A qualidade atemporal de Scott Hamilton

Há mais de um ano escrevo esta coluna semanal, tendo passado por aqui diversos músicos, estilos e perfis. Eventualmente, cito algum músico a quem almejo dedicar uma próxima coluna, porém, novos temas surgem, e o desejo acaba sendo momentaneamente esquecido. Relendo alguns trabalhos, me dei conta que já havia citado quatro vezes o brilhante saxofonista Scott Hamilton, sem nunca ter lhe dado o devido protagonismo. Chegou a hora de “matar esta pendência”, justamente quando passado um mês do lançamento de seu novo disco “Danish Ballads..&More” (Stunt Records).

Antes de analisar o disco, é importante externar o por quê da minha admiração por este saxofonista americano de 64 anos. Com mais de quatro décadas de carreira como “band leader”, o som de seu saxofone é um dos mais intemporais que já ouvi. Nos dias de hoje, vemos grandes nomes da música utilizando-se de referências e variações do jazz para produzir novos sons, sejam eles comerciais ou futuristas. Contudo, deixando de lado às novidades e modernidades do mundo musical, Scott Hamilton segue gravando e produzindo novos álbuns, muitas vezes com jovens músicos, mas sem jamais transformar-se em função do decorrer do tempo. Seu som é limpo, clássico e icônico, reproduzindo o melhor do jazz tradicional. Costumo dizer que ao ouvir Scott Hamilton, basta fechar os olhos que você automaticamente será teletransportado para um clássico jazz club, com luzes baixas, clima intimista e som da melhor qualidade.

Macaque in the trees
(Foto: Reprodução)

Em Danish Ballads & More, o saxofonista mergulha em canções oriundas da cultura Dinamarquesa, tal como fez em 2013, quando explorou a tradicional música sueca, no aclamado Swedish Ballads & More. Gravado em Copenhague e com uma seção rítmica dinamarquesa de primeira linha, a maioria das músicas foi composta por dinamarqueses ou tem afiliações dinamarquesas. Algumas são melodias dinamarquesas tradicionais que se prestam naturalmente ao lirismo do sax tenor americano.

Neste adorável trabalho, que conta também com um trio, formado pelo pianista Jan Lundgren, o baixista Hans Backenroth e o baterista Kristian Leth, a qualidade e consistência (lembra do atemporal?) seguem sendo o mantra de Scott Hamilton. A balada “Havnen”, uma música de 1937 de Aage Steentoft, já arrancou minha atenção logo de cara, assim como “Montmartre Blues”, de Oscar Pettiford, que nos leva aos clássicos de 50 e 60 com toda elegância permitida da época. “Take it Easy”, do pianista Leo Mathiesen, é um swing clássico sem compromisso, com o groove certo de cada membro da banda. “Alley Cat” de Bent Fabricius, mas eternizada na voz de Peggy Lee, reaparece com a liderança de Hamilton, seguido de ótimos solos, principalmente de Lundgren. “Svinninge Blues”, também de Pettiford, fecha o disco, homenageando a uma pequena vila que possuía um clube de jazz, onde estrelas como Dexter Gordon também tocaram. Não poderia ter sido escolhido título melhor para finalizar este disco.

Com uma discografia de mais cem discos e turnês pelos quatro cantos do mundo, é merecido que o som de Hamilton seja sempre citado como um “tesouro” para os amantes do jazz e da música instrumental.

Seja no passado, presente ou futuro, sigo repetindo o mantra de que somente existem dois tipos de música: a boa e a ruim. A música de Scott Hamilton, no entanto, exige que se abra uma exceção: - Ela não é só boa, ela é ótima! 

BEBOP

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