As novas narrativas de Joshua Redman

Ao escolher o tema desta coluna, reparei que escrevi sobre três dos grandes saxofonistas da atualidade neste último mês. Em 2019, estes músicos lançaram novos trabalhos, em conjunto com seus quartetos, e seguem redefinindo as narrativas do jazz contemporâneo. Chegamos, então, ao último (mas não menos importante), Joshua Redman um dos melhores improvisadores do século XXI, que reuniu seu quarteto para um novo disco após duas décadas. 

Nascido em Berkeley, Califórnia, Joshua Redman juntou seus amigos de longa data, o pianista Aaron Goldberg, o baixista Reuben Rogers e o baterista Gregory Hutchinson, para lançar na última sexta-feira o álbum “Como what may” (Nonesuch Records). As sete faixas mostram a banda bem sintonizada, resultado de anos na estrada e de toda parceria existente entre eles. “Quando você tem esse nível de confiança e empatia, musicalmente e pessoalmente, permite-se que esteja verdadeiramente relaxado e livre, e essas são realmente boas pré-condições para que a magia possa acontecer” – refletiu o saxofonista na tarde de lançamento.

Macaque in the trees
As novas narrativas de Joshua Redman (Foto: reprodução)

O último trabalho do grupo havia sido em 2001, com “Passage of time” O álbum começa com piano e baixo apresentando a agradabilíssima valsa "Circle of Life", que depois é agregada pelo sax de Redman. Em seguida, vem "I´ll Go Mine", exibindo uma sequência harmônica em constante evolução. Aqui, Redman sobe o tom e traz algumas sutis referências ao blues. A melancólica “Come what may” foi uma de minhas preferidas, com ótima presença do baixo de Reuben, assim como “How we do”, uma melodia hard bop com excelente solo de piano. “Vast” fecha o álbum, com um piano bucólico e um pouco de sax tenor, onde Redman consegue fazer o incêndio na dose certa com suas inteligentes idas e vindas.

Redman, que chegou a se formar em Estudos Sociais pela universidade de Harvard, começou a ganhar renome ao vencer, com apenas 22 anos, o Thelonious Monk International Jazz Saxophone Competition, em 1991, a frente de Eric Alexander e Chris Potter, ambos importantes nomes no jazz atual. Filho do  saxofonista Dewey Redman, que fez parte do movimento do free jazz capitaneado por Ornette

Coleman, Joshua Redman faz de “Come what may “ mais um de seus grandes sucessos, que incluem “Still Dreaming “ , “Walking Shadows” e “Spirit of the moment”, gravado ao vivo no mítico Village Vanguard, em 1995. Aos 50 anos recém completados, o saxofonista segue modernizando o jazz de maneira inteligente, sem descaracterizar as importantes raízes do gênero. Um desafio e tanto para os tempos atuais.

Os novos (e antigos) fãs agradecem.

Bebop

Tributo a Chet Baker

Neste sábado, às 20:00 hrs, Nico Rezende apresenta um tributo ao lendário

trompetista Chet Baker, no Blue Note Rio.

Disco novo

John Patitucci lança essa sexta-feira (5) Soul of the Bass. É o 16 o disco solo de sua

carreira.