O OUTRO LADO DA MOEDA
Sem agro, PIB salta 0,9% e sobe 2,7% no ano
Publicado em 01/09/2023 às 13:06
Gilberto Menezes Cortes CPDOC JB
Passado o impacto positivo da agropecuária (alta de 21% no 1º trimestre e encolha de 0,9% no 2º período trimestral, sem a colheita da soja), os demais setores que compõem o Produto Interno Bruto (PIB) mostraram força e superaram largamente as previsões do mercado, crescendo 0,9% no 2º trimestre (1,8% nos dados revistos do 1º). No semestre, a alta, de 3,7%, garante, no PIB acima de 3,1%, as projeções de arrecadação do Orçamento para 2023.
No 2º trimestre, o PIB foi puxado pelo avanço de 0,9% na Indústria, sob a liderança das indústrias extrativas (+1,8%), em especial com o aumento de na produção de petróleo e gás, que cresceu 8,8% frente ao 2º trimestre de 2022. A nova política de preços da Petrobras, com uso mais intenso dos insumos nacionais em substituição ao sistema de paridade de preços internacionais, que privilegiava as importações de derivados, estimulou tanto a maior produção de petróleo e gás, como recordes na produção das refinarias.
Nas indústrias, também cresceram a Construção (0,7%) a atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (0,4%). O pior desempenho foi da Indústria de Transformação, que cresceu apenas 0,3%.
Nos Serviços, os resultados positivos foram de: Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (1,3%), Outras atividades de serviços (1,3%), Transporte, armazenagem e correio (0,9%), Informação e comunicação (0,7%), Atividades imobiliárias (0,5%), Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,4%) e Comércio (0,1%).
Pela ótica da despesa, a Despesa de Consumo das Famílias (0,9%) e a Despesa de Consumo do Governo (0,7%) cresceram, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo (0,1%) ficou estável em relação ao trimestre anterior.
O setor de serviços (que representa 68,2% do PIB) registrou sua 12ª alta trimestral seguida com avanço de 0,6% sobre o 1º trimestre. Como retrato do impacto das altas taxas de juros, o segmento de serviços que mais cresceu no 1º trimestre, foi o de atividades financeiras, seguros e previdência, com 1,3%. No lado oposto, o pior desempenho foi do comércio (com alta de apenas 0,1%), devido à fuga dos consumidores aos riscos de endividamento a juros recordes.
Com o início da queda da Selic, em agosto, movimento que deve ter continuidade na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central em 20 de setembro, espera-se que a baixa dos juros no crédito bancário dê um pouco mais de fôlego nas vendas do comércio no 3º trimestre, em especial nas datas do Dia das Crianças, na “Black Friday” e no Natal, o que garantiria a continuidade do crescimento.
Na visão do IBGE a forte queda da inflação, sobretudo dos alimentos em domicílio, por influência da supersafra de grãos, que reduziu os preços dos cereais, do óleo de soja, das carnes bovinas e suínas e os preços das aves e ovos, conjugada com as políticas públicas de reforço da renda dos trabalhadores pelos reajustes nos programas de distribuição de renda, pela melhora no mercado de trabalho e aumento do crédito, em termos reais, gerou um aumento de 0,9% no consumo das famílias em relação ao 1º trimestre e de de 2022. O consumo do governo teve aumento de 0,7% e a Formação Bruta de Capital Fixo avançou apenas 0,1%.
No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços cresceram 2,9% e as Importações de Bens e Serviços +4,5% em relação ao 1º trimestre de 2023.
No 1º semestre, o PIB aumentou 3,7%. Os três grandes setores cresceram no período: agropecuária (17,9%), indústria (1,7%) e serviços (2,6%). Já nas atividades industriais, os destaques foram as indústrias extrativas (8,2%), a eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (5,6%) e a construção (0,9%). As indústrias de transformação (-1,3%) caíram no mesmo período.
Nos serviços, os setores que cresceram foram: atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (5,8%), informação e comunicação (5,3%), transporte, armazenagem e correio (4,2%), outras atividades de serviços (3,3%), atividades imobiliárias (2,8%), administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (1,0%) e comércio (0,9%).
Com o avanço de 3,7% no 1º semestre do ano, a atividade econômica opera 7,4% acima do patamar pré-pandemia, referente ao 4º trimestre de 2019, e atinge o ponto mais alto da série. O 2º maior patamar é o do 1º trimestre. Trimestrais, divulgado hoje (1º) pelo IBGE.
Como o PIB pode ajudar o Orçamento
Os dados de forte crescimento do PIB, mesmo após o impacto positivo da colheita da supersafra agrícola no 1º trimestre, reforçam as expectativas de que as previsões do governo de crescimento das receitas fiscais, pelo aumento do PIB e pela inflação, possam ser cumpridas no Orçamento 2024 entregue ontem ao Congresso.
De qualquer forma, o governo preparou um arsenal de reforços nas receitas que pode compensar eventuais perdas de arrecadação nos ajustes da reforma tributária, que pretende simplificar os diversos impostos sobre o consumo (enfeixados no IVA binário), com avanço sobre a renda dos mais ricos.