Itaú prevê dólar menor e Selic em 3,50% em 2021

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O Departamento de Análises Econômicas do Itaú Unibanco, maior banco privado brasileiro, divulgou nesta 2ª feira suas projeções para a economia brasileira em 2020 e até 2022. Diante das pressões inflacionárias recentes (alimentos, energia elétricas e preços administrados), o Itaú elevou a previsão do IPCA deste ano de 4,3% para 4,4%, e a de 2021, de 3,1% para 3,3%, nível mantido para 2022.

Embora as pressões inflacionárias sejam consideradas “pontuais” e não “estruturais”, o Itaú espera “a taxa Selic estável em 2,00% a.a. até meados de 2021, com alta para 3,50% até o final daquele ano (ante 3,0%)”. Mas ressalta que “o risco de alta da Selic no primeiro semestre permanece”, o que deve manter o “Banco Central vigilante quanto a novas surpresas de inflação”.

O mercado, na mediana da pesquisa Focus apurada pelo BC na 6ª feira e divulgada hoje, espera que a Selic fique em 3% em dezembro de 2021, nível previsto pelo Santander e o Safra, com altas no 2º semestre. Mas o Bradesco prevê que a taxa possa chegar a 4%, já com o movimento de alta iniciado no 1º semestre.

Dólar em queda esfria a inflação

Mas a recuperação do valor do real diante do dólar (que se enfraqueceu em todo o mundo) é a boa notícia trazida pelo Itaú, que reduziu “a projeção de taxa de câmbio para R$ 4,75 por dólar em 2021 (ante 5,00), refletindo o cenário global mais benigno para ativos de risco e a redução da incerteza fiscal”.

A taxa de R$ 4,75 foi mantida para 2022. Isso pode ajudar a “esfriar” a inflação, pois a escalada do dólar foi um dos fatores a pressionar os alimentos (com as safras destinadas em massa à exportação) e as tarifas de energia elétrica e os combustíveis (que têm o barril de petróleo do tipo Brent em alta recente, mas cotado abaixo de US$ 50 até 2028).

Na Pesquisa Focus, a mediana das expectativas para o final deste ano caiu de R$/US$ 5,22 para R$/US$ 5,20 e, para 2021, foi reduzida de R$/US$ 5,10 para R$/US$ 5,03.

Covid-19, ainda a incógnita

O banco, que acompanha a evolução da covid-19 no mundo, assinala a incógnita trazida para a economia global e para o Brasil decorrente dos “sinais de uma segunda onda de Covid-19, com alta no número de óbitos diários e nas hospitalizações”. E considera que “apesar do cenário ainda desafiador”, o “teto de gastos deve ser cumprido nos próximos anos”.

O Itaú espera déficits primários (receitas menos despesas, sem considerar os custos da dívida pública) de 10,6% do PIB em 2020 (ante 11,7% no cenário anterior), 2,1% do PIB em 2021 (ante 2,5%) e 1,5% do PIB em 2022. Segundo o Depec Itaú “a revisão da projeção de curto prazo reflete surpresas [positivas] do lado das receitas e resultados em estados, municípios e estatais”.

PIB de 2021 mantido em +4%, ”com viés de alta”

A divulgação, no dia em que o Banco Central anunciou o IBC-Br (que é uma avaliação aproximada do PIB medido trimestralmente pelo IBGE) de outubro, que subiu 0,86% frente a setembro, mas abaixo das previsões do mercado até +1,3% (Bradesco e Itaú esperavam +1,10%), reforçou a expectativa de continuidade da recuperação econômica. O Itaú assinada que o PIB do 3º trimestre (julho a setembro), com “recuperação significativa [7,7%] ante o 2º trimestre, reforça a expectativa de crescimento. Mas o banco manteve projeção de queda de 4,1% no PIB deste ano e de taxa positiva “de 4,0% para 2021, com viés de alta. Para 2022, projetamos crescimento de 2,5%”, diz o Itaú.

Na pesquisa Focus, o mercado espera contração de 4,41% para o PIB deste ano (ante 4,40% na leitura anterior) e manteve a expectativa de crescimento de 3,5% para o ano que vem. Em relação ao IPCA, a mediana das projeções para 2020 passou de 4,21% para 4,35%, enquanto para 2021, permaneceu em 3,34%. Para a taxa de câmbio, a mediana das expectativas para o final deste ano caiu de R$/US$ 5,22 para R$/US$ 5,20 e, para 2021, foi reduzida de R$/US$ 5,10 para R$/US$ 5,03.

Bradesco vê Serviços puxando o PIB

Ao analisar o crescimento de 1,7% no setor de serviços em outubro, o Departamento Econômico do Bradesco considerou o resultado “compatível com expansão do PIB neste 4º trimestre. Depois de lembrar que a 5ª alta consecutiva, surpreendeu positivamente, diante dos 1,2% esperados pelo mercado (o Depec Bradesco era mais otimista e esperava +1,4%), aponta o destaque positivo em “serviços prestados às famílias”, que refletiram a maior flexibilização das medidas de distanciamento social no período e a consequente retomada da demanda por serviços de restaurantes, hotéis e alojamentos.

O Bradesco prevê “nova elevação do indicador em novembro, diante da saturação no consumo de alguns bens e realocação de parte do orçamento familiar para serviços”. Mas adverte que, para dezembro, “o aperto marginal das medidas restritivas por conta do avanço da pandemia pode impactar o setor, com alguma desaceleração ou ligeira queda”.

O setor de serviços, que representa 73% do PIB, embora tenha expressiva evolução no desempenho do comércio (que pesa em torno de 14% no PIB), ainda apresenta recuperação mais lenta no ano devido ao distanciamento social mais prolongado nas atividades de bares, restaurantes e turismo.

No acumulado do ano enquanto o PIB teve queda de 3,4% no 3º trimestre, o setor de serviços registrou queda de 3,5% frente aos três primeiros trimestres do ano passado, mesmo nível de desempenho da indústria. Em boa parte, o desempenho tem a ver com a contração de 4,1% no consumo das famílias.