O Outro lado da Moeda

Por Gilberto Menezes Côrtes

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O OUTRO LADO DA MOEDA 2

EUA investigam negociações de US$ 800 milhões com petróleo

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Publicado em 20/05/2026 às 13:54

Alterado em 20/05/2026 às 13:56

A denúncia é do “Wall Street Journal”, que desde as movimentações atípicas com contratos futuros de petróleo que antecederam as suspensões de ataques dos Estados Unidos ao Irã, anunciadas pelo presidente Trump em sua rede Truth Social, vem acompanhando os ganhos especulativos (muito mais acentuados nas baixas que nas altas). A CFTC investiga operações suspeitas no valor de US$ 800 milhões, por meio de investidores com informações privilegiadas.

Segundo a manchete do “WSJ”, “Onda de negociações suspeitas de petróleo, no valor de US$ 800 milhões, desencadeia investigação regulatória”, o “Journal” acrescente que as “Autoridades estão analisando registros de transações realizadas antes de uma publicação de Trump nas redes sociais”.

Criada em 1974, para regular os mercados de futuros e opções, a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities uma agência independente do governo dos EUA está investigando uma série de negociações realizadas pouco antes de o presidente dos EUA cancelar os ataques planejado ao Irã. Após a crise financeira dos anos 2007-08, e desde 2010 com a Lei Dodd-Frank de reforma de Wall Street e proteção do consumidor, a CFTC vem exigindo mais transparência nos negócios e adotando uma regulação mais estrita ao mercado de “swaps” multimillonários em dólares.

O cenário da 'inside information'

O “WSJ” descreve o cenário em que agem os “insiders”:

“Um investidor não poderia esperar por um momento melhor.

Momentos antes de o presidente Trump adiar os ataques à infraestrutura energética de Teerã em uma postagem matinal nas redes sociais em 23 de março, uma onda de negociações atingiu o mercado fora do horário comercial. Mais de US$ 800 milhões em contratos futuros de petróleo, tanto americanos quanto internacionais, mudaram de mãos em questão de minutos, segundo dados da LSEG, empresa que computa os negócios nas bolsas de futuros”.

Por isso, “a Commodity Futures Trading Comission (CFTC) está investigando diversos casos de negociações suspeitas relacionadas a anúncios de guerra com o Irã.

Nesta quarta-feira, o contrato futuro do Brent para entrega em julho tinha nova queda de 6,00% para US$ 105,38, por volta do meio-dia (horário de Brasília), depois que o Irã anunciou ter facilitado a passagem de 30 navios de petróleo, gás e mercadorias pelo Estreito de Ormuz. As baixas se acentuaram para todos os vencimentos até julho de 2027. O contrato para entrega em dezembro de 2026 era negociado a US$ 91,75%, com baixa de 1%.

Riscos inflacionários para o Brasil

O Ministério da Fazenda, numa atitude realista, reajustou esta semana, ao divulgar, na segunda-feira, os dados atualizados do Prisma Fiscal, a previsão da inflação do IPCA para 4,50% (o teto da meta de inflação -3,00%+tolerância de 1,50%=4,50%) e elevou para 4,75% a previsão do INPC, que reajusta o salário-mínimo.

Em compensação, com a elevação dos preços do petróleo, a Fazenda aumentou as projeções para a arrecadação fiscal, com o déficit primário de 2026 (receitas menos despesas, sem considerar os juros da dívida) encolhendo de R$ 59,02 bilhões (Prisma de abril) para R$ 57,82 bilhões.

Os bancos (aguarda-se esta semana o novo cenário do Itaú) e as consultorias estão fazendo as suas revisões de cenário em função das apostas de que o Federal Reserve, mesmo com a posse de Kevin Warsh, não poderá reduzir os juros como queria Trump, devido às pressões inflacionárias.

A consultoria 4intelligence divulgou ontem à noite seu novo cenário levando em conta os impactos da alta do petróleo e derivados na cadeia industrial e o impacto adicional do El Niño de forte intensidade. Com isso, aumentou novamente, de 5% para 5,2%, a projeção para a alta do IPCA em 2026. Para 2027 foi ligeiramente ajustada, de 4,2% para 4,3%.

Na sua avaliação, considera que “a atividade industrial tem dado mostras de robustez, depois de ter perdido fôlego na virada de 2025 para 2026. Os demais setores da economia vêm apresentando resultados mistos, mas continuam, no geral, a mostrar resiliência, reafirmando nossa avaliação de que as medidas oficiais de estímulo à demanda darão sustentação ao crescimento do PIB neste ano eleitoral”.

Mas, também aqui, as pressões de custos vêm se acumulando. O impacto do conflito sobre os custos de produção não se limita aos combustíveis, tendo pressionado os preços de diversos insumos”, mas (...) “parte dessas pressões de custos irá arrefecer, hipótese que segue condicionada à reabertura do Estreito de Ormuz e à descompressão (ainda que lenta) do petróleo.

Ou seja, a evolução recente das conjunturas internacional e doméstica parece reforçar o recado de que, por ora, a trajetória para a inflação preocupa mais do que o risco de um esfriamento da atividade.

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