Sinfonia

Por que compositores gostam tanto de escrever sinfonias? A palavra não poderia ser mais bonita, vem do grego antigo e significa concordância, consonância, os sons juntos. Já era usada no período Barroco e nos anteriores para designar formas de música em geral, mas é no período clássico, 1730 a 1820, de Mozart e Haydn, que a sinfonia toma a forma atual (Vale notar que estou me referindo à música ocidental. Um compositor chinês, por exemplo, não escreve sinfonias, a menos que inspirado pela música ocidental).

Mozart escreveu 41 sinfonias; Haydn, 107; Beethoven, 9. Uma rápida busca no Google e você ficará impressionado com a quantidade de sinfonias: milhares! Digite "List of Symphonies" e também ficará surpreso com a quantidade de compositores de quem nunca ouvimos falar e que escreveram sinfonias.

A sinfonia, como outras formas (sonata, concerto, prelúdio, quarteto etc ), obedece a "regras". Uma analogia com a literatura seria, por exemplo, a de que há "regras" para escrever poesia ou romance. Ou seja, o que dá à peça uma forma determinada são certas "regras", a gramática musical que se escolhe para compor. E por que a sinfonia se tornou tão popular na época clássica? Minha opinião, e de muitos, é que compositores como Mozart encontraram na sinfonia uma organização perfeita, que lhes permitia escrever obras grandiosas para orquestra com diferentes movimentos, cada um deles permitindo ao compositor mostrar distintas facetas musicais, tudo estruturado de forma nítida e elegante, como os compositores clássicos tanto admiravam.

Seguem algumas informações básicas para serem consideradas, além das belas melodias, na apreciação de sinfonias. Em geral têm quatro movimentos e seguem um modelo. No entanto os compositores, sobretudo os mais originais, são mestres em destruir modelos antigos para introduzirem suas novas ideias, como o uso de um coral na nona de Beethoven. Ou seja, sinfonias, como tudo, sofrem mudanças com o tempo. Mas, grosso modo, a sinfonia clássica tem os seguintes movimentos:

1. O primeiro, na "forma sonata", que consiste de três partes (exposição, desenvolvimento e recapitulação). Na exposição são apresentados dois temas (duas melodias), o segundo geralmente contrastando com o primeiro; o desenvolvimento é onde a primeira parte é revista com diferentes harmonias, e por fim, a recapitulação, onde os temas da exposição retornam.

2. O segundo é um movimento mais lento, como um adagio (um lindo exemplo é o segundo movimento da quinta de Tchaikovsky, com o tempo caracterizado como "Andante Cantabile").

3. O terceiro tem a forma de um minueto ou scherzo (movimentos mais rápidos, geralmente mais dançáveis).

4. O movimento "finale" é geralmente na forma rondo (sim, há muitas formas musicais!).

A partir do Romantismo a sinfonia foi transformando-se, não tendo sempre quatro movimentos, e as "regras" tornaram-se mais flexíveis, as formas e organizações adquiriram inovações, a ponto de hoje termos sinfonias de um só movimento ou de até de seis, como a terceira de Mahler. Várias sinfonias menos clássicas foram escritas pelos românticos como Brahms, Schubert, Sibelius etc. No século XX Villa-Lobos, Shostakovitch e Prokofiev foram alguns que ainda escreveram sinfonias.

Sinfonias Clássicas não têm instrumento solista, como os concertos, em que um piano ou violoncelo, por exemplo, tocam com orquestra. Sinfonia é "soar os sons juntos", com cada naipe da orquestra tendo sua relevância. Nunca estivemos precisando tanto de Sinfonias como agora no Brasil. Todos juntos, com mais concordância, mais elegância, mesmo quando um instrumento se sobressai, e com regras bem definidas, límpidas e respeitadas como em uma Sinfonia Clássica.

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