Monetária do Banco Central, que se reúne na próxima 3ª e 4ª feira para decidir nova queda de juros. O “script” prevê nova baixa de 0,50 ponto percentual para 12,75%. Mas, o cenário doméstico, conjugado ao cenário internacional de parada na escalada de juros do Euro (BCE) e do dólar (Fed), sugere que o Copom podia acelerar a baixa para 0,75 p.p. este mês para impulsionar as vendas no último trimestre do ano, sem gerar repiques inflacionários.

Em julho, o varejo restrito teve avanço de 0,7% no volume de vendas (+0,1% em junho), sob influência da demanda, na volta às aulas, de equipamentos e material para escritório informática e comunicação (+11,7%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (+8,4%), e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+0,3%). Já nas vendas do varejo ampliado e dos bens que dependem de crédito, houve baixa pronunciada. A média móvel trimestral, após recuo de 0,2% no trimestre encerrado em junho, variou 0,1% no trimestre findo em julho. No ano, ante o mesmo período do ano anterior, houve alta de 1,5%. Em 12 meses, o volume de vendas no comércio acumula expansão de 1,6%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje (15) pelo IBGE. A PMC também mostra que, frente a julho de 2022, julho de 2023 teve alta de 2,4%, a 2ª seguida nessa comparação.

Após o fim dos incentivos à compra de automóveis as vendas do segmento caíram 6,2%. As vendas do vestuário e calçados recuaram 2,7% e as vendas de móveis e eletrodomésticos caíram 0,9%. Como resultado final, o varejo ampliado encolheu em 0,3% em julho. Ao analisar a queda de 0,3% no varejo ampliado (+6,6% a/a), divulgada nesta 6ª feira pelo IBGE, o departamento de estudos Macroeconômicos do Itaú atribuiu o recuou à “devolução nas vendas de automóveis” e frisou que “apesar da resiliência do setor de serviços (que cresceu 0,5% em julho), estima uma queda nas vendas tanto do varejo restrito quanto do ampliado em agosto, diante da desaceleração da renda disponível” [eu acrescento na falta de crédito, já que os juros estão altos, para facilitar as compras de maior valor].

Com o dado do comércio, o Itaú considera que o carrego estatístico para o 3º trimestre ficou em 0,6% (índice restrito) e 0,4% (índice ampliado). Neste caso, a projeção do PIB do 3º trimestre “atingiu -0,2% em relação ao 2º (e +1,8% em frente ao 3º trimestre de 2022.

Receita de Serviços cresce 0,5%

Foi a 3ª alta consecutiva na margem. Os serviços prestados às famílias aumentaram 1,0% entre junho e julho, puxado pelo desempenho forte da atividade de alojamento e alimentação, que cresceu 1,8% no período. Os serviços prestados às famílias vêm se beneficiando do quadro macroeconômico pautado pela resiliência do mercado de trabalho, pela forte queda da inflação de alimentos e pelo aumento da confiança do consumidor.

Assim, o setor que é o mais importante do PIB, deverá seguir apresentando números robustos no curto prazo, embora a um ritmo menor do que o observado nos últimos meses. Cabe destacar o avanço da receita real do grupo de transportes, puxado pelo transporte rodoviário de cargas, que cresceu 20,8% em termos interanuais em julho, estimulada pelo escoamento da boa colheita de grãos, em especial pela 2ª safra de milho. Até o fim do ano, no entanto, a expectativa é de que o estímulo proveniente da produção agrícola diminua, trazendo um viés de baixa para a receita do grupo de transportes.

Já outras atividades, mais sensíveis à demanda das empresas, parecem sentir de forma mais relevante o impacto dos juros altos e da desaceleração da atividade econômica. É o caso, por exemplo, dos serviços de apoio às atividades empresariais, que recuaram 0,9% entre junho e julho e dos serviços audiovisuais, que tiveram queda mensal de 1,6%. No curto prazo, as condições financeiras deverão seguir apertadas, o que limitará o aumento da receita nesses setores. Para agosto, a LCA Consultores está projetando que o setor de serviços deva ter assinalado crescimento interanual de 1,9%, desacelerando frente a julho. Na margem, espera que o setor mostre leve queda de 0,1% de julho para agosto

BCE e Fed dão parada técnica nos juros

Com o último aumento de 0,25 p.p. o Banco Central Europeu sinalizou o fim do ciclo de altas nesta 5ª feira. Ao justificar a decisão, a presidente do BCA, Christine Lagarde, observou que, apesar de não ser definitiva a parada, a medida é um “sólido reconhecimento de que o estágio atual da política monetária se encontra em patamar restritivo, e que a estratégia de manter os juros inalterados, durante algum tempo, pode ser adequada”.

Para o Departamento de Pesquisas e Estudos Macroeconômicos do Bradesco, “a comunicação do BCE e as condições atuais e esperadas da economia são compatíveis com o encerramento do ciclo de altas de juros, que devem permanecer inalterados até o 2º trimestre do ano que vem, quando projetamos início dos cortes”.

O mesmo cenário – de esperar para ver as reações na economia real - deve ser seguido pelo Federal Reserve Bank, que já admitiu a parada técnica. Isso dá mais garantia para o Copom baixar a Selic sem risco de surpresas no fluxo cambial.

Façam suas apostas

A Câmara dos Deputados aprovou ontem, 4ª feira, em votação simbólica, o projeto de lei que regulamenta a tributação das apostas esportivas e outros jogos online. As "bets" pagarão 18% sobre a receita bruta dos jogos subtraídos dos prêmios pagos aos apostadores. A outorga concedida às empresas para exploração do setor de apostas, que precisam ter sede no Brasil, terá duração de até cinco anos, com valor limitado a R$ 30 milhões.

O parecer aprovado prevê que a tributação para apostadores será feita a cada prêmio. Haverá uma faixa de isenção para pessoa física, de R$ 2.112. Acima desse valor, incidirá uma alíquota de 30% de Imposto de Renda. As taxações das apostas fazem parte do conjunto de medidas para elevar receitas e cumprir a meta de déficit zero no ano que vem. De acordo com o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), o governo espera arrecadar em torno de R$ 700 milhões com a regulamentação das apostas esportivas, mas estimativas internas calculam que o montante possa chegar a R$ 12 bilhões em um mercado totalmente regulado.

Como toda receita cria sua despesa, os deputados aprovaram que a arrecadação gerada pela taxação sobre os operadores será dividida da seguinte maneira: 2% para a seguridade social; 1,82% para educação; 2,55% ao Fundo Nacional de Segurança Pública; 6,63% para a área do esporte, sendo 4% para o Ministério do Esporte; 5% para a área do turismo, sendo 1% para a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur); e 4% para o Ministério do Turismo. O projeto segue para o Senado.

Uma terra sem lei

A autorização para a operação das apostas esportivas no Brasil foi concedida no apagar das luzes do governo Michel Temer, mas jamais foi regulamentada nos quatro anos do governo Bolsonaro, o que tornou a atividade uma fonte de fraudes fiscais e de evasão de divisas, além de incentivar a corrupção nos meios esportivos, como revelou o escândalo da série B do Brasileirão 2022, que atingiu jogadores na primeira divisão e até de jogadores da seleção.

Terra de ninguém, sem controle fiscal e do dinheiro circulante que não recolhe imposto algum ao Fisco, o território das Bets, a maioria sediada em paraísos fiscais do exterior, se transformou em ponto de lavagem de dinheiro de empresários brasileiros em conluio com a máfia internacional. Em boa parte, os sites de apostas esportivas (de propriedade de brasileiros ou estrangeiros) estão sediados em Curaçao (no Caribe) ou na Ilha de Malta (no Mediterrâneo, com ramificações em paraísos fiscais como Luxemburgo e nas ilhas britânicas do Canal da Mancha que são isentas de tributação.

Se gritar vai pra prisão...
A propósito das primeiras condenações do Supremo Tribunal Federal aos participantes dos atos golpistas de 8 de janeiro, que por enquanto está pegando os bagrinhos que aaturam na linha de frente, como bucha de canhão para provocar o caos e assim suscitar a intervenção das forças armadas sob o pretexto da Garantia da Lei e da Ordem (a famigerada GLO), que foi ignorada por Lula e pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, que decidiu pela intervenção na Segurança Pública do Distrito Federal, há um grupo de oficiais que se arrepia em ouvir a nova paródia do saudoso Bezerra da Silva.
Na campanha de 2018, o general Augusto Heleno, ex-ministro do GSI, fez blague com os versos "Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão", trocando ladrão por Centrão. No governo, acabou dividindo ministérios com líderes do Centrçao. Pois agora, a rima que assusta os golpistas é: "se gritar vai pra prisão"...

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