O OUTRO LADO DA MOEDA 2
Focus: quedas de 0,25% da Selic até junho
Publicado em 27/04/2026 às 14:33
Alterado em 27/04/2026 às 14:33
O Copom reúne-se a cada 45 dias Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Com o impasse prolongado sobre a liberação do tráfego de navios (petroleiros, gaseiros e de carga geral) pelo Estreito de Ormuz, e o barril do petróleo do tipo Brent para entrega em julho (novo primeiro vencimento futuro) cotado a US$ 101,32 (+2,28%), o mercado financeiro brasileiro jogou a toalha e acredita que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) adotou linha de cautela para a reunião de quarta-feira, 29 de abril, a se repetir em 17 de junho.
Diante dos repasses internos de preços especulativos, que levaram as 153 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisas a elevarem de 0,66% para 0,70% a projeção do IPCA de abril (que o IBGE divulga dia 11 – amanhã sai a prévia do IPCA-15), sendo que a mediana das respostas dos últimos cinco dias úteis aponta 0,72%, o mercado acredita que o Copom vai adotar neste primeiro semestre a cautela e baixar a Selic só 0,25% por reunião.
Mas o mercado acredita que o IPCA sobe bem menos em maio (houve alta de 0,37% para 0,38% na variação semanal e de 0,39% na mediana dos últimos cinco dias úteis), percebe-se, pela previsão de 0,30%/0,31% para junho, que o mercado não acredita em impasse prolongado no Golfo.
Entretanto, como a inflação esperada para o ano subiu de 4,80% para 4,86% (bem acima do teto da meta, de 3,00%+ tolerância de 1,50%=4,50%) e 4,89% na mediana dos últimos cinco dias úteis, o Copom deve manter os juros mais elevados este ano. A projeção do mercado é de que a Selic feche o ano em 13% (um ponto acima do prevista em dezembro de 2025).
Mas, com o nível alto da inflação persistindo em 2027 (o IPCA esperado subiu de 3,99% para 4,00%) a Selic fecharia a 11,00% ao ano em dezembro do próximo ano, meio ponto acima do previsto em dezembro de 2025.
Juros altos seguram dólar
Além de prever, mais inflação e o remédio amargo dos juros altos para evitar o repasse generalizado que obrigaria o Banco Central a manter os juros ainda mais altos, a cautela na redução da Selic tende a atrair mais dólares de especuladores internacionais (e de capitais brasileiros em paraísos fiscais) no chamado “turismo cambial” dado o diferencial de mais de 11% entre a Selic (14,50% e o piso dos juros nos Estados Unidos -3,75%).
Para abril, o mercado espera que o dólar – negociado hoje às 13:45 (horário de Brasília) a US$ 4,97, baixa de 0,20% - feche o mês em R$ 5,05/5,04. Com a Selic em 14,50% em junho, o câmbio fecharia o primeiro semestre em R$ 5,10. A taxa esperada para dezembro baixou de R$ 5,30 a R$ 5,25/24. A política monetária conteria pressões inflacionárias tanto nos bens exportados como nos importados.