Itaú perde em lucro para o Bradesco por diferença de R$ 1 milhão

O Itaú Unibanco Holding, que abarca as filiais da América Latina (Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Colômbia) teve lucro de R$ 5,030 bilhões

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Foi por pouco, mas o Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil desde a fusão com o Unibanco em fins de 2008, perdeu em lucratividade para o Bradesco no 3º trimestre, devido ao aumento de custos, com provisões e indenizações de pessoal. No resultado apresentado hoje após o fechamento dos mercados no Brasil e nos Estados Unidos, onde tem ações negociadas, o Itaú Unibanco Holding, que abarca as filiais da América Latina (Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Colômbia) teve lucro de R$ 5,030 bilhões (+ 19,6% sobre o 2º trimestre e queda de 37,6% frente ao 3º trimestre de 2019). Uma diferença a menos de R$ 1 milhão frente aos R$ 5,031 bilhões do Bradesco.

Macaque in the trees
... (Foto: Reprodução)

Entretanto, segregando apenas as operações no Brasil, o lucro líquido recorrente do Itaú Unibanco no 3º trimestre foi de apenas R$ 4,844 bilhões. Ou R$ 187 milhões inferior ao do banco da Cidade de Deus. O Itaú, que anunciou hoje em Fato Relevante, que irá se desfazer da posição de 49,9% assumida em 2017, no capital da XP Investimentos, ficando com posição menor, continuou apresentando retorno sobre o patrimônio superior ao do Bradesco: 15,7% contra 15,2% do Bradesco. Mas ambos abaixo do retorno de 21,2% apresentando pelo Santander Brasil.

Nos nove primeiros meses de 2020, o lucro líquido recorrente atingiu R$ 13,1 bilhões, uma redução de 37,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido foi de 14,0% na holding, que inclui a América Latina. Só nas operações do Brasil o retorno foi de 14,4%, queda de 10,3 p.p. frente aos 24,7% do 3º trimestre de 2019.

A alteração do cenário macroeconômico e das perspectivas financeiras das pessoas e das empresas a partir da segunda quinzena de março de 2020, capturada pelo modelo de provisionamento por perda esperada do Itaú, levou ao aumento de R$ 10,762 bilhões na despesa de provisão para créditos de liquidação duvidosa no Brasil nos primeiros nove meses de 2020, somando R$ 21,618 bilhões, um avanço de 82,6% em relação ao mesmo período de 2019. O Itaú atribuiu a este efeito “o principal motivo do aumento de R$ 11.832 milhões no custo do crédito neste mesmo período”.

Crédito e inadimplência

A carteira de crédito avançou 4,4% com destaque para o crescimento das carteiras de crédito imobiliário, de veículos e micro, pequenas e médias empresas; esta última, turbinadas pelas linhas incentivadas pelo governo como o Pronampe e o FGI BNDES. O custo do crédito teve uma redução de 18,7%, atingindo R$ 6,3 bilhões.

A margem financeira com clientes recuou em função da (i) mudança no mix de produtos do varejo, com uma menor utilização de produtos rotativos e maior utilização de créditos parcelados com melhores condições e taxas, (ii) da maior representatividade da carteira de pessoas jurídicas e (iii) do impacto da redução da taxa de juros na remuneração do capital de giro próprio.

As receitas de serviços R$ 9,465 bilhões) apresentaram aumento de 12,7% no trimestre em função do impacto da (i) maior atividade econômica nas receitas com cartões (emissor e adquirência) e (ii) maior atividade no mercado de capitais na receita de assessoria econômica e corretagem.

As despesas não decorrentes de juros cresceram no trimestre em função do aumento dos custos variáveis associados com a maior atividade econômica, do impacto do acordo coletivo de trabalho em despesas de pessoal e da influência da variação cambial nas despesas na América Latina.

O índice total de inadimplência reduziu 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (de 2,7% para 2,2%). Contudo, reconhece o Itaú no comunicado “não reflete os impactos da crise na qualidade de crédito”.

“No Brasil, o índice de pessoas físicas [caiu de 5%, no 2º trimestre, para 4,3%] e de micro, pequenas e médias empresas reduziu [de 3,2% para 2,6%] em relação ao trimestre anterior, devido à flexibilização das condições de pagamento de empréstimos que visa ajudar nossos clientes no enfrentamento da crise econômica. Em grandes empresas, a redução do índice [de 0,7% para 0,5%] está relacionada com a baixa para prejuízo de crédito de um cliente específico do segmento”.

Na América Latina, a redução ocorreu principalmente devido a pessoas físicas no Chile e a pessoas jurídicas na Colômbia.

Impactos da pandemia

A pandemia da covid-19, que provocou uma mudança do cenário macroeconômico, a partir da segunda quinzena de março de 2020, levou ao crescimento de 95,9% no custo do crédito do Itaú, que atingiu R$ 24,2 bilhões. Essa mudança gerou maiores despesas de provisão para crédito, tanto nas operações no Brasil quanto no restante da América Latina.

A margem financeira com clientes recuou 3,6%, dados os efeitos negativos da mudança regulatória na taxa de juros do cheque especial, do mix de crédito e da redução da taxa de juros no capital de giro próprio, sendo parcialmente compensados pelo aumento no volume de crédito.

A margem com o mercado reduziu 19,3% principalmente pela inesperada volatidade do mercado no primeiro trimestre de 2020. A gestão estratégica de custos e os investimentos em tecnologia levaram a uma redução de 2,1% nas despesas não decorrentes de juros, mesmo com uma inflação de 3,1% no ano.

O Itaú segmenta em três as suas operações no Brasil. No Banco de Varejo, presidido por Mário Schetini, no Banco de Atacado, dirigido por Caio Ibrahim David e nas atividades de mercado e corporativas, que inclui a Tesouraria. Schetini e David foram preteridos por Milton Maluhy Filho para suceder a Candido Bracher Filho, que se aposenta em abril de 2021.

Banco suspende projeções para 2020

“Em função da baixa visibilidade sobre a extensão e profundidade dos efeitos da crise atual, manteremos suspensas as projeções para o ano de 2020. A Administração entende ser prudente não divulgar novas projeções neste momento, até ser possível ter uma maior precisão sobre os impactos e extensão da situação atual em nossas operações”.

A redução do custo de crédito ocorreu principalmente devido à menor despesa de provisão para créditos de liquidação duvidosa no Banco de Atacado no Brasil, com a menor necessidade de constituição de provisão em relação ao segundo trimestre de 2020.

A redução da despesa de PDD no trimestre ocorreu principalmente no Banco de Atacado no Brasil devido à menor necessidade de constituição de provisão para perdas neste trimestre, em relação ao segundo trimestre de 2020. O Banco de Varejo no Brasil apresentou aumento da despesa de PDD em função das incertezas sobre o cenário macroeconômico.

Banco de Varejo

O banco de varejo oferece produtos e serviços a clientes correntistas e não correntistas que incluem: crédito pessoal, crédito imobiliário, empréstimos consignados, cartões de crédito, serviços de adquirência, financiamento de veículos, seguros, previdência e capitalização, entre outros. Os clientes correntistas são segmentados em: (i) Varejo, (ii) Uniclass, (iii) Personnalité e (iv) Micro e pequenas empresas.

Houve redução da margem financeira em função da migração de produtos com menores spreads e aumento das despesas relacionadas com o acordo coletivo de trabalho ocorrido em setembro. Esses efeitos negativos foram parcialmente compensados pelo aumento nas receitas (R$ 5,913 bilhõe, +8,5% no trimestre) com cartões, tanto nas atividades de adquirência quanto nas de emissão.

A combinação desses efeitos levou a uma redução de 19,6% no lucro recorrente (R$ 1,426 bilhão) do 3º trimestre. Na comparação com 3º trimestre de 2019, a redução de 56,9% no lucro recorrente ocorreu devido às menores receitas na margem financeira e em serviços com cartões, além do crescimento do custo de crédito.

Banco de Atacado

O banco de atacado abrange: i) as atividades do Itaú BBA, unidade responsável pelas operações comerciais com grandes empresas e pela atuação como banco de investimento, ii) nossas atividades no exterior, iii) a Itaú Asset Management, especializada em gestão de recursos e (iv) os produtos e serviços oferecidos aos clientes com elevado patrimônio financeiro (Private Banking), às médias empresas e clientes institucionais.

O lucro líquido do atacado (R$ 1,962 bilhão) aumentou 137,8% em comparação ao 2º anterior, devido aumento de 20% nas receitas de prestação de serviços (R$ 3,067 bilhões), principalmente nas receitas de banco de investimentos e corretagem, e da redução de custo de crédito. Esses efeitos positivos foram parcialmente compensados pelo aumento das despesas relacionado com o acordo coletivo de trabalho.

Em relação ao terceiro trimestre de 2019, o maior custo de crédito devido ao novo cenário macroeconômico foi o principal responsável pela redução de 13,3% no lucro recorrente.

Atividades com Mercado + Corporação

Inclui: (i) resultados do excesso de capital, do excesso de dívida subordinada e do carregamento dos créditos e passivos tributários; (ii) margem financeira com o mercado; (iii) custo da Tesouraria e (iv) resultado de equivalência patrimonial das empresas que não estão no Varejo e Atacado.

O lucro líquido recorrente desta unidade de negócios atingiu R$ 1,643 bilhão no 3º trimestre, com aumento de 2,3% frente ao 2º trimestre, e de 3,7% sobre o 3º trimestre de 2019. Pela soma dos resultados segmentados, o lucro líquido recorrente chegaria a R$ 5,031 bilhões, empatado com o Bradesco. Mas o Itaú deve ter arredondado alguma das parciais, para registrar os R$ 5,030 bilhões.

Os resultados do 3º trimestre de 2020 (R$ bilhões)

Banco Lucro Líqu. % 12 M ROEA %12 M Rec. Tarifas % 12M

Santander 3.902 +5,3% 21,2% +0,1 p.p. 4,746 +0,3%

Bradesco 5,031 -23,1% 15,2% -5,0 p.p. 8,121 -3,6%

Itaú Unibanco 5,030 -29,7% 14,0% -9,5 p.p. 9,465 +2,1%



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