PIB + 7,7%: retomada parcial em V sugere voo de galinha

Retração de 9,6% no 2º trimestre deixa ano 3,4% negativo

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O Produto Interno Bruto (PIB do 3º trimestre (julho a setembro) cresceu 7,7% em relação ao 2º trimestre com ajuste sazonal, registrando queda de 3,9% ante o mesmo período de 2019. O número foi pior que os -3,1% previstos pelo Itaú e os -3,5% da média do mercado, devido à revisão (para mais) no PIB de 2019 promovida pelo IBGE (de + 1,1% para +1,4%), com alta de 0,7 pontos percentuais no 3º trimestre de 2019.

Apesar de os dados do IBGE indicarem uma recuperação em forma de “V” no setor de bens (sobretudo na indústria de transformação, que avançou 23,7% no trimestre, com 14,8% na indústria em geral, e no varejo, que cresceu 15,9%), o segmento de serviços (o de maior peso no PIB – 73% em 2019) ainda impactado pelo isolamento social também cresceu, liderado pelo comércio, serviços financeiros e serviços imobiliários, mas com ritmo mais lento: +6,3%.

Olhando num horizonte mais longo, que abarca praticamente este milênio, nota-se que repete-se a recuperação em V da economia, como ocorreu em 2008-2010, mas em outro patamar. Ainda estamos longe de voltar aos níveis anteriores à recessão de 2015-16, no 2º governo Dilma. E no 3º trimestre de 2020 a queda é de 3,4% em quatro trimestres acumulados.

   

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... (Foto: Fonte: IBGE)

O formato em V da recuperação econômica pode desacelerar neste 4º e último trimestre. Os indicadores da indústria em outubro mostraram leve desaceleração para +4,7% na produção de veículos. E os indicadores de vendas em novembro pela Fenabrave (a associação dos revendedores) aponta aumento de 4,65% sobre outubro, mas queda de 7% ante igual mês de 2019.

Do lado da demanda agregada, observamos fortes recuperações tanto do consumo quanto do investimento. As exportações diminuíram 2,1% após crescerem no 2º trimestre de 2020. As importações ainda caíram substancialmente (-9,6%) no 3T20, mas devem se recuperar neste 4º trimestre com a queda do dólar que barateia as importações e pelo próprio ciclo de compras de insumos para a indústria, para atender à demanda do comércio no fim de ano.

Itaú prevê queda de 4,1% em 2020 e alta de 4% em 2021

O Departamento de Estudos Econômicos do Itaú está projetando que o PIB do 4º trimestre cresça 2,9% na variação trimestral com ajuste sazonal (-1,5% no comparativo interanual).

Com isso, o banco manteve a projeção de queda de 4,1% do PIB em 2020 como um todo.

Para o próximo ano, o Itaú projeta crescimento de 4,0% do PIB. “O setor de serviços (ainda em níveis substancialmente baixos) provavelmente ganhará força no próximo ano, especialmente quando a epidemia desacelerar mais claramente e o Brasil começar a vacinação”, acredita o Itaú.

Mas a recuperação segue sendo em voo de galinha. Com fôlego curto, que mal repõe as perdas do ano anterior.



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