A profusão de streamings de vídeo e o futuro do setor

Nesta segunda, a Apple anunciou o AppleTV+, seu streaming de vídeos que terá produções exclusivas de nomes consagrados da indústria cinematográfica e da TV, como Steven Spielberg, Reese Witherspoon e Oprah Winfrey. Trata-se de mais um concorrente de peso para competir com Netflix, Amazon Prime Video e tantos players que já existem e que ainda serão lançados – a Disney, por exemplo, promete vir forte ainda este ano com o Disney+. Tamanha competição faz com que, cada vez mais, as pessoas deixem de lado os pacotes com centenas de canais a cabo e optem por assinaturas individuais de serviços de streaming variados, sejam de filmes e séries ou de programação ao vivo, o que levanta uma questão importante: como será o futuro com esta profusão de opções que está aparecendo?

Nos EUA, uma pesquisa divulgada pela Deloitte semana passada mostrou que, pela primeira vez, mais pessoas assinam serviços de streaming (69%) do que TV a cabo (65%). No Brasil, esta mudança aconteceu há mais tempo. A Amdocs, que realiza pesquisas de mercado, afirma que 39% das casas no país possuem pelo menos um serviço de streaming, número já superior ao de TV paga (26%). O mesmo estudo mostra ainda que, a cada cancelamento de TV a cabo que ocorre por aqui, três novas assinaturas de streaming acontecem, muito em função da diferença de preços.

O IBGE, em pesquisa divulgada no final do ano passado, apontou números um pouco melhores em relação às casas com TV a cabo: 32,8% em 2017. A mesma pesquisa, no entanto, também mostra o quanto os brasileiros gostam de assistir vídeos pela internet: 81,8% afirmaram que utilizam a grande rede com esta finalidade. Apesar deste percentual englobar plataformas gratuitas – como o Youtube –, ele mostra o quanto as pessoas se acostumaram a consumir conteúdo audiovisual em dispositivos como smartphones, tablets e smart TVs.

Porém, a grande quantidade de streamings diferentes tem um lado negativo. Segundo a pesquisa da Deloitte, 47% dos americanos mostram-se frustrados pelo número de serviços que eles precisam assinar para assistir o que desejam. Somente nos EUA, são mais de 300 opções, o que levou a consultoria a falar em “saturação do mercado”. No Brasil, de acordo com levantamento da Business Bureau em 2018, são 78 plataformas, que transmitem 139 canais ao vivo e disponibilizam mais de 72 mil filmes e cerca de 13 mil séries. Este amplo menu deve levar o setor de streaming para um caminho parecido com o das operadoras de TV por assinatura, no qual um valor fixo mensal dará acesso a diversos serviços em um só local, evitando assim a necessidade de baixar vários aplicativos e guardar múltiplas senhas.

Do ponto de vista financeiro, isto faz sentido para o consumidor. A já citada pesquisa da Amdocs mostrou que o valor médio cobrado pela TV a cabo no Brasil daria para assinar 4,6 serviços de streaming separadamente – uma oferta de serviços em conjunta certamente seria mais barata. Além disso, 70% das pessoas mostraram-se dispostas a contratar um pacote que tivesse os conteúdos preferidos e que a maioria pagaria até mais por isso. Lá fora, esta opção já é mais comum. A Hulu Live TV oferece não só produções próprias, como outros canais com programação ao vivo; o YoutubeTV idem. O AppleTV+ terá conteúdo original, mas também permitirá assinaturas a parte de canais como HBO e Showtime, assim como oferece a Amazon Prime Video. A Disney pretende oferecer pacotes englobando Disney+, ESPN+ (streaming de esportes que está fazendo sucesso nos EUA) e Hulu (a Disney é dona de 60% da empresa). No Brasil, a Globo tem planos para um combo com Globoplay, Telecine Play e Premiere Play.

O problema no país é que boa parte dos serviços de streaming existentes ainda é vinculada a operadoras de TV por assinatura, por questões contratuais. Mas, conforme estes vão expirando, a tendência é que surjam pacotes personalizados que atendam as necessidades de cada cliente.