Jornal do Brasil

Marketing, Propaganda, etc.

Marketing, Propaganda, etc.

Renata Granchi

Quanto vale a Economia Criativa?

Jornal do Brasil RENATA GRANCHI, colunadarenata@jb.com.br

O não repasse de verbas para equipamentos culturais da prefeitura motivou o pedido de demissão da Secretária Municipal de Cultura, Mariana Ribas, após seis meses no cargo. Último relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) mostra que o valor do mercado global para bens criativos duplicou em 13 anos, passando de 208 bilhões de dólares, em 2002, para 509 bilhões de dólares em 2015. Estima-se que a Economia Criativa gere em torno de 30 milhões de empregos ao redor do mundo. O economista e coordenador do Laboratório de Economia Criativa da ESPM Rio, João Figueiredo, mostra a importância desse setor para o desenvolvimento da cidade e questiona: “como pensar o desenvolvimento da Economia Criativa em uma cidade em que o poder público não entende as atividades culturais como decisivas?” Para ele, “o poder público tem, por algum motivo que não é tão claro, lutado para que o Carnaval e a indústria do audiovisual não se desenvolvam.”

Macaque in the trees
João Figueiredo, coordenador do Laboratório de Economia Criativa da ESPM Rio (Foto: Divulgação)

Objetivamente, qual o papel da Economia Criativa no desenvolvimento de uma cidade?

Em termos bem objetivos, a Economia Criativa tem sido muito importante na geração de emprego e de renda em diversas cidades do mundo. Especialmente as que não possuem um setor industrial muito forte ou que perderam, no final do século XX, começo do século XXI, a relevância também de sua atividade industrial. Nesse contexto, ela passou a desempenhar um papel mais presente nas questões que envolvem emprego e renda, até porque são atividades menos robotizadas e automatizadas. Então muitas cidades que foram um dia industriais passaram a apostar nos setores criativos para continuarem a ser cidades relevantes na economia atual.

Além do emprego e da renda, a Economia Criativa também é bastante relevante no branding e posicionamento da cidade, num contexto de globalização. Uma cidade que tem uma cultura muito forte, que produz muitos filmes, que tem um movimento teatral importante, consistente - isso falando das atividades culturais. Ou também que tem um ambiente inovativo, interessante, com incentivo ao empreendedorismo, são atividades que atraem a atenção internacional, não só por fortalecer o turismo, mas são lugares comentados no mundo. A cidade torna-se atrativa em termos de investimento.

A ESPM elaborou o Índice de Desenvolvimento do Potencial da Economia Criativa (IDPEC), concebido pelo Laboratório de Economia Criativa e pelo Laboratório de Cidades Criativas da instituição. O Rio ocupa o quarto lugar do ranking na categoria potencial de desenvolvimento, atrás de Florianópolis, primeiro lugar, Vitória e São Paulo. O que falta para o Rio aumentar o seu potencial?

Na pesquisa apontamos três dimensões importantes para o fortalecimento da EC: Talento, Atratividade e Conectividade e, por último, Ambiente Cultural e Empreendedorismo Criativo.

O Rio de Janeiro tem alguma força em todas essas dimensões, mas algumas questões se apresentaram como problemas muito graves. Quando a gente fala em Talento, o Rio de Janeiro tem uma performance muito ruim na educação básica. Como pensar num futuro da Economia Criativa se hoje as nossas crianças não estão aprendendo? É necessário resolver a questão da educação básica com urgência. Em Atratividade e Conectividade, o Rio deixou de ser uma cidade muito atrativa. Até temos moradores estrangeiros, mas se consideramos a proporção de moradores de fora do Rio com os moradores nascidos aqui, a gente vai muito mal. O Rio deixou de ser uma cidade que atrai pessoas do Brasil para viverem aqui. Há problemas claros na segurança que vão impactar na qualidade de vida e na mobilidade da cidade. As pessoas não se sentem seguras para circular e consumir coisas. E na terceira dimensão que falamos do Ambiente Cultural e do Empreendedorismo Criativo, o Rio tem sofrido muito nos últimos anos com o descaso do poder público, especialmente na questão do setor cultural. O poder público desde 2017 entende que a cultura não é importante e tem reduzido drasticamente, alguns casos até quase que zerado, o apoio ao desenvolvimento das atividades culturais. Isso se manifesta tanto na questão do Carnaval, que o poder público municipal não valoriza, e se manifesta também na questão do audiovisual. A RioFilme já teve um papel decisivo na história do cinema nacional e desde 2017 praticamente não tem recursos do poder público. Os novos museus que são importantíssimos, que atraem muitas pessoas da cidade, relevantes também para a identidade do carioca, tiveram os repasses reduzidos pela prefeitura carioca. Como pensar o desenvolvimento da Economia Criativa em uma cidade em que o poder público não entende as atividades culturais como decisivas? É claro que a Economia Criativa não se resume às atividades culturais, mas elas são muito importantes para o fortalecimento dessa dimensão criativa.

Aplicar recursos necessários ou criar políticas de incentivo para alavancar o setor, seja pelo poder público ou privado, é um desafio para os gestores em um cenário de crise. Há pouca consciência da relevância da Economia Criativa no desenvolvimento do negócio ou do setor? Outros motivos levam ao não investimento ideal na área?

Até existe reconhecimento dos setores produtivos sobre a importância da EC, até porque é notório o fato de que cada vez mais a competitividade das empresas vai ser associada à capacidade inovativa delas. Os ciclos de vida dos produtos e dos serviços estão cada vez mais curtos, as pessoas desejam mais consumir uma experiência do que propriamente a materialidade do produto, então tudo isso faz com que as empresas reconheçam a importância em criar novos negócios, novas experiências. E a EC tem relação direta com a capacidade de inovação das empresas.

Falando do Rio de Janeiro, houve diversas iniciativas tanto da Prefeitura quanto do Governo do Estado que reconheceram a Economia Criativa como setor estratégico da cidade. O Rio Criativo, programa de fomento da economia criativa criado pelo Governo, foi uma dessas iniciativas. Mas o fato é que de 2017 pra cá isso perdeu importância. O que acontece é que hoje o poder público, especialmente o municipal, não a reconhece como algo importante para o desenvolvimento do Rio. Assim fica difícil convencer a iniciativa privada de que é importante pensarmos sobre isso. Quando a gente analisa os grandes casos internacionais, isso se torna ainda mais grave. Não há cidade no mundo que se desenvolva pela sua Economia Criativa que não tenha tido grande apoio do poder público no planejamento e na gestão disso. Reino Unido, Austrália, aqui na América do Sul a Colômbia é um caso de sucesso, Canadá, Estados Unidos, todos esses países tiveram liderança do poder público na implementação de políticas para fortalecer as indústrias. O Governo do Estado tem demonstrado alguma importância, inclusive alterou o nome da secretaria que agora se chama Secretaria de Cultura e Economia Criativa, tem pensado algumas pautas interessantes no nível estadual para seu fortalecimento, mas pensando na cidade do Rio de Janeiro e na atual prefeitura, de maneira muito evidente, sabe-se que não há investimento efetivo para o desenvolvimento dessas atividades. Curiosamente temos visto, inclusive, a migração de pessoas do Rio para trabalhar nos setores criativos de São Paulo.

O Carnaval carioca e a produção audiovisual são exemplos positivos de produtos da Indústria Criativa do Rio. Você vê crescimento nessas áreas? Qual a perspectiva?

Esses dois casos servem para exemplificar o que eu falei anteriormente. O Rio de Janeiro tem ainda o maior Carnaval do Brasil e tem ainda uma indústria do audiovisual muito importante, mas são dois casos também que hoje lutam contra o poder público municipal. É bem evidente que a prefeitura do Rio de Janeiro não apoia o Carnaval e divulga números para dizer que a cidade não ganha recursos com o evento. É um ataque a um século de cultura, um ataque à própria dimensão econômica da cidade. O Carnaval é tão lucrativo que diversas outras cidades do Brasil estão investindo nele. O maior exemplo é São Paulo que reconhece a importância do Carnaval e tem investido bastante. Curioso ver o Rio na posição contrária. Isso demonstra o quanto a cidade tem perdido nos últimos anos em termos de reconhecimento da importância dessa atividade.

O Audiovisual a mesma coisa. O Rio de Janeiro foi líder na produção nacional, a RioFilme, que é uma empresa municipal, foi importantíssima no fortalecimento do audiovisual brasileiro, mas também na atual gestão perdeu importância, o poder público não aloca recursos e não fornece capacidade orçamentária. A empresa não tem o que fazer. Repare que São Paulo só vai dedicar uma atenção a isso 20 anos depois do Rio com a criação da SPCine em 2013.

São dois produtos, duas joias nas mãos, que a cidade do Rio de Janeiro faz há muito tempo e bem, tem capacidade humana, talento e expertise. Pode fazer um bom Carnaval, bem organizado, que seja lucrativo e que também atenda a dimensão cultural de festa. Da mesma maneira é capaz de produzir conteúdo audiovisual incrível. Mas, nos últimos anos a verdade é que o poder público tem, por algum motivo que não é tão claro, lutado para que o Carnaval e a indústria do audiovisual não se desenvolvam.

Qual o maior desafio para o crescimento dessa indústria no Rio de Janeiro?

O motor principal do desenvolvimento das indústrias criativas é educação. Muitas outras atividades industriais dependem de matérias-primas que vem da natureza. No caso das indústrias criativas a matéria-prima é o ser humano. Não há uma indústria criativa forte sem pessoas bem educadas, preparadas, que consigam desenvolver negócio a partir de sua cultura, da mobilização de suas ideias, de sua criatividade. Então, nesse sentido, o que talvez hoje seja mais necessário para fazer essa indústria voltar a crescer e ser cada vez mais importante são políticas educacionais que melhorem a educação básica do Rio de Janeiro. E, obviamente, ter um poder público municipal reconhecendo a importância do setor, voltando a investir nas atividades culturais e no desenvolvimento que favoreça o empreendedorismo criativo, que apoie a aceleração de negócios inovadores.

NOTINHAS DO TRADE

Agência3 assina campanha para Disque Denúncia

Macaque in the trees
(Foto: Divulgação)

Com o objetivo de mostrar aos cariocas que cada centavo gasto no contrabando pode virar bala em armas clandestinas, o Disque Denúncia, em parceria com a Agência3, criou a campanha Outdoors da Violência com uma mensagem direta: Contrabando é crime. E aumenta a violência que atinge VOCÊ. Para deixar a ideia ainda mais clara e ampliar o impacto visual da peça, a palavra "você" foi escrita com disparos reais de tiros, que atravessam a lona do outdoor. A confecção foi realizada em um estande profissional (com segurança e autorização necessárias). O outdoor diferenciado pode ser visto em Caxias, São João de Meriti e Niterói, além de uma versão com furos simulados em painel de plataforma na Pavuna (SuperVia).

O Disque Denúncia do Rio de Janeiro registrou, nos últimos três anos, aproximadamente 3500 informações sobre falsificação e contrabando de produtos em geral. O comércio ilegal é uma das principais fontes de lucro do crime organizado.

A campanha, que também conta com spots para rádio e peças digitais, incentiva a população a ser agente de mudança e denunciar para o Disque Denúncia (pelo telefone 2253-1177) pontos de venda de produtos ilegais, depósitos e fábricas clandestinas.

AtuRando Produções leva prêmio na Itália

A produtora carioca AtuRando Produções, especializada no mercado de web produções, conquistou seu 10º prêmio internacional no mercado de webséries: A conquista da vez foi o de Melhor Série de TV/Web no Florence Film Awards com a websérie Underland. O festival aconteceu em Florença, na Itália no começo de agosto e distribuiu prêmios em mais de 20 categorias. Underland é a mais nova produção da AtuRando e traz um olhar contemporâneo para a história de Alice no País das Maravilhas, num submundo de drogas, violência e prostituição. Além do prêmio em Florence, a websérie já levou esse ano Melhor Série em Cannes, no Côte d'Azur Web Fest, Melhor Série de Fantasia no Miami Web Fest e Melhor Série de Drama no Asia Web Awards em 2018. A série ainda concorre até o final ano em outros festivais como New Jersey e Sicília e já soma mais de 25 indicações ao redor do mundo em 11 festivais.

3AW CONTRATA E PROMOVE NA CRIAÇÃO

A 3AW, rede de agências global, anuncia mudanças na área criativa da agência, que conta com 48 profissionais, para atender Fundação Getúlio Vargas, LafargeHolcim, Supermercados Mundial, OpenEnglish, GSK, Toyota, entre outros. Roberto “Betão” Sá Filho assume o cargo de Diretor de Criação e Pedro Portugal (ex-Wide) retorna à agência, onde já atuou durante 7 anos, para dividir a direção de criação. Ambos responderão diretamente ao Vice-presidente de Criação, Henrique Carvalho.

Quintal conquista a conta da Farra Bier

Macaque in the trees
(Foto: Divulgação)

Quintal anuncia a chegada da marca carioca de cerveja artesanal Farra Bier em seu portfólio. Mais do que assinar campanhas, a agência vai atuar em toda a estratégia de comunicação e, também, junto ao business do cliente.

"Nossa conversa com a Farra evoluiu naturalmente para discussões sobre o negócio em si, como ampliação dos pontos de venda, estratégias de distribuição e em como fazer a cerveja chegar até as pessoas de forma natural, reduzindo os esforços do cliente e da marca. A comunicação vai sempre andar de mãos dadas com o negócio, essa é nossa forma de atuar", revela Leonardo Brossa, sócio e diretor de planejamento da Quintal.

Yahsat envia para empresários jornal impresso com notícias antigas

Macaque in the trees
(Foto: Divulgação)

A rapidez e a velocidade com que as informações mudam é o pano de fundo da nova ação de marketing da Yahsat, multinacional de internet via satélite que atua em 19 estados brasileiros e em mais de mil cidades. E, para mostrar de maneira lúdica que contratar um serviço de banda larga de qualidade e estar online sempre que desejar, pode fazer a diferença nos negócios, a operadora mandará para cerca de 600 empresários do Ceará, durante o mês de agosto, uma publicação impressa com conteúdo ultrapassado. O projeto é piloto e a ideia é chamar a atenção de pequenas e médias empresas do estado para os planos existentes no portfólio da Yahsat e que podem ser usados no dia-a-dia. A agência de marketing que está à frente da ação é a Camisa 10 Propaganda, sediada no Rio de Janeiro.

UIA 2020 Rio

A Doze+, boutique de comunicação que atende a clientes nas áreas de cidades, economia e meio ambiente, assumiu a gestão de comunicação do UIA 2020 Rio, o enorme congresso mundial de arquitetos que será realizado na capital carioca ano que vem. Estão previstos pelo menos 15 mil arquitetos na cidade.

Ortobom promove 50 eventos simultâneos

A empresa Ortobom, maior fabricante de colchões da América Latina e a maior franquia de colchões do mundo, lança o Ortobom Experience, feirões que acontecem simultaneamente em mais de 50 shoppings centers espalhados por todo o Brasil.

Os eventos tem ações especiais como experimentação de massagem, teste da tecnologia TechGo Ortobom, óculos de realidade virtual - que proporciona um fascinante passeio pelo espaço, permitindo que o cliente relaxe contemplando estrelas e cometas -, e uma área exclusiva para as crianças com oficinas de slime. Ações acontecem até o dia 31 de agosto e oferecem descontos de até 50%

Sephora apresenta campanha inédita com marcas do Instagram

Macaque in the trees
(Foto: Divulgação)

A conexão entre seguidores e influenciadores trouxe mais do que followers e likes para a marca de beleza Sephora. Nesse universo, referências digitais viraram marcas reais, dissolvendo, de vez, as barreiras entre online e offline. Mas o que acontece quando estas marcas millenials invadem as vitrines da maior rede de beleza do mundo? Nesta temporada, a Sephora Brasil lança a campanha “Siga no Instagram, Curta na Sephora”, oficializando a chegada de nomes de sucesso na rede social às lojas e ao e-commerce da multimarcas. Bianca Andrade, Bruna Tavares, Lu Ferreira e Mari Maria compõem o time de icônicos nomes que transformaram o mercado ao criarem suas próprias etiquetas: Boca Rosa Beauty by Payot, Bruna Tavares, Chata de Galocha e Mari Maria Makeup. Chanceladas pelo sucesso de seus números na internet – as quatro somam mais de 20,8 milhões de seguidores -, as influencers protagonizam o shooting inédito que celebra este novo momento do portfólio da Sephora Brasil.

O movimento, que teve início em 2018 com a chegada da marca Bruna Tavares, é reflexo de um olhar atento da varejista para o poder das redes sociais no comportamento de consumo – especialmente no segmento. Seguindo uma tendência mundial, a Sephora Brasil propõe a construção de uma comunidade de beleza que inspira e é inspirada, dentro e fora da web. “Esta campanha é simbólica porque legitima a influência das redes sociais em níveis que extrapolam o contexto digital – um movimento contínuo que temos observado. explica Cataldo Domenicis, Gerente de Marketing da Sephora Brasil.

Pesquisa FDC

A Fundação Dom Cabral, uma das mais importantes do país, está promovendo pesquisa com gestores de marketing sobre estratégias e práticas de marketing no Brasil que estão sendo bem sucedidas. Esta pesquisa resultou em um modelo que está sendo validado por gestores de marketing de todo o Brasil.