Um gesto simples, óbvio, pode salvar milhões de empregos

Voltamos a falar da óbvia necessidade e facilidade para salvar centenas de milhares de empreendimentos e milhões de empregos em todo o Brasil: a rápida instalação de uma entidade governamental (ou parceria público privada) para estudar o mercado internacional e fomentar a exportação de derivados de leite. Uma entidade governamental é essencial para desembaraçar as questões que envolvem conhecimento do mercado internacional e divulgação ampla para laticínios e cooperativas das informações e possibilidades de exportar.

Essa unidade do governo deveria agir com tenacidade para superar dificuldades de ordem tarifária, tributária, dificuldades a superar para incremento e aperfeiçoamento dos protocolos bilaterais sanitários, agir na facilitação das classificações dos produtos e providências de qualificação de origem dos derivados, interagir com as representações diplomáticas para promoção do produto brasileiro, atuar quanto à questão de logística e portuárias, enfim, essa nova entidade aproveitaria material já produzido recentemente e estabeleceria agressiva agenda para realizar em 3 ou 4 anos metas razoáveis.

Já temos várias instâncias que cuidam (nenhuma com dedicação exclusiva aos derivados de leite) de promoção e exportação das centenas de produtos que podemos oferecer ao mercado mundial. Como pouco ou nada fizemos para ter um espaço no mercado externo, o produto primário leite pede uma força-tarefa com urgência. Uma equipe deve ser constituída com os excelentes agentes públicos que já atuam em diversos ministérios, autarquias e empresas públicas em regime privado.

Precisamos de algo especializado, dedicado, focado, exclusivo, prestigiado ou, sinto que não vamos sair do lugar. Já exportamos quase tudo: milho, soja, algodão, suco de laranja, tabaco, proteínas animais de aves e suínos, somos o maior exportador de carne bovina, vendemos açúcar, celulose, alguém sabe dizer a razão pela qual não exportamos derivados de leite sendo o quinto produtor mundial? Será que não estamos trabalhando adequadamente?

No passado nossa produção parecia insuficiente para exportar. Hoje, a produção interna é igual ao que consumimos – entre 34 a 35 bilhões kg/ano. Mas, em pouco tempo, com a evolução do manejo, técnicas de reprodução, gado adequado e muito produtivo no mundo tropical, tecnologias da Embrapa, e a fantástica oferta de grãos hoje existente vemos a tendência de aumento rápido e robusto, desde que haja sinal de demanda total ampliada.

O aumento da demanda, em alguns anos, ainda dentro desse mandato, vai permitir melhor estabilidade de preços ao pequeno e médio produtor, mantendo ocupações, empregos e geração de renda. É inexorável que haverá concentração crescente na produção mas, o aumento da demanda pode garantir preciosos anos de manutenção de produtores na atividade e, por um tempo indispensável, milhões de empregos. Ou queremos mais crise social com decorrências em violência e sofrimento?

O Estado do Rio será afetado mas, Minas Gerais que é o maior produtor, com grande população de médios produtores, será o estado que mais perderá na atividade. O estado, com a atual administração inovadora, pode puxar a fila do bom senso. No governo federal a ministra, formada em Viçosa, é muito preparada e tem muito bom senso, e confiança do setor. O secretário executivo do Mapa é conhecido na pecuária mineira como valioso interlocutor e superior histórico parlamentar. Existem importantes governantes que podem avaliar e implementar uma eficaz medida, de bons resultados previsíveis.

Se você, lendo essa modesta coluna do JORNAL DO BRASIL concorda com ideia tão óbvia e necessária (ou outra que você tenha e possamos divulgar, em prol dos produtores de leite e da Nação), pode me sugerir o que devemos ou podemos fazer, juntos? Como obter a atenção de governantes patriotas para contribuições como a que acabamos de expor? Não acha que o Brasil precisa de todos?